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Por Prof.José de Almeida Amaral Júnior*


Quinta-feira | 17 ABR 08

Notas Quotidianas: Economia, Cultura e Sociedade
Alimentando a Inflação

Ir à vendinha do bairro ou ao supermercado mais próximo tem proporcionado clara frustração ao consumidor. Paulatinamente, as compras vão se tornando mais caras e a sacola sai dos estabelecimentos comerciais cada dia mais vazia que antes. Este fenômeno é chamado de inflação, ou seja, a perda de capacidade de compra da moeda.

E, para quem recebe pouco, uma complicação bastante difícil de solucionar. É bem verdade que desde quando o Plano Real foi implantado nunca mais tivemos inflação como no início dos anos 1990 para trás. Este foi, aliás, a grande realização da nova moeda. Mas, nuvens escuras começam a se formar neste céu azul de anil.

O incômodo com o reaparecimento do processo inflacionário já atormenta muita gente. E os alimentos tem sido um dos focos preferidos desse problema. Aliás, uma questão global. A FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura afirmou que desde 2007 os preços dos alimentos aumentaram em média 40%. Itens importantes como o trigo chegaram a ter duplicados os seus valores. E muitos especialistas afirmam que isto acontece por conta da elevação do consumo em paises emergentes como a China que, sozinha, tem 1,3 bilhão de habitantes e precisa de muito produto primário para tocar sua produção. Programas sociais que auxiliam na renda da população mais carente propiciam aos que não se alimentavam bem melhorar suas possibilidades e isto colabora também para o aumento do consumo. A oferta existente não estaria dando conta de tanta procura e, assim, os preços passam a ter uma alta no mercado internacional, prejudicando os mais pobres. O Haiti, por exemplo, país da América Central, vivencia explosões de revoltas por causa disso. Várias nações africanas também apresentam manifestações de descontentamento popular. Inflação e fome é uma combinação explosiva e cruel.

Internamente, Lula afirma que esta é uma questão ‘fácil de resolver porque tem muito território disponível para plantio’. Tanto de alimentos como de biocombustíveis.

Segundo o Ministério da Agricultura “somos os maiores exportadores de carnes, café, açúcar, sucos e o segundo maior de grãos”. Na prática, de acordo com a FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, em média os alimentos subiram 11,24% em 12 meses. Só o feijão subiu 168%; o óleo de soja, 56%; o leite em pó, 42% e o pãozinho, 17% entre outros itens. De qualquer forma, enquanto o presidente discursava o Banco Central já tomava providência aos seus modos: começou a elevar a taxa de juros, ou seja, aplicou o tradicional e amargo remédio que é dificultar o consumo para forçar a queda dos preços. Justo agora quando as camadas menos abastadas começaram a melhorar suas comprinhas. Resultado: festa para os especuladores que se empanturram mais e mais com essas taxas no mundo da jogatina financeira. E muitas dúvidas se a velha sacola vai tornar a sair cheia da mercearia. Preocupante.

São Paulo, 17 de abril de 2008.

Prof. José de Almeida Amaral Júnior
Professor universitário em Ciências Sociais, Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação, Colunista do Jornal Cantareira, Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600 Khz e escreve semanalmente para o Mundo Lusíada Online.


 

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