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Notas Quotidianas » José de Almeida Amaral Jr.

27/ABR/2007


Meio Ambiente pede por novo modelo de civilização

Aprendemos na escola que a Terra surgiu há 4.5 bilhões de anos e que ela duraria mais outro tanto, ou seja, até o momento em que o amigo Sol esgotasse naturalmente sua energia. Porém, há uns 2 milhões de anos atrás, apareceu um personagem que marcou com firmeza sua presença na superfície desse planeta: o ser humano. E as coisas nunca mais seriam as mesmas. Principalmente após o advento do capitalismo e da revolução industrial iniciada na Inglaterra e expandida, depois, pelo restante do globo. Nos últimos 200 anos a biosfera sofreu então um incessante assalto a suas riquezas esgotando, já em várias circunstâncias, suas possibilidades. Muitas espécimes de animais e plantas se tornaram extintas e outras estão em vias de sumirem. Campos e rios ficaram empobrecidos. Mares e oceanos estão sufocados. A vida no planeta corre risco.


Há dias 2500 cientistas apresentaram relatório das condições climáticas e revelaram que a exploração de combustíveis fósseis como petróleo/ carvão e queimadas, geram o ‘efeito estufa’ – provocado pela excessiva emissão de gases e pelo desmatamento violento, gerando aquecimento global crescente. Em um ano derreteu área de 700 mil km2 de gelo no Pólo Norte, maior que Goiás e Tocantins! Estas além de outras péssimas relações com o meio ambiente como o lixo produzido e largado sem cuidado colocam em xeque ecossistemas. E não tem ninguém que se livre dos danos com o passar do tempo. Mesmo sabendo que países como EUA e China são campeões no estrago, todos somos responsáveis: o planeta é um imenso organismo bailando no universo com sua estrela; a Natureza não tem fronteiras políticas. Por isso ilhas afundam, furacões se intensificam, secas são fortalecidas e chuvas torrenciais tornam-se freqüentes; há desastres ambientais por todos os quadrantes. O homem precisa voltar a encarar a sacralidade da Natureza, convivendo de forma respeitosa, repensando seu modelo de conduta econômica e política utilitária, predatória, consumista e cheia de desperdícios.


Deve se apelar a uma nova educação com extrema urgência e ter em sua comunidade uma rede social de atuação. De imediato: pressionar o poder público para melhor aparelhar a Defesa Civil ou criar onde ela não exista; organizar sistemas de defesa capazes de prever catástrofes, unindo governo, universidades e setor privado; priorizar defesa do transporte coletivo; ativar a Associação de Bairro e organizar a população para as questões ambientais locais em parceria com escolas, igrejas, clubes, prefeituras etc; promover coleta seletiva e reciclagem de lixo; Combater queimadas de lixo em terrenos, morros; Procurar manter permeável o quintal de casa e arredores; Economizar no consumo de água e energia elétrica; Utilizar lâmpadas fluorescentes; Andar de carona; Quando possível, optar pela compra de carro econômico e a álcool; Não consumir madeira sem origem regulamentada; denunciar invasões de áreas florestais e mananciais; Votar em candidatos cuja plataforma tenha projetos com preocupação ambiental.


Boas ações da população devem contribuir na pressão sobre o poder público por investimento em educação, pesquisas de novas tecnologias em energia e políticas alternativas e sustentáveis, solidárias. Se o caldo entornar de vez, pouca diferença fará aos homens se estiverem na casa grande ou na senzala. Vai sobrar para todo mundo.
 

José de Almeida Amaral Jr.
Economista e professor universitário em Ciências Sociais
Pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação
Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600
Colaborador do Jornal Mundo Lusíada

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