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29/JUL/2007
Economia
A Luta da Economia Solidária no País
As suas raízes estão no século XIX,
enquanto transcorria a Revolução Industrial e os trabalhadores
eram superexplorados nos momentos da produção. Assim sendo, muitos
resolveram corajosamente organizar-se para resistir a tudo isso.
Afinal, se eram eles que na prática produziam, porque não poderiam
também se beneficiar de seu esforço, ao invés do capitalista?
Procuraram então produzir, vender, comprar e trocar mercadorias
numa prática conduzida por valores de autogestão, cooperação e
valorização do trabalho humano. Os meios de produção de cada
empreendimento e o resultado eram propriedades coletivas dos
participantes que estavam nos empreendimentos, sempre baseados na
democracia direta. Os trabalhadores dividiam os ganhos de suas
produções sem a relação patronal. Foram as origens do verdadeiro
cooperativismo, que mais tarde influenciaria a formação dos
kibutzim em Israel, do complexo em Mondragón no país basco
espanhol e dos Bancos do Povo pelo mundo afora para fornecimento
de crédito a baixo juro. Deste modo, o ideal de Economia Solidária
vai beber junto à fonte das lutas dos socialistas naquele momento
de início da industrialização. Por isso, revela características
diferentes de atuação do mercado capitalista tradicional: ela,
como atuação autogestionária, é seu oposto.
Embora os empreendimentos tenham ficado pouco evidentes durante o
século XX, sufocados entre outros fatores pelo gigantismo e
influência do modo capitalista, nos últimos tempos a experiência
vem novamente sendo recuperada, ganhando corpo pelo Brasil e
também pela América Latina, entre outros lugares do planeta, como
forma alternativa de enfrentar as condições do mercado de trabalho
contemporâneas, que andam pouquíssimo atraentes. Então,
artesanato, flores, roupas, calçados, alimentos são produzidos
desta maneira, com respeito à natureza e, paralelo a isso,
procurando abrir alternativas de sobrevivência para muitas
pessoas, combatendo o desemprego, a exploração da mão de obra e
promovendo a organização de comunidades num espírito de
participação coletiva. Uma ‘revolução socialista’ pela via
pacífica e nos interstícios do capital, segundo a visão idílica do
intelectual petista Paul Singer.
No Brasil a Secretaria Nacional de Economia Solidária já mapeou
até agora 18.878 empreendimentos, tendo neles 1,574 milhão de
postos de trabalho. O faturamento, segundo as informações mais
recentes, ultrapassa a casa de R$ 6 bilhões anuais. E o governo
Lula pretende que em 2007 eles cheguem a 21 mil empreendimentos
iniciados. O Nordeste é a região que mais concentra iniciativas,
totalizando 8.720 até aqui. Pelo país afora indicam os estudos que
a maior parte dos negócios começou com recursos próprios dos
trabalhadores, isto é, 11.243 e contaram com ajuda do governo para
a sua estruturação 7.800 deles. A predominância dos
empreendimentos está no setor rural. O principal produto cultivado
é o milho, vindo em seguida o feijão e depois o arroz. Na lista
das atividades estão também presentes a reciclagem de sucata,
confecções de roupas e transporte de passageiros. A remuneração
média desses negócios fica em torno dos R$ 159,97 mensais.
É importante o governo federal tentar estimular mais essas
práticas, ampliando suas perspectivas, em parceria com
prefeituras, governos estaduais e universidades. Elas padecem, por
exemplo, nas dificuldades da obtenção de crédito e pela grande
informalidade – cerca de 35% do total. Seria interessante que
virasse política pública, com legislação de apoio e fontes de
recursos que facilitasse a tomada de empréstimos. Por conseqüência
conseguissem maior valor agregado, mais tecnologia e melhores
condições de produção. Que articulassem uma melhor formação e
expansão de sua rede de atividades verificadas.
O crescimento dessa prática não deixa de ser relevante item na
promoção de uma visão alternativa de vida e, além disso, de forma
mais imediata e concreta, como parece apresentar-se em grande
parte das vezes, na chance para muitas pessoas que não conseguem
se inserir no mercado capitalista. Quem sabe a economia solidária
poderia a vir se consolidar em grau menos precário aumentando
desta forma o potencial de adeptos ideológicos em algum momento do
futuro?
São Paulo, 29 de julho de 2007.
José de Almeida
Amaral Jr.
Professor universitário em Ciências Sociais
Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de
Educação
Colunista do Jornal Cantareira
Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600 Khz
Colaborador do Jornal Mundo Lusíada
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