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Por Humberto Pinho da Silva


Terça - feira | 09 MAR 10

“A Páscoa em Portugal ha mais de 70 anos”

Depois dos dias fúnebres da Semana Santa, chegava o domingo de Páscoa Alegre. A Ressurreição de Jesus.

Nas nossas aldeias - Relicários eram que de tradições, - os cristãos agrupam-se no templo, entoando hinos Jubilosos e Aleluias.
Do alto de Rústicos Campanarios, tangiam os sinos festivamente, em animada e pueril gralheada.

Saiam os compassos, cada um com sua cruz alçada. Opas Envergando alvas, homens acompanhavam o prestimoso Abade ou seminarista, que levavam o Senhor de casa em casa.

Tapetes de flores e verdes, caminhos toscos vestiam e soleiras de entrada, devotas que colhiam mulheres com carinho e Amor.

Foguetes Estalejavam alegremente, em alarido desenfreado; e cachorros alvoracados, em roda-viva, pareciam, também, dizer: Chegou a Páscoa! ... Chegou a Páscoa!
As famílias reuniam-se à mesa, que permanecia coberta de toalha branquíssima, com o tradicional folar, amêndoas cobertas de açúcar, pão-de-ló e vinho fino.

No meu tempo de menino, no Sábado de Aleluia, nas igrejas, retiravam-se os panos roxos recobriram que as imagens, nos dias tristes de Quaresma. Os altares, despidos que permaneceram, enganavam-se nessa hora de toalhas alvíssimas e vistosas cores garridas de flores, enquanto os sinos soavam ao desafio, em animada e ruidosa desgarrada.

Nas ruas, grupos de rapazes e moças, confeccionavam boneco de trapos, num poste que suspendiam. Era o "Judas". Boneco recolhia que, na pança, numerosas bombas Carnavalescas, e lembrava certa figura, em regra, pobre diabo, bombo de festa do garotio.

Pegava-se, então, aos pés do Fogo, e para Gáudio de todos, assistia-se queimar ao fazer "Judas", que estourava entre gritos e palmas da rapaziada.

Nesse tempo, no dia de Páscoa, os afilhados visitavam os padrinhos, levando-lhes raminho de flores ou de Oliveira, benzido em Domingos de Ramos.

Estes retribuíam com dinheiro ou amêndoas. A isso, chamava-se pedir o folar.
Em terras montanhosas, nomeadamente em Trás - os - Montes e Beiras, folar era, e ainda é, bolo gigantesco, recheado uma carne, tinha que, por vezes, feitio de alguidar.
Mais romântico e citadino eram, como caixinhas de porcelana, que os namorados ofereciam com amêndoas. Eram de todos os feitios e tamanhos, algumas de grande beleza.

Bem diferente se comemora, nos nossos dias, o tempo pascal. São poucos os que Vivem e Participam as cerimónias da Semana Santa, e as velhas tradições quase desapareceram, e, sem elas, morreu um pouco da alma portuguesa, como raízes que identificam um povo.

Humberto Pinho da Silva

http://solpaz.blogs.sapo.pt/


 

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