|
03/AGO/2006
Festas, Capelas e Folclore
Os cidadãos portugueses vivem a sua
terra e assumem as suas raízes de uma forma apaixonada, elevando e
defendendo o nome de suas aldeias ou terras, em todas as
circunstâncias e nos mais diferentes lugares e é esta alma que
alimenta o que vemos hoje em terras brasileiras, o verdadeiro
folclore português em todas as suas instâncias e lugares,
associações e grupos folclóricos.
Partindo de sua vocação religiosa, as festas sempre acontecidas em
seus rincões, e em torno de suas capelas, é uma verdadeira
descrição minuciosa da paixão lusitana pela música folclórica,
mesmo porque todo português trás dentro de si o traço genético da
alegria, da musicalidade e da dança.
A paixão pela música, pela dança e pelo folclore que o emigrante
trouxe para o Brasil, podemos apreciar não só nas casas
portuguesas com seus grupos folclóricos, mas podemos hoje e há
muito tempo assistir nos clubes de várzea, na periferia das
cidades, onde festas religiosas, com folclore local, leilões,
desfiles e romarias, tudo isso derivado dessa marca sensacional
que os lusitanos trouxeram para terras brasileiras.
As festividades nas Capelas das aldeias ou vilas de Portugal
remontam à idade média, a devoção aos "santos e santas" e
"padroeiros e padroeiras" vem de um tempo muito remoto, quando a
religiosidade estava sempre em primeiro lugar, então para
comemorar as datas sagradas, faziam-se festas em torno das capelas
e após as procissões haviam as músicas e danças folclóricas.
No final da idade média por volta do ano de 1500, os cultos
religiosos aprofundaram-se mais ainda pela Igreja Católica que,
havia sofrido a revolta protestante, então os párocos das igrejas
incentivavam as festas nas capelas e dai houve o desenvolvimento
das danças folclóricas, cuja palavra era derivada do termo
inglês-irlandês "folklore ".
Foi em volta do altar que se formou a paróquia, sendo ela a forma
primordial do nascimento de uma aldeia, geralmente em louvor à
Nossa Senhora, e dai os aldeões começaram a desenvolver
festividades maiores, como leilões, em prol da igreja e após os
feitos religiosos acontecia música e as danças, que foram se
aperfeiçoando com o decorrer dos tempos e hoje temos as maravilhas
musicais que, todos nós adoramos e praticamos quando vamos às
festas portuguesas e apreciamos os grupos folclóricos.
Para o cidadão aldeão ou paroquiano, a idéia chave era de que os
santos podiam ter um papel preponderante como guardião das
paróquias e das aldeias, dos lugares e das pessoas e então as
festas caracterizavam-se sempre por um patrono, escolhido a cada
festa e aí das aldeias vizinhas sempre vinham grupos folclóricos
animar as festas, sempre havendo uma troca de gentilezas e então
cada vez mais as festas ficavam muito bonitas e o folclore foi-se
desenvolvendo cada vez mais.
Tudo isso foi trazido para terras brasileiras e hoje nós podemos
desfrutar dessas todas maravilhas, mormente, no Rio de Janeiro e
na cidade de São Paulo, onde um número infindável de grupos
folclóricos nos trazem a alegria e a paixão que só os portugueses
podem dar para todos nós.
Eu da minha parte, posso dizer algo, porque desde a minha infância
sempre acompanhei os grupos folclóricos, no velho Centro
Trasmontano de São Paulo, onde meu pai foi um dos fundadores, e
depois no Clube Português de São Paulo, e na Casa de Portugal,
Arouca São Paulo Clube, Igreja do Sumaré com o Grupo Pedro Homem
de Melo, Casa de Portugal da Praia Grande, a de Campinas, Vilas de
Portugal, Casa da Ilha da Madeira, dos Açores, Clube Lusitano, na
Portuguesa, enfim outras casas maravilhosas espalhadas por vários
locais.
A minha intenção sempre é historiar essas festas e esses grupos
folclóricos, porque eles são o elo fantástico que nos traz a
imagem sagrada do nosso querido e eterno PORTUGAL.
Adriano Augusto da Costa Filho
Diretor
Administrativo da Federação Paulista de Tênis.
Conselheiro
Vitalício do São Paulo F.C.
Membro da Casa do
Poeta de São Paulo.
Membro do Movimento
Poético Nacional
Honra Meritória, da
Soberana Ordem Internacional do Mérito Desportivo. |