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A Grécia, país da zona monetária Euro,
encontra-se às portas da Bancarrota. Segundo a imprensa alemã, há
grande preocupação e nervosismo por trás dos bastidores da União
Europeia (EU). Esta vê-se obrigada a elaborar cenários de
salvação, todos eles muito complicados porque as dívidas de cada
país estão distribuídas por toda a Europa. Segundo o tratado de
Lisboa nenhum país europeu pode responsabilizar-se pelas dívidas
do outro. Uma nova crise financeira não seria aceite pelos
cidadãos.
GRÉCIA SUJEITA AO DITADO DA EU POR
DOIS ANOS
Para que a Grécia não vá à falência a EU receitou-lhe pílulas
muito amargas. Passa a ser obrigada a reduzir os ordenados dos
funcionários públicos entre 4 e 6% e a ter um stop de contratos de
pessoal público durante um ano; terá também que criar novos
impostos sobre imobiliário; 10% das despesas orçamentais planeadas
têm que ser guardadas numa reserva de segurança; tem que modificar
o sistema de saúde; tem que reformar o sistema de reformas da
função pública dado os respectivos funcionários receberem uma
reforma quase tão alta como o vencimento no tempo de activos; tem
de criar um imposto especial acrescido de 7 cêntimos sobre todos
os combustíveis.
Assim a EU administra indirectamente por
dois anos o orçamento de estado grego tendo como objectivo de
reduzir o défice do Estado de 12,7% para 2,8% até 2012. Se a EU
não constatar progresso a Grécia terá de pagar uma multa de 0,5%
do PIB.
PAÍSES QUE CAUSAM DORES DE CABECA À
EUROPA RICA
Estados que causam grande preocupação e dores de cabeça à EU, para
além da Grécia com 113% de dívidas do Estado em relação ao PIB
anual nacional, são, a Espanha com 54%, Portugal com 77%, a
Islândia com 118%, a Itália com 115%, Letónia com 33%, Ucrânia com
85%.
Há países com grandes dívidas, mas não
causam tanta preocupação, como no caso da Itália, porque muitos
dos seus débitos são internos e possuírem grande capacidade
económica nacional, não estando tão dependentes do estrangeiro,
como outros estados com menos percentagem de dívidas mas com pouca
produção nacional.
Representantes de estados europeus
pensam que a melhor solução será entrarem como fiadores. Querem
resolver o problema rapidamente para que os mercados financeiros
internacionais não comecem já a especular qual será o próximo
candidato à falência. Um país sem crédito tem de pagar altos juros
ao estrangeiro e com o aumento dos juros sobem as dívidas do país.
Este é também o grande problema dos países do terceiro mundo.
A Irlanda, que não pertencia ao Euro,
pôde desvalorizar a sua moeda e deste modo estimular as
exportações.
Com a crise, a Grécia teve que passar a
pagar mais 2,29 % de juros ao estrangeiro do que os alemães. É o
preço da credibilidade do país. A Grécia gasta um terço do
orçamento de Estado para pagar os juros. É o país mais fraco da
zona Euro com 300 biliões de € de dívidas. Tem uma nova dívida de
13% quando a EU só permite um máximo de 3% do PBI. Sem medidas
drásticas, de aperto do sinto dos cidadãos e dos funcionários,
chega-se ao momento em que o país se encontra falido, não olhando
então a medidas para alcançar o crédito e a honra perdida a nível
internacional, tal como aconteceu em Portugal em 1928, vendo-se o
país então obrigado a chamar Salazar para tirar o país da
falência.
O problema é que se a Grécia cair também
caem a Espanha e Portugal. Este é o grande receio dos países
fortes. A EU não pode ajudar directamente a Grécia, doutro modo,
logo, a Espanha e a Irlanda pederiam o apoio de Bruxelas. Além do
mais, uma ajuda externa significaria um apoio à indolência dum
país que não precisaria de se esforçar! Por outro lado a EU não se
pode permitir uma intervenção drástica na soberania dum estado
como a Grécia numa fase em que a EU ainda não se encontra
consolidada. Deixar a Grécia dependente dos empréstimos da IWF
implicaria uma cura radical mas por outro lado a sua ingerência
num país de EU.
O Banco Central Europeu encontra-se em
apuros. Os seus donos são, entre outros, Portugal com 1,75 do
capital, a Alemanha com 18,94%, a Inglaterra com 14,52%, a França
com 14,22%, a Itália com 12,5%, a Áustria com 1,94%, a Grécia com
1,96%, a Espanha com 8,3%, a Dinamarca com 1,48%, a Suécia com
2,22%, a Polónia com 4,9%, a Hungria com 1,39%, a Roménia com
2,46% (cf. EZB/2009).
ALEMANHA EM MAUS LENÇÓIS
A Alemanha está preocupada com o dinheiro que emprestou a países a
caminho da falência. DIE ZEIT refere que os Bancos Alemães
emprestaram 38 biliões de € a empresas, governo e repartições
públicas gregas; 191 biliões de € à Espanha, 202 biliões de € à
Itália. Só os turistas alemães levam 15 biliões de € por ano para
Itália, Espanha, Grécia e Portugal.
No caso dum país não poder pagar os
juros, o Banco Alemão teria grandes perdas o que obrigaria o
Estado alemão a ter de entrar com o dinheiro para apoiar o Banco,
doutro modo, haveria de novo uma crise bancária.
Um país como a Grécia que ainda tem
dinheiro para pagar aos professores e à polícia, a deixar agravar
a sua situação conduziria à sublevação do povo.
Por outro lado os especuladores
internacionais estão interessados em que um país como a Grécia
perca a credibilidade financeira e que saia a Zona Euro.
Tudo isto revela a necessidade das
potências industriais europeias seguirem uma nova política de
solidariedade com os países da periferia. Se o núcleo dos países
da EU não quiserem ver a estabilidade do Euro posta continuamente
em perigo pelos países mais fracos, terão de implementar a criação
de empresas estáveis nestes países. Não chega produzir no centro e
vender na periferia. A periferia terá que poder subsistir por ela.
PERDA DA SUBERANIA NACIONAL
Um estado sem controlo sobre o orçamento do Estado tem condições
muito agravadas no mercado de capital, dependendo estas da sua
capacidade de crédito. Instituições, como a Rating-Agentur Titch,
que controlam a credibilidade de crédito dos países através da
observação do seu crescimento económico, taxa de inflação e
cobrança de impostos, estão muito atentas ao desenvolvimento e
chamam a atenção internacional para o estado dum Estado em
desequilíbrio.
Estados salvos ou em grave crise além de
terem de pagar muito mais juros pelos empréstimos, têm de ceder
grande parte da soberania ao estrangeiro e a organizações
internacionais. Estes passam a determinar as taxas de impostos e
as despesas para escolas, estradas, etc., à margem do parlamento
nacional, tal como acontece no terceiro mundo. As empresas
internacionais procuram salvar o seu dinheiro retirando os seus
investimentos do país que não ofereça credibilidade.
Segundo a imprensa internacional,
Portugal permitiu aumentos de salário superiores ao dobro em
relação à média europeia. Ao contrário da Grécia, Portugal já tem
um bom sistema de controlo fiscal, mas o que não compreendem são
as reformas do funcionalismo público. Por outro lado o dinheiro
público é, por vezes, investido em projectos de prestígio e não em
projectos produtivos para a nação. Na Espanha o dinheiro foi
empregado em objectos de construção especulativa.
Um país com grandes dívidas perde a
moral, tal como aconteceu na primeira república portuguesa. A
oposição parlamentar portuguesa, em vez de se aproveitar da
situação catastrófica em que se encontra o país para ganhar
créditos políticos partidários, tem mostrado grande
responsabilidade ajudando o governo socialista de Sócrates a
elaborar um Orçamento de Estado que impeça a situação da Grécia. O
problema é que em Portugal as instituições políticas e sociais
geralmente não trabalham com consciência nacional nem de Estado.
Um país como Portugal, com fraca
produção nacional e muita importação, não pode equilibrar as
dívidas externas apenas com os apoios da União Europeia e com as
remessas dos emigrantes e permitir-se, ao mesmo tempo, continuar a
levar uma vida de rico. Um país que não se refinancia a si mesmo e
vive de empréstimos do estrangeiro incapacita-se e torna-se num
problema para os outros membros da União que, por outro lado, não
pode permitir-se a bancarrota dum dos seus membros pelo impacto
que isso teria a nível internacional e em relação ao Euro que
cairia bastante em relação ao dólar.
Dado o Estado não poder desvalorizar por
si mesmo a moeda única, só lhe resta poupar nas despesas públicas
e tornar os seus produtos concorrentes no mercado. Isto significa
contenção nos ordenados por um período de vários anos. De facto,
Portugal tem um défice de produtividade económica que se
contabiliza num buraco de 12,1 % da balança comercial. Portugal
come mais do que produz e nalguns sectores do imobiliário tem
impostos superiores à média europeia! Por outro lado quando se vai
ao supermercado fazer as compras alimentares constato (neste caso
constatação subjectiva minha) que o preço, à excepção do pão, de
bolos e pouco mais, é cerca de 20% mais caro que na Alemanha!.
António da Cunha
Duarte Justo
antoniocunhajusto@googlemail.com
http://antonio-justo.blogspot.com/
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