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Ir à vendinha do bairro ou ao
supermercado mais próximo tem proporcionado clara frustração ao
consumidor. Paulatinamente, as compras vão se tornando mais caras
e a sacola sai dos estabelecimentos comerciais cada dia mais vazia
que antes. Este fenômeno é chamado de inflação, ou seja, a perda
de capacidade de compra da moeda.
E, para quem recebe pouco, uma
complicação bastante difícil de solucionar. É bem verdade que
desde quando o Plano Real foi implantado nunca mais tivemos
inflação como no início dos anos 1990 para trás. Este foi, aliás,
a grande realização da nova moeda. Mas, nuvens escuras começam a
se formar neste céu azul de anil.
O incômodo com o reaparecimento do
processo inflacionário já atormenta muita gente. E os alimentos
tem sido um dos focos preferidos desse problema. Aliás, uma
questão global. A FAO – Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e a Agricultura afirmou que desde 2007 os preços dos
alimentos aumentaram em média 40%. Itens importantes como o trigo
chegaram a ter duplicados os seus valores. E muitos especialistas
afirmam que isto acontece por conta da elevação do consumo em
paises emergentes como a China que, sozinha, tem 1,3 bilhão de
habitantes e precisa de muito produto primário para tocar sua
produção. Programas sociais que auxiliam na renda da população
mais carente propiciam aos que não se alimentavam bem melhorar
suas possibilidades e isto colabora também para o aumento do
consumo. A oferta existente não estaria dando conta de tanta
procura e, assim, os preços passam a ter uma alta no mercado
internacional, prejudicando os mais pobres. O Haiti, por exemplo,
país da América Central, vivencia explosões de revoltas por causa
disso. Várias nações africanas também apresentam manifestações de
descontentamento popular. Inflação e fome é uma combinação
explosiva e cruel.
Internamente, Lula afirma que esta é uma
questão ‘fácil de resolver porque tem muito território disponível
para plantio’. Tanto de alimentos como de biocombustíveis.
Segundo o Ministério da Agricultura
“somos os maiores exportadores de carnes, café, açúcar, sucos e o
segundo maior de grãos”. Na prática, de acordo com a FIPE -
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, em média os alimentos
subiram 11,24% em 12 meses. Só o feijão subiu 168%; o óleo de
soja, 56%; o leite em pó, 42% e o pãozinho, 17% entre outros
itens. De qualquer forma, enquanto o presidente discursava o Banco
Central já tomava providência aos seus modos: começou a elevar a
taxa de juros, ou seja, aplicou o tradicional e amargo remédio que
é dificultar o consumo para forçar a queda dos preços. Justo agora
quando as camadas menos abastadas começaram a melhorar suas
comprinhas. Resultado: festa para os especuladores que se
empanturram mais e mais com essas taxas no mundo da jogatina
financeira. E muitas dúvidas se a velha sacola vai tornar a sair
cheia da mercearia. Preocupante.
São Paulo, 17 de abril de 2008.
Prof. José de Almeida
Amaral Júnior
Professor universitário em Ciências
Sociais, Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em
Políticas de Educação, Colunista do Jornal Cantareira, Colunista
pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600 Khz e escreve semanalmente para o Mundo Lusíada
Online.
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