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19/NOV/2007
Lenda, Realidade,
ou Fantasia
A Sabedoria de Luiz Vaz de Camões
Pode ser Lenda ou Realidade
Como já disse anteriormente, nas histórias ouvidas e contadas de
boca-a-boca, que vem do passado, eu ouvi a muitos anos também, de
lusos que vieram para o Brasil, mormente os meus avós e para que
não se percam também, vou repassar uma delas, que pode ter sido
realidade ou uma lenda:
Camões sempre demonstrou uma grande astúcia e ele era um grande
poeta, inteligente, muito culto, e desasombradamente muito valente
e só confiava nele mesmo, e todos da corte, desde o Rei até os de
menor qualificação, sempre caiam nas conversas dele.
Diz essa lenda ou realidade que ele casou-se com uma dama muito
bonita, e todos tinham uma grande inveja dele por ter essa mulher
muito linda como esposa, e então iam à sua casa perguntar por ele,
mas, a intenção era vê-la e tentar conquistá-la e até o Rei fazia
isso e bolou um plano e a mulher não suportando contou tudo a
Camões, que a orientou como devia fazer para pegar o Rei e
humilhá-lo.
Camões lhe disse: aceite o conquistador para o enganar, e quando
ele vier, peça a ele para tirar as roupas e principalmente a coroa
e deixar tudo na saleta e finja que vai à cozinha e mexa nos
pratos, que eu vou usar a coroa dele, e assim foi feito, pegou a
coroa e como tinha a mesma estatura do Rei, colocou as roupas dele
e a coroa na cabeça e foi para o palácio, entrou beijou a rainha e
levou-a para o quarto e disse à rainha vá até o cofre e me traga
100 moedas de ouro.
Voltou logo para casa e perguntou à mulher o que aconteceu e ela
respondeu: eu dei um jeito e o Rei voltou para casa muito
desanimado, e quando lá chegou estava ainda assanhado e a rainha
lhe disse o que você quer, ainda a pouco me agarrou de todo jeito
e me fez ir no cofre e pegar 100 moedas de ouro, e o Rei logo
desconfiou que tinha caído na esparrela e ficou quieto.
O Rei encontrou Camões, e foi logo lhe perguntando, você roubou
100 moedas de ouro? E Camões respondeu que elas serviram a uma boa
causa. O Rei indignado condenou-o a morrer na forca. Quando estava
no patíbulo, tinha o direito de uma última vontade, e pediu para
ser enforcado em uma arvore, e como não queria nenhuma, foi logo
novamente enviado ao Rei, e quando Camões passava por uma roseira,
deitou-se no chão e disse ao Rei, aqui já estou enforcado neste
galho da roseira, e o Rei ficou muito bravo e libertou Camões.
O Rei jurou vingança e quando veio uma herança para Camões a
confiscou, mas, o astucioso Camões, ficou observando as saídas do
Rei para encontrar-se com uma dama às escondidas e vestia-se de
padre, e ele observou quando entrou no local que estava a tal
dama, e na saída Camões vestido de mendigo pediu uma esmola para o
falso padre e prendeu-lhe as pernas e disse ao Rei, “que vergonha
traindo a Rainha com essa dama”, o Rei perplexo disse: quem é
você? Eu sou aquele que você roubou uma herança, e o Rei disse:
sai satanás, você é o Camões, e este lhe disse: “devolvendo a
minha herança pode ficar sem medo”.
Na esperteza de Camões, o Rei deu uma gargalhada e perdoou o
grande poeta, que lhe deu uma lição de esperteza, sagacidade,
inteligência e sutileza e tornou-se seu grande admirador. Essa
história pode ter sido verdade, ou foi uma lenda, mas, eu a ouvi
muitas vezes, como disse, contada na minha infância pelos meus
avós trasmontanos de Rio Frio/Bragança, do nosso lindo, histórico
e eterno Portugal.
ADRIANO AUGUSTO DA COSTA FILHO.
Diretor Administrativo da Federação Paulista de Tênis.
Conselheiro Vitalício do São Paulo F.C. Membro da Casa do Poeta de
São Paulo.
Membro do Movimento Poético Nacional. Membro da Academia Virtual
Sala dos Poetas.
Membro da Ordem Nacional dos Escritores do Brasil
Honra Meritória, da Soberama Ordem Internacional do Mérito
Desportivo.
Colaborador do Jornal Mundo Lusíada
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