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Artigo Luso-Descendente » ADRIANO COSTA FILHO

19/NOV/2007


Lenda, Realidade, ou Fantasia

A Sabedoria de Luiz Vaz de Camões

Pode ser Lenda ou Realidade

Como já disse anteriormente, nas histórias ouvidas e contadas de boca-a-boca, que vem do passado, eu ouvi a muitos anos também, de lusos que vieram para o Brasil, mormente os meus avós e para que não se percam também, vou repassar uma delas, que pode ter sido realidade ou uma lenda:


Camões sempre demonstrou uma grande astúcia e ele era um grande poeta, inteligente, muito culto, e desasombradamente muito valente e só confiava nele mesmo, e todos da corte, desde o Rei até os de menor qualificação, sempre caiam nas conversas dele.
Diz essa lenda ou realidade que ele casou-se com uma dama muito bonita, e todos tinham uma grande inveja dele por ter essa mulher muito linda como esposa, e então iam à sua casa perguntar por ele, mas, a intenção era vê-la e tentar conquistá-la e até o Rei fazia isso e bolou um plano e a mulher não suportando contou tudo a Camões, que a orientou como devia fazer para pegar o Rei e humilhá-lo.


Camões lhe disse: aceite o conquistador para o enganar, e quando ele vier, peça a ele para tirar as roupas e principalmente a coroa e deixar tudo na saleta e finja que vai à cozinha e mexa nos pratos, que eu vou usar a coroa dele, e assim foi feito, pegou a coroa e como tinha a mesma estatura do Rei, colocou as roupas dele e a coroa na cabeça e foi para o palácio, entrou beijou a rainha e levou-a para o quarto e disse à rainha vá até o cofre e me traga 100 moedas de ouro.


Voltou logo para casa e perguntou à mulher o que aconteceu e ela respondeu: eu dei um jeito e o Rei voltou para casa muito desanimado, e quando lá chegou estava ainda assanhado e a rainha lhe disse o que você quer, ainda a pouco me agarrou de todo jeito e me fez ir no cofre e pegar 100 moedas de ouro, e o Rei logo desconfiou que tinha caído na esparrela e ficou quieto.


O Rei encontrou Camões, e foi logo lhe perguntando, você roubou 100 moedas de ouro? E Camões respondeu que elas serviram a uma boa causa. O Rei indignado condenou-o a morrer na forca. Quando estava no patíbulo, tinha o direito de uma última vontade, e pediu para ser enforcado em uma arvore, e como não queria nenhuma, foi logo novamente enviado ao Rei, e quando Camões passava por uma roseira, deitou-se no chão e disse ao Rei, aqui já estou enforcado neste galho da roseira, e o Rei ficou muito bravo e libertou Camões.


O Rei jurou vingança e quando veio uma herança para Camões a confiscou, mas, o astucioso Camões, ficou observando as saídas do Rei para encontrar-se com uma dama às escondidas e vestia-se de padre, e ele observou quando entrou no local que estava a tal dama, e na saída Camões vestido de mendigo pediu uma esmola para o falso padre e prendeu-lhe as pernas e disse ao Rei, “que vergonha traindo a Rainha com essa dama”, o Rei perplexo disse: quem é você? Eu sou aquele que você roubou uma herança, e o Rei disse: sai satanás, você é o Camões, e este lhe disse: “devolvendo a minha herança pode ficar sem medo”.


Na esperteza de Camões, o Rei deu uma gargalhada e perdoou o grande poeta, que lhe deu uma lição de esperteza, sagacidade, inteligência e sutileza e tornou-se seu grande admirador. Essa história pode ter sido verdade, ou foi uma lenda, mas, eu a ouvi muitas vezes, como disse, contada na minha infância pelos meus avós trasmontanos de Rio Frio/Bragança, do nosso lindo, histórico e eterno Portugal.


ADRIANO AUGUSTO DA COSTA FILHO.
Diretor Administrativo da Federação Paulista de Tênis.
Conselheiro Vitalício do São Paulo F.C. Membro da Casa do Poeta de
São Paulo.
Membro do Movimento Poético Nacional. Membro da Academia Virtual
Sala dos Poetas.
Membro da Ordem Nacional dos Escritores do Brasil
Honra Meritória, da Soberama Ordem Internacional do Mérito Desportivo.

Colaborador do Jornal Mundo Lusíada

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