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09/AGO/2007
Clima
Novas Revelações sobre Velhos Problemas
Dia 31 de Julho, através de sua
Assembléia Geral, a ONU iniciou o primeiro debate informal
exclusivamente dedicado à questão do aquecimento global. E
compensou o esforço e o gás carbônico causados pela mobilização
com investimento sobre projeto de produção de energia via biomassa
no Quênia. Essas iniciativas são preparativos para outros eventos
que deverão acontecer no decorrer do ano com o mesmo foco de
preocupação. Reflexo da situação que vem se acentuando em relação
ao estado do meio ambiente, agredido como nunca nos últimos
duzentos anos e que dá sinais evidentes de seu estresse. Conforme
o IPCC - Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas
publicado no início do ano, o aquecimento global existe
principalmente pela da queima excessiva de combustíveis fósseis.
No último século a temperatura média do planeta aumentou 0,74 ºC e
prossegue subindo. Por exemplo, quem vive na cidade de São Paulo -
hoje com 11 milhões de habitantes - e tem por volta de 50 anos
certamente lembrará de algo bem menos poluído, ruidoso, lotado de
gente e que tinha uma fina garoa que costumava normalmente
acompanhar seus moradores. A ausência de planejamento levou isso a
se perder. E as percepções dos reflexos da má conduta exploratória
e violenta sobre os recursos disponíveis no ambiente se sucedem
pelo mundo afora.
Em meados de julho a revista Nature publicou artigo revelando que
ao longo do último século se percebe mudança observada em todo o
mundo no padrão de chuvas. Regiões secas caminham para tornarem-se
mais secas ainda. E as mais chuvosas passarão a receber maior
quantidade de águas. Desta forma, a ocorrência de enchentes nas
regiões mais úmidas é um grande risco, ao mesmo tempo em que nos
locais mais quentes as secas podem se intensificar. Assim, além do
aumento da temperatura pelo efeito estufa e, consequentemente, do
nível do mar com o derretimento das geleiras polares, as mudanças
dos padrões de chuva são também motivadas por participação humana.
Calculam os cientistas que no norte da América do Norte e da
Europa o nível de precipitação aumentou 62 mm entre 1925 e 1999.
Entre 50% e 85% deste aumento podem ser atribuídos à intervenção
dos homens. O mesmo raciocínio vale para o hemisfério sul.
No final do referido mês o Centro Nacional de Pesquisas
Atmosféricas dos EUA detectou em seus levantamentos que os
furacões que nascem no Atlântico duplicaram em comparação com o
século passado. Resultado do aumento da temperatura marítima e da
mudança do clima. Houve também mudança nos padrões do vento das
últimas décadas. Foram detectados três períodos desde 1900,
durante os quais a média de furacões e tempestades tropicais
aumentou de maneira considerável: entre 1900 e 1930 se registrou
uma média de seis tempestades tropicais e quatro foram furacões;
entre 1930 e 1940 a média anual foi de dez ciclones, com cinco
tempestades tropicais e cinco furacões. Já entre 1995 a 2005 a
média revelou oito furacões e sete tempestades tropicais. A partir
dos dados pode-se dizer que o aumento no número de furacões e
tempestades tropicais em 100 anos é paralelo ao das temperaturas
marítimas, que ficou por volta de 1,7ºC. Os furacões representaram
algo em torno de 55% de todos os ciclones tropicais que nascem no
Atlântico. Por sinal, os furacões mais violentos, com ventos de
quase 200 km/h, têm aumentado em relação aos ciclones menos
intensos e às tempestades tropicais.
Neste início de agosto uma publicação da Suíça, o "Journal of
Geophysical Research - Atmospheres", destaca que pesquisa revelou
a duração das ondas de calor na Europa Ocidental terem dobrado
desde 1880, assim como a freqüência de dias extremamente quentes
quase se multiplicou por três no último século. As ondas de calor
duram hoje uma média de três dias, porém algumas chegam aos 13
dias. Em 1880 a média era de um dia e meio. Para chegarem a estas
conclusões os cientistas analisaram dados coletados em 54 estações
meteorológicas européias.
Degelo, furacões, inundações e secas são manifestações das
alterações nas condições climáticas que colocam em risco a vida
das pessoas pela destruição e piora da saúde, além de atingirem a
oferta de alimentos. Hoje, por exemplo, o sul da Ásia vive um
drama provocado pelas enchentes que atingem milhões de pessoas e
abrem chances para epidemias. Além disso, o desequilíbrio do clima
expõe ao risco outros seres vivos: segundo o IPCC há 30% das
espécies correndo risco de extinção, entre animais e plantas, caso
se eleve demais a média da temperatura. Com redução do gelo no mar
cai a reprodução do plâncton que alimenta o krill e este, por sua
vez, é a comida de pingüins, leões marinhos e focas. Estas últimas
são alimentos dos ursos polares. Diminuindo as focas eles saem em
busca alternativa, ameaçando suas possibilidades fora de suas
regiões. Pássaros perdem a referência para migração. Espécies de
sapos que habitavam a América Central e do Sul, nas florestas
tropicais, tiveram enorme queda em sua população por terem sido
vitimados através de um fungo, multiplicado pela alta da
temperatura local e sendo letal para os anfíbios. Águas mais
quentes prejudicam também os corais na Austrália e na costa leste
dos EUA. A maior escassez alimentar pela diminuição dos plânctons
e algas afligem também as baleias, entre vários outros casos.
É, de fato, bem perceptível a promoção da preocupação com a
questão ecológica em relação há tempos atrás. O assunto está cada
vez mais presente na mídia e nos gabinetes. Também são claras e
inquietantes as confirmações científicas e seus alertas. Desta
forma, é preciso, portanto, parar de pensar apenas nos prejuízos
financeiros e investir em ações, ou seja, mudanças comportamentais
urgentes e concretas. Não dá mais para se ficar apenas na
retórica. O ser humano deve reavaliar sua relação corrosiva,
egoísta e desrespeitosa com a natureza para que evite uma situação
irreversível num futuro não muito distante. Aí não vai ter
dinheiro que pague soluções.
São Paulo, 09 de agosto de 07.
José de Almeida
Amaral Jr.
Professor universitário em Ciências Sociais
Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de
Educação
Colunista do Jornal Cantareira
Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600 Khz
Colaborador do Jornal Mundo Lusíada
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