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Notas Quotidianas » José de Almeida Amaral Jr.

19/MAR/2007


Água Doce

O homem nem sempre foi grato à Natureza por tudo o que ela lhe oferece em seu dia a dia. Mas, de uns tempos para cá, principalmente após o século XVIII, com a industrialização surgindo e se espalhando pelo mundo, cada vez mais a relação entre o ser humano e o meio ambiente foi se tornando irracional, predatória e extremamente gananciosa. O aquecimento global é um desses sintomas, resultado do acúmulo de tantos gases tóxicos e desmatamento existente; o excesso de lixo para a falta de aterros sanitários é outro problema sério; caça e pesca indiscriminada leva a extinção de várias espécies e etc. Em meio a estes fatos um é bastante crítico: a questão da água, a escassez de água potável.


Apesar de o planeta ter 70% de sua superfície ocupada pela água, 97% dela é salgada e somente 3% é doce. Para complicar, desses 3% 0,01% vai para os rios, disponível para uso, sendo todo o principal para profundos subsolos, geleiras e icebergs. Por outro lado, o corpo humano tem aproximadamente 47 litros de água e precisa diariamente repor 2,5 litros ao dia. Sem beber água suficiente o ser humano desidrata e pode morrer de sede em dois dias, muito mais rápido do que de fome. E a água, tão preciosa, se encontra também ameaçada pela poluição.


A OMS apontou no final do séc. XX que 5 milhões de crianças morrem por ano nos países pobres ao consumirem água contaminada. 250 milhões de pessoas, em 26 países, já enfrentam escassez de água potável. Em 1967 um dos motivos para a guerra entre árabes e israelenses foi a água do rio Jordão. O Brasil, por sua vez, é um privilegiado: tem a maior bacia fluvial do mundo. Porém, mesmo assim, o Nordeste sofre com a seca e grandes rios na Amazônia, no Pantanal e nas regiões das grandes capitais já apresentam contaminação devido aos despejos domésticos e industriais sem tratamento, caso de nosso rio Tietê. Cada vez mais a renovação da água limpa vai se tornando difícil, dado aumento da procura e urbanização descontrolada.


Todo cidadão precisa, enfim, exigir a proteção dos mananciais e pessoalmente evitar o desperdício de água em suas casas, conferindo vazamentos em canos e torneiras. Deve-se reutilizar água para mais de um emprego. Reciclar. Na agricultura e na indústria é preciso lançar mão de técnicas alternativas de uso (60% da água na agricultura é desperdiçada) e punir severamente os que poluem. Consciência e educação do povo podem tornar mais racional e respeitável a integração do homem com seu meio ambiente.
S. Paulo, 19 de março de 07, dia de S. José.
 

José de Almeida Amaral Jr.
Economista e professor universitário em Ciências Sociais
Pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação
Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600
Colaborador do Jornal Mundo Lusíada

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