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Fidel Castro renunciou. É o último
ditador sanguinário que desaparece da cena política. Nos meus
tempos de estudante, na Faculdade de Direito do Largo de São
Francisco, todos nós acompanhamos as centenas de fuzilamentos, que
promoveu sem julgamento, nos famosos “paredons”, de adversários
ideológicos. Neste ponto, nivelou-se a Pinochet, Hitler e Stálin.
Durante 49 anos manteve a ilha que
governou em plena ditadura. Mesmo quando os países
latino-americanos foram se libertando do autoritarismo, manteve
seu regime totalitário e tirânico, inclusive perseguindo,
aprisionando ou até condenando à morte, em alguns casos, cubanos
que pretenderam sair do país.
Sob seu comando, Cuba progrediu menos do
que o Chile, governado por um outro ditador, também sanguinário.
Até hoje o desenvolvimento da ilha é
medíocre. Auxiliada pela antiga União Soviética, enquanto este
conglomerado de países teve forças, tornou-se uma das economias
mais atrasadas, entre os países emergentes de relevo.
Por ser um ditador de esquerda, seus
crimes contra a humanidade, na década de 50, foram esquecidos; a
sua ditadura, em tempos de democracia continental, jamais
criticada; e o fracasso de sua economia, que ainda vive do auxílio
de seus vizinhos, pouco citada.
Com seu afastamento definitivo do poder,
o mundo inteiro espera que venha seu irmão permitir a abertura do
regime, com respeito ao direito dos cubanos de entrar e sair de
seu país, e a realização de eleições livres, com mais de um
partido. As ditaduras nunca se eternizam, razão pela qual um sopro
de esperança pode estar atingindo a bela ilha caribenha, tornando,
novamente, a América um continente formado só de democracias.
Dr.Ives Gandra Martins
Professor Emérito das Universidades
Mackenzie, UNIFMU, UNIFIEO, UNIP e das Escolas de Comando e Estado
Maior do Exército-ECEME e Superior de Serra-ESG, Presidente do
Conselho Superior de Direito da Fecomercio e do Centro de Extensão
Universitária - CEU - ceu@ceu.org.br e escreve quinzenalmente para
o Jornal Mundo Lusíada.
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