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Por José Verdasca dos Santos


Terça-feira | 08 JUN 10

“Camões e o Velho do Restelo”

(Por ocasião do DIA de PORTUGAL, no 430° aniversário do passamento do PATRIOTA Luís de Camões)

Personagem criada pela inteligência e ou imaginação criadora do grande português que foi Luís Vaz de Camões, o simbolismo do Velho do Restelo vem sendo adulterado e confundido com um pessimismo derrotista, quando - "o velho de aspecto venerando", de brancas e respeitáveis barbas - só poderia representar "o saber de experiência feito", a sensatez de quem muito viveu e sofreu, a prudência de quem muita desgraça presenciou, o conhecimento do mar salgado e de "quanto do teu sal são lágrimas de Portugal", enfim, para justificar e ou encobrir um "otimismo" precipitado, irresponsável, ousado e por vezes criminoso, tenta-se desacreditar os sábios conselhos, os patrióticos alertas, os corajosos avisos daqueles que - nos últimos anos - tentaram DESVIAR Portugal, a União Européia e o mundo, das utopias, loucuras e "alucinações", que enxergavam riqueza fictícia, ganhos puramente "contábeis" e desonestos, lucros mirabolantes e artificiais que conduziram as Nações à beira do precipício, o que, aliás, ocorreu um pouco por todo o mundo, a empurrar os inocentes - mais fracos, mais humildes e mais pobres - para o desemprego, a fome e a miséria, enquanto os responsáveis por tais desatinos - que se recusaram a ouvir os avisos, alertas e conselhos dos muitos e sábios Velhos do Restelo como Medina Carreira e outros - pululam por São Bento, por Strasburgo, por Bruxelas, por Nova Iorque e outros paraíso mundiais, esbanjando o produto do trabalho daqueles, uso de escandalosas sinecuras, pagas com o sangue, suor e lágrimas das vítimas de sempre.

Que por ocasião destas celebrações do DIA da PÁTRIA, de CAMÕES e das COMUNIDADES PORTUGUESAS pelo mundo espalhadas, os poderes da República e TODA a NAÇÃO PORTUGUESA se compenetrem que não mais podem adiar as mudanças que conduzam a uma equilibrada justiça social, a uma sociedade em que todos sejam iguais perante a lei, ONDE A CONSTITUIÇÃO ESTIPULE UM SALÁRIO MÍNIMO E UM SALÁRIO MÁXIMO, quando este NÃO ultrapasse , digamos, D E Z D A Q U E L E S, TENDO EM VISTA QUE OS TRABALHADORES QUE MENOS RECEBEM SÃO QUEM PRODUZ E PAGA AQUELES QUE MAIS USOFRUEM, A CONTRARIAR E INFRINGIR A LEI DA IGUALDADE DE ARISTÓTELES, segundo a qual "o princípio da igualdade consiste em tratar DESIGUALMENTE os seres DESIGUAIS na medida em que se DESIGUALEM", CONCEITO HOJE INVERTIDO E ADULTERADO, NESTE MUNDO ONDE OS PODEROSOS ESTABELECEM SEUS PRÓPRIOS GANHOS, SUAS ESPECÍFICAS MORDOMIAS, SUAS EXCLUSIVAS REGALIAS, SUAS ESPECIAIS E VERGONHOSAS APOSENTADORIAS !!!!

Luís Vaz de Camões nasceu num Portugal opulento e poderoso em 1524-25, e veio a falecer em 1580 (morro com a Pátria), aquando da perda da independência política para os espanhóis, após o que os três Filipe foram - por sessenta anos consecutivos - reis de Espanha e reis de Portugal, conseqüência de não terem sido escutados os apelos dos Velhos do Restelo que aconselhavam D. Sebastião a não se aventurar pelo Norte de África, a não abandonar Portugal, onde a terra e o homem poderiam produzir para viver, para subsistir, até mesmo para exportar, ABANDONO AGORA MAIS UMA VEZ REPETIDO, com a destruição da agricultura de subsistência, da produção local e regional, com o DESESTÍMULO ao trabalho através do subsídio À NÃO PRODUÇÃO, AO ABANDONO da TERRA, ao ARRANQUE de VINHAS e OLIVAIS, ao ABANDONO da CRIAÇÃO de ANIMAIS DOMÉSTICOS e mesmo proibição de abate, aos ENTRAVES à PESCA, ou seja, com o desestímulo e destruição dos tradicionais meios de produção, incentivando a preguiça e a vagabundagem, NA BURRA E VÃ ESPERANÇA DE QUE A U N I Ã O E U R O P E I A - MIRACULOSAMENTE - A TODOS ALIMENTARIA, TUDO SUBSIDIARIA, TUDO RESOLVERIA !!!!!!!!!

Parafraseando o poema de Carlos Drumont de Andrade "E AGORA J O S É ?", diremos nós: E agora, políticos, agora que a ilusão desabou; agora, que a esperança ruiu ; agora que o desemprego chegou ; agora que o dinheiro acabou; agora, que a produção é insuficiente, pois importamos 80% daquilo que consumimos; agora, que a União Europeia já não está disposta a SUSTENTAR-NOS, até porque NÃO PODE, até porque já NÃO É ASSIM TÃO UNIDA COMO PENSÁVAMOS, TÃO RICA COMO IMAGINÁVAMOS, TÃO PRÓSPERA COMO SONHÁVAMOS, tão......, tão......, tão......, tão..... Antes pelo contrário, o sonho virou pesadelo, ATÉ PORQUE NÃO APENAS N Ã O AUMENTOU A RIQUEZA, COMO - AO CONTRÁRIO - DUPLICOU A DESPESAS - COM A CRIAÇÃO DE PRESIDÊNCIAS, GOVERNOS, PARLAMENTOS, ASSESSORIAS, MORDOMIAS, REGALIAS, APOSENTADORIAS, PATIFARIAS E OUTRAS IAS QUE FACULTAM A TODOS(AS) AS(OS) BENEFICIADOS - QUE SÃO MAIS QUE MUITAS(OS) - IDAS E VINDAS EM PRIMEIRA CLASSE, RESIDÊNCIAS EM Paris nos fins de semana e em Lisboa nos outros dias; hotéis em Bruxelas, Estrasburgo e em toda a parte e ajudas de custo com arte; viagens pelo mundo sem critério e sem controle, em jatos, jatinhos e jatões - aos figurões - NUMA ALTURA EM QUE - COMO EM 1580 - AS REMEÇAS DOS E-IMIGRANTES - SÓ POR SI - NÃO BASTAM PARA COBRIR O DEFICIT, PARA SUSTENTAR QUEM NÃO PRODUZ, PARA PAGAR APANIGUADOS, DEPUTADOS, ASSESSORES, CONSULTORES, SEGURANÇAS, COMILANÇAS, PROTEGIDOS, FAMILIARES E AFINS.

Em 1580 foram os espanhóis que à porta nos bateram; hoje somos regidos por Bruxelas, logo mais pelo FMI, mas, principalmente, pelos agiotas internacionais, aos quais AINDA querem pedir mais, para TGVs que muito prejuízo darão, para auto-estradas que vazias ficarão, para mais aeroportos (só em volta de Lisboa temos Portela, Montijo, Alverca, Sintra, Estoril) onde aviões talvez nem voarão. MAS - QUEM SABE - EU NÃO SEREI MAIS UM VELHO DO RESTELO ???

José Verdasca dos Santos


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