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02/FEV/2007
O Inferno está aqui?
Rovaniemi, cidade do Papai Noel na Lapônia, neste momento deveria
estar branca de neve, cravando por volta dos tradicionais – 20*C.
Mas, o Natal passou, chegou 2007 e o frio finlandês falhou. Nada
de passeios a trenós e esquis como antes, frustrando os negócios
locais. Algo acontece. E não circunscrito à região habitada pelo
‘Bom Velhinho’.
No Reino Unido, medições iniciadas em 1659 estabeleceram que 2006
ficou como o 6-* ano mais quente conhecido e de 1994 para cá se
seguem os 10 mais abrasadores já computados. Recordista até aqui é
1998. Então, flores desabrocham ainda em pleno inverno. Ursos
polares correm risco de extinção. Aves mudam suas rotas de
migrações. Incêndios se multiplicam nos períodos de calor etc.
No hemisfério sul mais problemas. Conforme o INPE, no Brasil o
clima também dá sinais de elevação da temperatura média, que já é
alta. Em 50 anos o país esquentou próximo a 1 *C. A Amazônia, até
o final do século, pode subir 3 *C a média. Teme-se por ampliação
da aridez no Nordeste. No Pacífico há 8 anos algumas ilhas
submergiram. No delta do Ganges a ilha de Lohachara também sumiu.
Danos para a fauna e flora.
A revista Science relatou estudo que indica pelo degelo polar uma
elevação do nível do mar entre 50 cm e 1.4 m até 2100. Pesquisa da
ONU feita por 2500 especialistas durante 5 anos (Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - IPCC) alerta que a
concentração de gases na atmosfera é a maior em 650 mil anos. As
emissões de gás carbônico reduzem a densidade da camada mais
externa da atmosfera. Poluição espacial. Realizamos queimadas,
derrubadas de florestas, agredimos rios e mares com tóxicos,
enterramos no solo química pesada sem tratamento adequado, sujamos
o planeta em nome do ‘progresso’. E o custo disso tudo?
A Terra tem 4,5 bilhões de anos e, como organismo vivo, Gaia,
permanece em transformações constantes. Contudo, elas normalmente
se dão em lenta marcha, onde os cenários são forjados com o passar
de milhares de anos. Porém, a presença humana e, mais
especificamente, o modelo de ação que usamos nos últimos 200 anos,
tem sido relacionamento brutalmente predatório e estúpido na
relação com o ecossistema. Prepotentes, achamos que nossa ciência
e tecnologia nos tornam poderosos como filhos mimados, pequenos
deuses, corrigindo quando quisermos os deslizes com a mãe
Natureza. Grave risco.
Governos e cidadãos devem urgente acordar para o fato e agir com
retidão. Espero que não precisemos implorar um mundinho novo de
presente para o sr. Noel. Ele não vai ter saúde para tanto.
José de Almeida
Amaral Jr.
Economista e professor universitário em Ciências Sociais
Pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação
Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600
Colaborador do Jornal Mundo Lusíada |