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09/MAR/2007
O Companheiro Bush
Logo após a independência entre 1776/83 os EUA passaram a revelar
sua característica geopolítica imperialista. Desde a primeira fase
do séc. XIX avançaram a colonização para o meio oeste, dizimando
os índios, e para o sul, anexando metade do México (Texas,
Arizona, Colorado, Nevada, Utah, Califórnia etc) num sangrento
massacre. Viam-se como espécie de ‘o povo eleito, civilizador’ em
meio aos bárbaros; ‘farol da democracia e da liberdade’. E este
espírito motivador é o que ainda os move em empreitadas pelo mundo
afora, nas relações com outros estados nacionais.
A invasão ao Iraque há 4 anos, fonte perversa e incontável de
vítimas civis, exemplifica como agem com aqueles que saem dos
limites máximos previstos por Washington que se põe na ‘obrigação’
de usar uma pedagogia dura, a da intervenção militar, para os
outros aprenderem ‘valores democráticos e do mercado liberal’: o
‘jeito certo’ de se pensar no mundo. Principalmente após o final
da Guerra Fria, de onde saíram vencedores contra a URSS. Por isso,
a agenda super lotada do presidente George W. Bush encontrou
espaço para duas reuniões com o Brasil, uma aqui e outra lá.
Diplomacia.
No verniz da aparência, discute-se a relação comercial agrícola, a
produção de etanol e dos biocombustíveis como saídas frente à
escassez de petróleo, fonte energética não renovável e poluente,
incluindo uma encenação de engajamento contra o aquecimento
global. O álcool brasileiro é mais competitivo que o deles, temos
possibilidade de expandir produção; eles são protecionistas,
cobram tarifas elevadas para que exportemos e ainda dão subsídios,
auxílios, aos seus produtores, coisas aliás, que também ocorrem
contra nosso algodão, laranja etc. Contudo, essas reuniões servem
mais para melhorar a deteriorada imagem de Bush na América Latina
que vive a organização de um bloco anti-EUA liderado por Hugo
Chávez, da Venezuela, contando com Argentina, Bolívia, Nicarágua
entre outros. O Brasil é um país importante nesse contexto,
geográfica, econômica e politicamente. Lula, ex-líder sindical e
personagem das lutas contra a ditadura militar durante a década de
1970, é assim adulado e seduzido pela potencia para que fique
fora, não pactue com os retrógrados ‘populistas de esquerda’.
De certa forma, não ir ao Fórum Social Mundial, cogitar punir
grevistas do serviço público, dizer que usineiros do açúcar são
heróis, gozar dos que depois dos 60 anos ainda se proclamam
esquerdistas e tratar Bush como ‘camarada’ deve significar baixo
teor de preocupação aos norte-americanos. Lula não dá para
estressá-los de fato.
José de Almeida
Amaral Jr.
Economista e professor universitário em Ciências Sociais
Pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação
Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600
Colaborador do Jornal Mundo Lusíada |