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“A música pode fazer pela alma,
o que nenhuma atividade
perceptível aos sentidos
pode realizar.”
(El Morya)
A todos que acompanharam o concerto
regido pelo maestro António Costa, em 2008, e recentemente, sua
nova regência da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos com um
novo programa de compositores portugueses, percebeu o quanto este
regente português cresceu em qualidade e competência.
Formado pelo consagrado Conservatório
Nacional de Lisboa, Costa vem da freguesia de Alvarenga, cravada
nos arredores da Serra da Canela, onde está a Vila de Arouca com
seus vinte e cinco mil habitantes. Se em 2008 nos brindou com a
Sinfonia n.1 de Luis Freitas Branco, compositor português
desconhecido entre nós, este ano novos compositores lusitanos nos
foram apresentados através de sua competente direção.
Para uma platéia de mais de oitocentas
pessoas, tivemos o privilégio de tomar contato com as obras de
Alfredo Keil, João Domingos Bomtempo e João de Souza Carvalho. Só
tem sentido o irmanamento entre duas cidades, se de qualquer forma
se estabelecerem troca de informações e experiências, quer seja no
campo cultural, científico, econômico ou político. Das mais de
vinte cidades espalhadas pelo mundo, com as quais Santos mantém
tal vínculo de irmanação, é apenas com a Vila de Arouca que
anualmente se consagra o aniversário dessa geminação.
Escolhido o campo cultural como ponte
dessa estreita ligação, nossa cidade a cada dois anos toma
conhecimento da produção musical portuguesa, bem como, a Vila de
Arouca, no mesmo espaço de tempo, recebe a musica brasileira
através de seus mais renomados compositores. E devemos esse
trabalho aos maestros Luis Gustavo Petri e António Costa, que se
esmeram em apresentar nas duas cidades, programas de elevada
qualidade. Devemos muito também, ao incansável trabalho do
arouquense Ernesto Vieira, entre nós há mais de cinqüenta anos,
que já está trabalhando para que, no próximo ano, não apenas o
nosso regente Guga vá à Vila de Arouca reger um programa de
autores brasileiros, mas também, que o nosso Quarteto de Cordas
Martins Fontes possa participar dessa programação.
Aumentar essa troca de informações é
necessário. Além da orquestra que o maestro Petri regerá em
Portugal, e do nosso Quarteto, deveremos ter a participação do
coral da Vila de Arouca, entoando as composições brasileiras
escolhidas pelo nosso maestro. Com isso vamos firmando no tempo
esta geminação, que alem do plano cultural, pode avançar no plano
científico através de um programa em estudos, que visa o
intercâmbio entre alunos de universidades santistas, e estudantes
da Vila de Arouca.
Com tal avanço, ganham as duas
comunidades aos estreitarem os laços entre dois povos irmãos.
Parabéns ao Maestro António Costa por seu belo concerto,
principalmente pelo repertório selecionado. Nós, santistas lhe
somos muito gratos.
Carlos Pinto
Jornalista
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