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Artigo Luso-Descendente » Adriano Costa Filho

02/ABR/2007


Literatura de Cordel


Um presente da cultura lusitana para o Brasil

A “Literatura de Cordel”, vem de Portugal, começou ai por volta do inicio do século XVII ( século 17), mesmo porque, a poesia é eterna, vem da alma dos poetas, dos declamadores, dos cancioneiros e temos notícias já do século XII (século 12), quando ainda falava-se o português arcaico, de poesias que ficaram gravadas para a posterioridade, como do poeta dessa data: João Rodrigues de Castelo Branco, que nos deixou os seguintes versos em português arcaico:

Senhora,partem tan tristes
Meus olhos por vós.meu ben
Que nunca tan tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

Como vemos, os poetas geralmente são os donos das almas, porque traduzem tudo aquilo que os sonhadores do amor pensam e levam aos corações dos namorados toda a beleza de um verso, de uma estrofe, de um soneto, de um poema e de uma poesia.


Evidentemente, a poesia sofreu uma evolução, como tudo na vida e começaram a surgir grandes poetas em quase todas as nações européias, e Portugal não podia dessa forma ficar de fora, pois que, com a riqueza da língua portuguesa que também evoluía do português arcaico para o português moderno, obra essa do imortal Luiz Vaz de Camões, o qual estruturou a nossa maravilhosa língua portuguesa e que deixou a obra insuperável dos “ Lusíadas”, começaram a surgir inúmeros poetas que vieram a enriquecer mais ainda a nossa língua.


Por volta do século XVII (século17), criou-se em Portugal a “Literatura de Cordel” porque esse nome derivou do cordel ou do barbante, em que os folhetos ficavam pendurados numa exposição aos compradores em determinados lugares apropriados e com a colonização portuguesa do Brasil, uma vez que para cá vinham além dos militares, estudantes, intelectuais, poetas, literatos e enfim uma grande gama de pessoas que adoravam a poesia, porque naqueles tempos, o que sobressaia nas noites de diversão, era o teatro, com música, canto e declamação de poesias e então os interessados procuravam esses folhetos nessas bancas e dai ficaram conhecidos como “Literatura de Cordel”.


Aqui no Brasil, mormente no Nordeste brasileiro, mantiveram-se o costume e o nome, sendo que os folhetos eram expostos à venda pendurados e presos com pregadores de roupas, em barbantes esticados entre duas estacas e fixados em caixotes, bem como, isso até hoje é praticado em muitos lugares embora hoje existam as bancas de jornais.


Todos nós hoje já vimos os famosos repentistas do norte ou do nordeste e ficamos extasiados com os versos de desafio que eles praticam, outra prática que veio de Portugal, nas famosas “ desgarradas”, em que os cantores fazem os seus desafios numa constante em estrofes.


A “Literatura de Cordel” é apaixonante e nela procura-se fazer brincadeiras, ou gozações sobre determinadas pessoas, e nelas conta-se uma história completa, chegando a ter em muitas histórias até 200 estrofes completas o que deixa o leitor muito interessado nos versos.


Como existem milhares e milhares de leituras, podemos citar algumas delas: “Novas Proezas de Bocage”, “O Grande Debate de Camões com um Sábio”, “As Astúcias de Camões”, todas elas produzidas pelo eminente autor “Arlindo Pinto de Souza”, já falecido a alguns anos, talvez o último dos “moicanos” nessa arte literária, o qual além de produzir esses livretos de Cordel de sua autoria, reproduzia de outros eminentes autores reeditando os seus “Cordeis”, portanto, a nossa homenagem a esse magnífico Arlindo Pinto de Souza, baluarte nessa arte, que hoje está sumindo aos poucos com a evolução da “Internet”, e que deveria ser ao contrário em razão da velocidade dos e-mails.


Assim sendo, mais uma vez essa beleza estrutural na poesia, veio do nosso Portugal e temos que pensar em toda essa beleza poética que a “Literatura de Cordel” nos proporciona, porque ela é a mais rica e variada forma de contar uma história e uma história em versos que de uma forma ou outra trazem para o nosso espírito uma alegria e uma boa soma de risadas, melhorando o nosso astral.
Glória, portanto, ao nosso Glorioso e Eterno Portugal.


Adriano Augusto da Costa Filho

Diretor Administrativo da Federação Paulista de Tênis.

Conselheiro Vitalício do São Paulo F.C.

Membro da Casa do Poeta de São Paulo.

Membro do Movimento Poético Nacional

Honra Meritória, da Soberana Ordem Internacional do Mérito Desportivo.

Colaborador do Jornal Mundo Lusíada

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