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Em 2005 o Governo assumiu um compromisso
com os portugueses residentes no estrangeiro que consiste em
garantir o exercício dos direitos de cidadania em plano de
igualdade com os demais cidadãos residentes em Portugal, definindo
um novo enquadramento da responsabilidade político-institucional
em matéria de ligação às comunidades.
Cinco anos volvidos parece oportuno
registar as reformas que simbolizam a mudança então anunciada e
deram corpo à necessidade de executar políticas consistentes com
esse propósito.
Modernizaram-se os postos da rede
consular facilitando-se, substancialmente, a relação dos cidadãos
da Diáspora com a Administração Pública, permitindo qualidade nos
serviços prestados e agilidade na obtenção da mais diversa
documentação.
Hoje não há, salvaguardadas as realidades respectivas, diferenças
de tratamento entre os portugueses residentes e não residentes.
Portugal foi e é pioneiro na dotação de novos meios tecnológicos
nas estruturas diplomáticas colocadas ao serviço dos seus
nacionais.
A criação do Consulado Virtual é um
avanço significativo, em paralelo com a introdução do “cartão do
cidadão” cujas capacidades electrónicas de certificação do utente
vem potenciar a simplicidade de relação, via Web, com a rede
consular.
A par com muitas outras realizações
programáticas deu-se corpo a uma nova e mais responsabilizante
relação com aqueles que um dia tiveram que procurar, no
estrangeiro, melhores condições de realização. Era um dever
fazê-lo em nome da memória desse passado que levou gerações
inteiras para fora do país.
De igual modo houve um forte
investimento no acompanhamento das necessidades e preocupações nos
mais diversos domínios, desenvolvendo intensos programas de
relacionamento bilateral com os países de acolhimento, promovendo
ou actualizando acordos bilaterais.
Atribuíram-se ainda novas missões de
diplomacia ao nível da respectiva área consular, reforçando, por
essa via, as relações com as autoridades regionais em cada país.
Subsiste, contudo, um deficit na mobilização para uma maior
interacção na economia.
Na sua relação com a Diáspora o país tem
desperdiçado o enorme potencial que reside na incomensurável
riqueza de relações económicas por estabelecer e tem vivido
apegado a uma muito constante ligação ao “mercado da saudade”.
Independentemente de outros caminhos que possam ser percorridos,
parece oportuno reinterpretar as emoções que a saudade anuncia e
trazer, à economia nacional, essa realidade tangível que constitui
o universo de mais de 120 mil empresários portugueses e
luso-descendentes que são actores do desenvolvimento nos mais
distintos países de acolhimento.
A complexidade da construção da União
Europeia, onde Portugal se insere, associada à mais grave crise
financeira mundial de que há memória, nos tempos modernos, traz
desafios permanentes que apelam à mobilização de molde a recriar
instrumentos de maior proximidade entre todos os cidadãos para que
o Estado possa consolidar-se como factor de construção social.
O desafio está lançado através da
criação da primeira política pública dirigida aos empresários da
Diáspora – NetInvest - proporcionando todas as capacidades da rede
diplomática e consular na ajuda ao estabelecimento de uma “via
verde” no acesso à melhor informação para o investimento e
parcerias com empresas e empresários portugueses.
A política para a língua,
designadamente, no que respeita à preservação e ensino junto das
Comunidades, constitui um imperativo de referência nacional,
enquanto elemento estruturante de vinculação à cultura de origem.
Cumpri-lo, muito mais do que um desafio, é uma oportunidade para
maior afirmação e reconhecimento face a importantes transformações
internacionais, fruto das dinâmicas da globalização, do surgimento
de novas condições do seu valor, económico e cultural, e do
reconhecimento da língua portuguesa já como vector de
desenvolvimento em todos os oito países em que é falado.
A crescente integração nos curricula dos
sistemas educativos dos países de acolhimento ou outros, com quem
Portugal mantém relações bilaterais, são sinais relevantes que
importa acompanhar e estruturar, para além de outras experiências
com origem no seio da própria comunidade, sem descair da rede de
Ensino Português no Estrangeiro cuja ambição é corresponder à
procura.
Celebrar o dia de Portugal de Camões e
das Comunidades Portuguesas, vale igualmente pela identificação de
valores fundantes na relação com o país. A valorização da língua,
para além de honrar o património linguístico comum aos falantes,
na pluralidade das suas expressões culturais, contribui para
prestigiar os portugueses espalhados pelo Mundo.
Dr. António Braga
Secretário de Estado das Comunidades
Portuguesas, por ocasião do “Dia de Portugal de Camões e das
Comunidades Portuguesas 2010”.
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