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De um modo que ninguém sério e
conhecedor da História de Portugal dos séculos passado e atual
deixará de concordar, a recente homenagem realizada a Mário Soares
em Arcos de Valdevez foi da mais elementar justiça, levado à
prática por personalidades as mais diversas, e de quadrantes
políticos muito variados.
Em todo o caso, também não podem pôr-se
de lado as ausências de personalidades políticas das áreas
comunista e bloquista, hoje muitíssimo significativas no plano da
nossa vida pública. Até prova em contrário, é minha convicção que
ninguém desses setores deverá ter sido convidado. De resto, sendo
tal presunção falsa ou verdadeira, a grande verdade é que tais
ausências terão sempre de ser vistas com um real significado
político.
E por ser esta a realidade, também a
presença ali e Fernando Nobre teria sempre de ser vista com o
único significado que logo todos lhe atribuíram: o de um apoio
implícito à sua candidatura presidencial. Além do mais, também
ninguém deu conta das presenças de Defensor Moura nem de Menezes
Alves naquela sessão de homenagem a Mário Soares, sendo que
qualquer deles sempre a teria apoiado, fosse com as suas
presenças, fosse com as respetivas ausências.
A tudo isto, acresce o elementar bom
senso político, que sempre teria de indicar a Fernando Nobre que a
sua presença ali nunca deixaria de ser interpretada como realmente
foi e por toda a gente que, despida de obrigações ou opções: de
pronto interpretaram aquela presença do único modo possível, ou
seja, como uma necessidade de apoio a uma candidatura com mui
reduzida margem de credibilidade política.
Lamentavelmente, este é o tipo de
iniciativa que só serve para enfraquecer a historicamente fraca
candidatura de Fernando Nobre, porque a mesma acaba sempre por ser
vista como constituindo um apoio implícito de Mário Soares ao
médico que, em má hora, não conseguiu perceber que nunca foi visto
como alguém com um passado político. E depois, porque de há muito
os portugueses reprovaram a atitude e Mário Soares para com Manuel
Alegre e para com o seu partido: o primeiro por ter sido o grande
vencedor dentro da área socialista na anterior eleição
presidencial, e o segundo por ver assim posta em causa uma decisão
legítima dos seus órgãos próprios. No fundo, Mário Soares faz ao
seu partido o que, de um modo correto, condena em Cavaco Silva
face ao Governo e ao País: ajuda a dividir e a enfraquecer.
Hélio Bernardo Lopes
De Portugal
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