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Características luso-brasileiras
Geralmente em qualquer país do mundo,
as pessoas são conhecidas pelos seus nomes originais, o que não
ocorre no Brasil e em Portugal, uma vez que, muitas vezes os nomes
ou sobrenomes são deixados de lado e os cidadãos são conhecidos
pelas alcunhas ou apelidos.
Podemos citar o que significam as
quatro palavras do título desta crônica: Nome: palavra que designa
pessoa, animal ou coisa, denominação, qualificação, título,
nomeada.
Sobrenome: nome que segue ao batismo
do nome; Alcunha: cognome por que se designa alguém, quase sempre
derivado de uma particularidade, física ou moral, e muito usada em
Portugal; Apelido: cognome, designação especial de alguma coisa,
sobrenome de família, no Brasil usado como alcunha e em Portugal
como sobrenome.
Muitas e muitas vezes nós nem sabemos
o nome da pessoa com quem falamos, mas pela alcunha ou apelido, e
as vezes ficamos surpresos com o nome original da pessoa. Essas
características são amplas, tanto na vida pessoal, como no
trabalho, nos esportes e principalmente nos jornais e na mídia em
geral.
Quando estive em Portugal, e fui
visitar a terra de minha mãe, Rio Frio/Bragança, perguntava às
pessoas se conheciam o meu avô Manoel Alipio Annes, ninguém sabia.
Mas quando lhes disse que era o tio Listras, todos o conheceram,
bem como os descendentes, os Listras, e tiveram esse apelido
porque andava com camisa listrada.
Depois fui a Carção/Vimioso, terra de
meu pai, da mesma maneira ninguém conheceu o meu avô Francisco
Manoel da Costa, mas pela alcunha Marnóia todos conheciam e aos
descendentes também. E lá me disseram que sempre as pessoas eram
conhecidas pelas alcunhas. O meu avô porque a alcunha era antiga,
e minha tia, a tia Vermelha, porque o seu cabelo era meio
vermelho, e assim por diante.
No Brasil é impressionante essa
característica, quase não existe alguém que não tenha um apelido,
e nos esportes é impressionante. Nos outros países da América do
Sul os jogadores são conhecidos pelo seu nome original, mas no
Brasil dificilmente alguém é conhecido pelo seu nome, é só
verificarmos pelos clubes profissionais: Cafú, Pelé, Zico, Ditão,
Love, Piá, Viola, Cuca, Batata, Capixaba, Fininho, Abuda, Magrão,
Baiano, Betão, e um número interminável de apelidos, bem como de
diminutivos de nomes.
Em Portugal, à exceção de pequeníssima
percentagem, todas pessoas tinham e têm a sua alcunha e na maior
parte as pessoas respondem pela alcunha e em muitos casos servem
para identificar as pessoas em geral, o que ocorre também no
Brasil pelos seus apelidos.
A seguir vamos dar algumas alcunhas
características de Portugal:
Andaleve, arrobas, beiças, badachas,
caixetas, candangas, chagas, degues, dégas, esfarrapas, farelas,
gaiteiro, girigotas, garrafinhas, mascate, mateiro, mocho,
orelhas, padreco, pencas, quadrado, rachado, remicho, sardinheiro,
tretas, vitegas, etc.
Todas as alcunhas eram dadas por
hereditariedade, palavras deturpadas ou mal pronunciadas, por
linguagem, por desempenho, por uma representação cênica, ou por
vários outros motivos, e aí então temos nomes alcunhas engraçadas,
como: Chico andaleve, o Chico tretas, tia rachada, e aí por afora.
No Brasil, os apelidos geralmente são por coisas adquiridas por
brincadeiras de amiguinhos como: Zé barata, Zé das tetas,
formigão, manelão, currupira, malhado e outros inúmeros apelidos
engraçados.
Por aí vemos que, tanto portugueses
como brasileiros, são donos dessas características de humor,
porque não acontece em outros países, ou muito raramente
acontecem, e é uma demonstração de que, nós brasileiros e
portugueses, temos enraizados em nossa mente, a beleza
incontestável do humor, da brincadeira, e da aceitação da alcunha
ou do apelido.
Adriano A. da Costa
Filho
Diretor
Administrativo da Federação Paulista de Tênis
Conselheiro
Vitalício do São Paulo F.C.
Membro da Casa do
Poeta de São Paulo
Membro do Movimento
Poético Nacional
Honra Meritória, da
Soberana Ordem Internacional do Mérito Desportivo |