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Artigo Luso-Descendente » Adriano Costa Filho

03/AGO/2006

Festas, Capelas e Folclore

Os cidadãos portugueses vivem a sua terra e assumem as suas raízes de uma forma apaixonada, elevando e defendendo o nome de suas aldeias ou terras, em todas as circunstâncias e nos mais diferentes lugares e é esta alma que alimenta o que vemos hoje em terras brasileiras, o verdadeiro folclore português em todas as suas instâncias e lugares, associações e grupos folclóricos.

Partindo de sua vocação religiosa, as festas sempre acontecidas em seus rincões, e em torno de suas capelas, é uma verdadeira descrição minuciosa da paixão lusitana pela música folclórica, mesmo porque todo português trás dentro de si o traço genético da alegria, da musicalidade e da dança.

A paixão pela música, pela dança e pelo folclore que o emigrante trouxe para o Brasil, podemos apreciar não só nas casas portuguesas com seus grupos folclóricos, mas podemos hoje e há muito tempo assistir nos clubes de várzea, na periferia das cidades, onde festas religiosas, com folclore local, leilões, desfiles e romarias, tudo isso derivado dessa marca sensacional que os lusitanos trouxeram para terras brasileiras.

As festividades nas Capelas das aldeias ou vilas de Portugal remontam à idade média, a devoção aos "santos e santas" e "padroeiros e padroeiras" vem de um tempo muito remoto, quando a religiosidade estava sempre em primeiro lugar, então para comemorar as datas sagradas, faziam-se festas em torno das capelas e após as procissões haviam as músicas e danças folclóricas.

No final da idade média por volta do ano de 1500, os cultos religiosos aprofundaram-se mais ainda pela Igreja Católica que, havia sofrido a revolta protestante, então os párocos das igrejas incentivavam as festas nas capelas e dai houve o desenvolvimento das danças folclóricas, cuja palavra era derivada do termo inglês-irlandês "folklore ".

Foi em volta do altar que se formou a paróquia, sendo ela a forma primordial do nascimento de uma aldeia, geralmente em louvor à Nossa Senhora, e dai os aldeões começaram a desenvolver festividades maiores, como leilões, em prol da igreja e após os feitos religiosos acontecia música e as danças, que foram se aperfeiçoando com o decorrer dos tempos e hoje temos as maravilhas musicais que, todos nós adoramos e praticamos quando vamos às festas portuguesas e apreciamos os grupos folclóricos.

Para o cidadão aldeão ou paroquiano, a idéia chave era de que os santos podiam ter um papel preponderante como guardião das paróquias e das aldeias, dos lugares e das pessoas e então as festas caracterizavam-se sempre por um patrono, escolhido a cada festa e aí das aldeias vizinhas sempre vinham grupos folclóricos animar as festas, sempre havendo uma troca de gentilezas e então cada vez mais as festas ficavam muito bonitas e o folclore foi-se desenvolvendo cada vez mais.

Tudo isso foi trazido para terras brasileiras e hoje nós podemos desfrutar dessas todas maravilhas, mormente, no Rio de Janeiro e na cidade de São Paulo, onde um número infindável de grupos folclóricos nos trazem a alegria e a paixão que só os portugueses podem dar para todos nós.

Eu da minha parte, posso dizer algo, porque desde a minha infância sempre acompanhei os grupos folclóricos, no velho Centro Trasmontano de São Paulo, onde meu pai foi um dos fundadores, e depois no Clube Português de São Paulo, e na Casa de Portugal, Arouca São Paulo Clube, Igreja do Sumaré com o Grupo Pedro Homem de Melo, Casa de Portugal da Praia Grande, a de Campinas, Vilas de Portugal, Casa da Ilha da Madeira, dos Açores, Clube Lusitano, na Portuguesa, enfim outras casas maravilhosas espalhadas por vários locais.

A minha intenção sempre é historiar essas festas e esses grupos folclóricos, porque eles são o elo fantástico que nos traz a imagem sagrada do nosso querido e eterno PORTUGAL.


Adriano Augusto da Costa Filho

Diretor Administrativo da Federação Paulista de Tênis.

Conselheiro Vitalício do São Paulo F.C.

Membro da Casa do Poeta de São Paulo.

Membro do Movimento Poético Nacional

Honra Meritória, da Soberana Ordem Internacional do Mérito Desportivo.

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