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Portugal encontra-se hoje numa situação
deveras singular, porque tudo o que o Governo de José Sócrates
possa decidir, de imediato é alvo de mil e uma críticas e ataques.
Invariavelmente, por razões completamente antagónicas entre si e
pelos diversos partidos da atual oposição.
Como pude já escrever por vezes
diversas, não devem os meus leitores imaginar que me dou por
contente com a orientação política do Primeiro-Ministro, José
Sócrates, porque lhe encontro mui desagradáveis erros, até de
fundo. Em todo o caso, estou firmemente convicto – basta estar
atento ao que se diz – que um Governo de Pedro Passos Coelho seria
ainda pior, sobretudo, para os que se queixam dos custos sociais
da política do atual Governo. Isso mesmo – finalmente!! – foi há
dias referido por Jerónimo de Sousa, num encontro que teve com
militantes do seu partido.
Mas vamos lá por partes, como usa
dizer-se. Qualquer português atento ao que se passa no Portugal de
hoje facilmente percebe que, mau grado a correção das palavras do
Presidente Cavaco Silva, sobre o imperativo de se fazer férias cá
dentro, nenhum português determinará a estrutura das mesmas em
função daquelas palavras. Em contrapartida, e à semelhança do erro
já cometido com o discurso de Ano Novo, aquelas palavras,
sobretudo num tempo em que tudo se sabe em poucas horas, poderiam,
porventura, criar o que designo aqui por ações reflexas: se todos
procederem assim – quase todos estão em situação financeira e
económica difícil –, simplesmente se criaria uma estagnação por
todo o sistema económico-financeiro internacional.
Algo inacreditavelmente, os nossos
grandes meios de comunicação social de pronto se deitaram a criar
uma espécie de nova guerra entre Cavaco Silva e Vieira da Silva,
como se ambos não tenham razão, sendo que a afirmação do primeiro
foi claramente inútil, com a segunda a colocar-se numa posição
previsivelmente apontável como de guerrilha. Enfim, intervenções
inúteis e inoportunas.
A tudo isto há que juntar o caso da
extinção das escolas com menos de vinte e um alunos. Claro está
que esta decisão não pode ser avaliada na sua amplitude em função
apenas deste objetivo, sendo que a mesma pode muitíssimo bem vir a
revelar-se correta, mesmo eficaz, desde que um conjunto não muito
vasto de condições seja preenchido. Condições que foram já
apontadas por atores diversos do domínio em causa. O que já é
inaceitável é considerar-se incorreto o que se desconhece, porque
o prosseguimento desta maneira de fazer política atingiu já um
efeito de descrédito sobre o próprio mecanismo democrático: os
portugueses começam a mostrar-se cansados com o modo como se está
fazer política em Portugal, mormente com os cabalmente previsíveis
ataques ao Primeiro-Ministro, José Sócrates, e ao seu Governo.
Tudo é anunciadamente mau e errado, ao menos pela voz dos
dirigentes dos partidos da oposição.
Por fim, o já célebre caso da passagem
do 8º Ano para o 10º Ano, destinado a ser aplicado a alunos em
determinadas condições.
Claramente, e tal como pôde já observar
Jorge Miranda, com o seu torcer de nariz, nada existirá de
inconstitucional em tal ideia. Mais lógica é a sua dúvida sobre a
qualidade do exame previsto, que terá, nos termos do que se tem
visto, uma probabilidade elevada de se apresentar como pouco
exigente e garantístico da qualidade de quem a ele se submeta. E
também a crítica de Jorge Bacelar Gouveia, sobre a vantagem – e a
lógica – de um ensino presencial, por via do qual o diálogo entre
professor e aluno sempre se poderá mostrar de grande valor e
projeção na vida e na atitude futura do segundo.
Como se vê, pelos exemplos antes
referidos, e por mil e um outros que todos já conhecem à
saciedade, o modo atual da oposição fazer política é o de
simplesmente criticar sem olhar a quê. Tudo é mau e se saldará em
desastre, mesmo antes de se verem os seus efeitos. É uma prática
política que nos irá obrigar a pagar um preço bem mais elevado do
que o que estamos já a pagar.
Hélio Bernardo Lopes
De Portugal
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