>> OPINIÃO ARTIGOS

 

 

AUMENTAR FONTE

F

F

F

F

Por Gaspar Nunes


Sexta-feira | 25 JUN 10

Uma luta fraterna sem vencidos nem vencedores

A batalha de Durban não passou de um ensaio para as oitavas

Aí está, meus amigos, foi hoje disputada no Estádio Moses Mabhida, em Durban, a partida do Grupo G do Mundial 2010, entre os times representativos de dois países irmãos, Portugal 0 x 0 Brasil, onde, apesar da rivalidade inevitável – porém, a meu ver, saudável –, o resultado final estampado no placar não é o que tem mais importância mas sim o respeito que ambos os contendores tiveram entre si dando ao mundo uma verdadeira lição do que é, em sua essência, esse esporte chamado FUTEBOL que, afinal de contas, ficou altamente prestigiado. Já se presumia que o jogo em causa era praticamente um jogo de mera exibição, um ensaio, visto que, por seus próprios méritos, ambos já estavam virtualmente qualificados para as oitavas de final. Assim, parabéns para o Brasil e, da mesma forma, parabéns para Portugal, países lusófonos que, além de unidos pela língua de Camões, também são unidos pela sua própria História desde o ano de 1500 quando Cabral desembarcou em Porto Seguro e, certamente que continuarão ligados “ad aeternum” por esses laços fraternos. Por isso, a razão do título desta crônica fica, destarte, plenamente justificado. Aliás, seria uma balela alegar que não existe rivalidade entre irmão contendores, pelo menos na hora da contenda. Depois, tudo passa ...

Muito bem, mas vamos ao jogo?! ... Então, vamos lá! ... Na verdade, foi um jogo disputado de igual para igual onde Portugal entrou com um sistema de jogo onde o técnico Carlos Queiroz demonstrou uma perspicácia notável armando o seu time de forma a se tornar um antídoto ao “veneno” do esquema armado pelo técnico Dunga. ... E funcionou perfeitamente!

De fato, apesar da iniciativa de jogo tomada no início do primeiro tempo da partida, o time do Brasil acabou ficando travado no meio de campo e o time de Portugal ficou bem posicionado na sua metade do terreno de jogo na expectativa de armar contra-ataques perigosos na tentativa de surpreender o adversário. E, oportunidades houve (poucas) para ambos os lados mas foram frustradas pelos goleiros respectivos com suas excelentes intervenções, acabando com qualquer veleidade dos atacantes no desenvolvimento e objetivo dos seus esforços.

Depois, no segundo tempo, foi notória a atitude dos brasileiros em jogar com o regulamento na cabeça (e nos pés), fazendo o tempo passar, pois o “seguro morreu de velho”, o que foi aceito pelos portugueses embora, matreiramente, sempre de olho em alguma chance de um contra-ataque bem sucedido. Inclusive, a meu ver, nesse jogo, não houve nenhum jogador merecedor de destaque.

Entretanto, destaque-se que não se tratou de um “jogo de compadres” visto que ocorreram algumas jogadas faltosas, um tanto fortes, punidas com cartão amarelo porém nada que ultrapassa-se as raias da lealdade entre os contendores, excetuando-se, nesse caso o comportamento do Felipe Melo que o Dunga achou por bem retirar de campo ainda antes do intervalo do jogo, substituindo-o, antes que ocorre-se a sua expulsão visto esta estar eminente.

Por fim, acabado o calor da luta, a rivalidade se esvaneceu. Era tudo sorrisos e abraços numa comunhão confraternizadora, altamente louvável, entre todos os jogadores presentes.

Agora, vamos disputar as oitavas com a esperança de nos encontramos numa final lusófona. Será?

Por fim, manifestemos o nosso apoio à nossa Seleção, em uníssono: Portugal!!! Portugal!!! ...

Gaspar Nunes

Rio de Janeiro


 

© 2003-2008 Jornal Mundo Lusíada - Todos os direitos reservados.

Artigos assinados não exprimem propriamente a opinião do Mundo Lusíada Online.
Colunas e textos de opinião com assinatura são de responsabilidade de seus autores.