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Notas Quotidianas » José de Almeida Amaral Jr.

05/ABR/2007


A Educação na Cratera

Há dez anos venho sentindo em minha experiência docente no nível superior uma gradativa perda de qualidade relativa à bagagem trazida do ensino médio pelos calouros. Já ouvi aluno perguntando onde fica o Egito, de que forma lêem-se os algarismos romanos, fora inúmeros erros grotescos de escrita, entre outras bárbaras coisas mais e que não eram piadas. Dias atrás as minhas sensações – que são compartilhadas por muitos colegas - foram explicitadas por pesquisas: vivemos um autêntico caos no ensino deste país. Uma infâmia generalizada, reveladora do descaso dos nossos ilustres administradores nos últimos tempos.


Para se ter uma idéia do escândalo a UNESCO revelou que nos recentes 25 anos o combate ao analfabetismo no Brasil foi ultrapassado por boa parte dos países sul-americanos, bem como por China, Indonésia e Malásia, entre outras nações. Para o importante órgão da ONU faltou empenho político de nossas autoridades para eliminar o problema por aqui, que em 2005 ainda registrava 11% de iletrados e com o Nordeste tendo o maior percentual de analfabetos entre 15 e 60 anos, isto é, 17%. Tais dados não ficam bem, especialmente num competitivo mundo globalizado. Mas, infelizmente, não param por aí. Logo a seguir o MEC publicou as avaliações bi-anuais do SAEB demonstrando os mais baixos índices de conhecimento para alunos da 8ª série fundamental e da 3ª série do ensino médio desde que foi aplicado o primeiro teste em 1995. São Paulo, o mais rico participante da federação, foi o pior estado nas 8ª séries. E tinha outra: ao mesmo tempo saiu a avaliação do ENEM, exame anual para o ensino médio.

 

O que se constatou foi a educação paulistana caindo numa cratera: nenhuma escola estadual na cidade teve 50% de acerto! Parece que a progressão continuada, implantada na gestão de Mário Covas em 97 e gerenciada pelos tucanos até agora, produz alunos sem competência para entrar no nível médio. Ao chegarem lá não estão capacitados para desempenharem os requisitos essenciais. São fracos nas escritas, leituras e interpretação de textos, assim como no raciocínio da matemática. Que tipo de sociedade é essa que construímos com o semi-analfabetismo de nossa juventude? Desta maneira nossa elite pretende guiar o país a ascensão entre as nações mais desenvolvidas social e cientificamente?


É mais que hora dos responsáveis pelas políticas em educação pararem com desculpas, acusações a terceiros e arregaçar as mangas, se debruçando sobre tão essencial trabalho para o país. O futuro revela-se bastante preocupante.

 

José de Almeida Amaral Jr.
Economista e professor universitário em Ciências Sociais
Pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação
Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600
Colaborador do Jornal Mundo Lusíada

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