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O governo federal decidiu que o salário
mínimo a partir deste mês de março passará a valer R$ 415,00. Este
total representa um reajuste de 9,21% sobre o valor vigente até
fevereiro, ou seja, R$ 380,00. Assim, calcula-se que a economia
brasileira passará a contar com uma injeção nos próximos 12 meses
de aproximadamente R$ 21 bilhões, R$ 1,7 bilhão /mês a mais,
considerando que 45 milhões de brasileiros receberão este aumento.
O impacto do salário mínimo se faz de
formas distintas. O governo de S. Paulo, por exemplo, tem o seu
mínimo em R$ 410,00, valor vigente até maio quando haverá reajuste
no Estado. É o chamado ‘Piso Regional’. Por outro lado, com o novo
mínimo também se alteram as contribuições ao INSS pagas pelos
trabalhadores assalariados e pelos patrões e empregados
domésticos, o seguro-desemprego e o abono anual do PIS/Pasep. Mais
de 13 milhões de aposentados e pensionistas recebem um salário
mínimo. Cada R$ 1 acrescentado ao valor final implica cerca de R$
180 milhões em gastos da União por ano.
Mas, apesar desses altos volumes
monetários e, notem, do reajuste real ter sido melhor do que o
conquistado por muitas categorias sindicais, o salário mínimo anda
muito aquém de suas verdadeiras obrigações.
Quando ele foi criado, no governo de
Getúlio Vargas, ano de 1940, ficava ali oficializado que sua
função social era de sustentar uma família constituída de 4
indivíduos: dois adultos e duas crianças. Pois bem. De acordo com
o DIEESE este valor estaria agora cravado em R$ 1.924,59, segundo
cálculos para o mês de Janeiro/08. Isto não é uma piada. Na
realidade é uma evidente demonstração de como a relação entre
capital e trabalho, na prática revelada ao longo das décadas, é
claramente uma luta desigual e cruel a favor do primeiro neste
país. Um local, convenhamos, que já teve seu ‘milagre econômico’
com alguns anos de belos crescimentos e que, segundo o madrileno
“El País”, em 2007 ‘renovou sua posição como décima economia do
mundo, à frente da Rússia, Coréia do Sul e Índia, sendo a maior
economia da América Latina e seu PIB representa pelo menos um
terço do PIB da região’. Porém, em se tratando de qualidade de
vida de sua massa, o minúsculo mínimo praticado é um exemplo
bastante contundente.
É importante recordar que em janeiro
estudos do próprio DIEESE mostravam que houve um acúmulo de 4,8%
no custo de vida paulistano no ano passado. Detalhe: por faixas de
renda a elevação foi maior exatamente para as famílias mais
pobres, isto é, com renda média de R$ 377,49 em dezembro/07, com
uma taxa de 5,5%. O Índice do Custo de Vida também não foi leve
com os rendimentos médios, em torno de R$ 934,17, ficando em 4,9%.
Sindicalistas tentam agora vincular os aumentos do mínimo ao
crescimento do PIB, que apresentou 5,4% em 2007.
Vamos torcer para que a economia
permaneça gerando empregos, contaminando-se o mínimo possível com
as nuvens escuras do cenário internacional. Incorporar
trabalhadores formais ajuda a previdência, assim como aumenta a
pressão por melhores salários e, quem sabe, torna o mínimo menos
sádico. Numa síntese de plena quinta feira Santa: viver no Brasil
é um autêntico calvário.
São Paulo, 20 de março de 2008.
Prof. José de Almeida
Amaral Júnior
Professor universitário em Ciências
Sociais, Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em
Políticas de Educação, Colunista do Jornal Cantareira, Colunista
pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600 Khz e escreve semanalmente para o Mundo Lusíada
Online.
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