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Por Adriano da Costa Filho*


Segunda-feira | 18 FEV 08

Coluna Luso-Descendente
“O outro Eça de Queiroz”

Longe de Portugal, mas perto do coração

Em Agosto de 1900, vinha a falecer um grande mestre da cultura lusitana: EÇA DE QUEIROZ. Ele havia nascido em 1845, portanto, viveu 55 anos, muito pouco para essa magistral figura da pátria portuguesa e do romance em língua portuguesa.

O legado de Eça de Queiroz é uma coisa que não pode ser esquecido, sendo que, dois romances fantásticos de sua lavra "O Crime do Padre Amaro"(1880) e "Os Maias" (1888) são na realidade o máximo da prosa realista, sendo que o primeiro é puro romance de tese, como também o foi o "Primo Basílio" editado em 1878. E nesses livros a intenção dele era chamar a atenção sobre as mazelas sociais e a hipocrisia da vida reinante nessa época ou seja nas décadas de 70 e 80 do século 19.

O cume de sua obra- realista veio mesmo com os dois volumes de "Os Maias", sendo aí uma divisória entre o escritor, que anteriormente era crítico da sociedade, combativo e republicano e o depois, sem qualquer idéia reformista, já sonhando com o eterno Portugal e a sua grandeza memorialística.

No ano de 1870, transferiu-se a Cuba, e depois em 1874 para a Inglaterra e depois finalmente foi em 1888 para Paris, ano da publicação de "Os Maias", sendo que em Paris veio a falecer em 1900.

Ele sempre procurava encontrar-se com os mestres escritores/poetas: e num grupo formado chamado de "Grupo dos Cinco", em 1884, contava com: Guerra Junqueiro, Antero de Quental, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e evidentemente ele Eça de Queiroz, para a época e hoje para nós os maiores nomes da literatura portuguesa, os quais acabaram nessa época de revisar as suas posições, saudosos de épocas passadas.

Eça de Queiroz era um apaixonado pela sua esposa Emilia, sempre passeando com ela, muito bem vestido e ela uma verdadeira dama, e aos filhos José Maria e Maria ele fazia o máximo para instruí-lo na literatura.

Esse magistral Eça de Queiroz, um dos nomes dominantes da Literatura portuguesa de todos os tempos, não nasceu e nem morreu em Lisboa, mas foi ele quem mais se identificou com a paisagem humana e social da Lisboa que amava e onde era o seu ponto de referência, ele esteve anos em Havana/Cuba, na Inglaterra em Bristol e Newcastle, e em Paris na França, transformou-se num homem do mundo e uma vez disse e escreveu que: Atenas produziu a escultura, Roma fez o Direito, Paris inventou a revolução, a Alemanha achou o misticismo e Lisboa criou o Fado.

A sua última obra, "A tragédia da Rua das Flores", só apareceu 100 anos depois, uma vez que ficou emparedada na sua casa, que com a reforma foram achados papéis rascunhados, que a princípio achavam que eram rascunhos do livro "Os Maias", mas que estudos depois verificaram que era um livro, publicado em Lisboa no ano de 1880, pela "Moraes Editores". Em sua vida publicou inúmeros livros, como "A Relíquia", "O Mandarim", "O Mistério da Estrada de Sintra", bem como, contos e textos para a imprensa.

Portanto, devemos dar louvores a esse mestre da cultura portuguesa, que com suas obras modificou com certeza o mundo encantado do "Eterno Portugal ", Gloria Eterna ao mestre escritor EÇA DE QUEIROZ.

Adriano da Costa Filho
Diretor Administrativo da Federação Paulista de Tênis, Membro da Casa do Poeta de SP, Membro do Movimento Poético Nacional, Membro da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Membro da Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Honra Meritória,da Soberana Ordem Internacional do Mérito Desportivo e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.


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