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Por Hélio Bernardo Lopes


Quinta - feira | 30 JUN 10

“Mário Soares: A Homenagem”

De um modo que ninguém sério e conhecedor da História de Portugal dos séculos passado e atual deixará de concordar, a recente homenagem realizada a Mário Soares em Arcos de Valdevez foi da mais elementar justiça, levado à prática por personalidades as mais diversas, e de quadrantes políticos muito variados.

Em todo o caso, também não podem pôr-se de lado as ausências de personalidades políticas das áreas comunista e bloquista, hoje muitíssimo significativas no plano da nossa vida pública. Até prova em contrário, é minha convicção que ninguém desses setores deverá ter sido convidado. De resto, sendo tal presunção falsa ou verdadeira, a grande verdade é que tais ausências terão sempre de ser vistas com um real significado político.

E por ser esta a realidade, também a presença ali e Fernando Nobre teria sempre de ser vista com o único significado que logo todos lhe atribuíram: o de um apoio implícito à sua candidatura presidencial. Além do mais, também ninguém deu conta das presenças de Defensor Moura nem de Menezes Alves naquela sessão de homenagem a Mário Soares, sendo que qualquer deles sempre a teria apoiado, fosse com as suas presenças, fosse com as respetivas ausências.

A tudo isto, acresce o elementar bom senso político, que sempre teria de indicar a Fernando Nobre que a sua presença ali nunca deixaria de ser interpretada como realmente foi e por toda a gente que, despida de obrigações ou opções: de pronto interpretaram aquela presença do único modo possível, ou seja, como uma necessidade de apoio a uma candidatura com mui reduzida margem de credibilidade política.

Lamentavelmente, este é o tipo de iniciativa que só serve para enfraquecer a historicamente fraca candidatura de Fernando Nobre, porque a mesma acaba sempre por ser vista como constituindo um apoio implícito de Mário Soares ao médico que, em má hora, não conseguiu perceber que nunca foi visto como alguém com um passado político. E depois, porque de há muito os portugueses reprovaram a atitude e Mário Soares para com Manuel Alegre e para com o seu partido: o primeiro por ter sido o grande vencedor dentro da área socialista na anterior eleição presidencial, e o segundo por ver assim posta em causa uma decisão legítima dos seus órgãos próprios. No fundo, Mário Soares faz ao seu partido o que, de um modo correto, condena em Cavaco Silva face ao Governo e ao País: ajuda a dividir e a enfraquecer.

Hélio Bernardo Lopes

De Portugal


 

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