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Notas Quotidianas » José de Almeida Amaral Jr.

23/ABR/2007


Brasileiros velhos sem saúde e Previdência

Muitos devem lembrar de uma canção, grande sucesso em 1970, composta por Miguel Gustavo, que começava com ‘Noventa milhões em ação/ pra frente Brasil/ do meu coração’ em incentivo à seleção. Vivíamos o ‘milagre econômico’ na ditadura militar com grande crescimento do PIB e contávamos com uma população num percentual bem jovem. O país aprofundava sua industrialização e se tornava urbanizado. A esperança de vida estava por volta dos 60 anos e apresentávamos no aumento populacional uma taxa média de 2,89 % (1960-70). Daí para frente, então, muitas coisas mudaram.


A população passou a crescer de forma bem mais lenta, foi envelhecendo em relação às décadas anteriores e teve elevada sua expectativa de vida. Conforme o IBGE em menos de 40 anos a taxa de fecundidade atingirá um valor que deixará a demografia em torno do crescimento nulo, como hoje acontece nos países desenvolvidos. Haverá assim queda nas demandas por serviços públicos para crianças e mulheres gestantes, motivando, em compensação, uma elevação das exigências para a população mais idosa, cujos tratos são muitas vezes difíceis e caros. Há remédios de doenças como o Mal de Alzheimer, por exemplo, cujo preço é maior que o salário mínimo vigente. Em suma: isto exige atenção, planejamento, urgente investimento em medicina preventiva para todos. E a questão do envelhecimento demográfico com maior longevidade não pára aí.


Entre 2007 e 2050 o IBGE calculou que o nº de brasileiros com mais de 60 anos subirá em 47 milhões, enquanto a população apta a trabalhar vai crescer apenas 29 milhões. A média da população passará dos 25 atuais para 40 anos. Teremos em 2050 um idoso para duas pessoas em condições de trabalho. Nos anos 1980, para cada aposentado do INSS havia 4,8 pessoas contribuindo. Em 2005 a relação de contribuintes caiu para 2,8. Explica-se, afinal, cerca de 50% dos trabalhadores não paga a Previdência por estarem no mercado informal, vivendo de ‘bicos’, de subemprego ou mesmo desempregada. Assim, envelhecendo e sem contribuintes suficientes a Previdência vai quebrar.


A sociedade precisa se mobilizar depressa porque o tempo não pára. Para resumir: além de o país voltar a crescer e contratar com carteira assinada é também preciso movimentar para debater alternativas de inclusão e melhora de qualidade de vida. Assunto vital. Se já não bastasse o problema do efeito estufa pelo nosso maltrato a natureza, o futuro de saúde precária e sem previdência - ou outra solução afim - será ainda mais infernal.
 

José de Almeida Amaral Jr.
Economista e professor universitário em Ciências Sociais
Pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação
Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600
Colaborador do Jornal Mundo Lusíada

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