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Mais uma vez e também por iniciativa do
PSD, os netos de cidadão (ã) português (a), poderão vir a ter o
direito à aquisição da nacionalidade portuguesa nos mesmos moldes
da que é concedida aos filhos de cidadão (ã) português (a). Os
atuais Deputados pelo Círculo da Emigração, eleitos pelo Partido
Social Democrata, acabam de apresentar nova iniciativa parlamentar
(Projeto de Lei), na qual pretendem alterar a Lei 37/81, de 3 de
Outubro (Lei da Nacionalidade), objetivando a concessão da
nacionalidade plena a todos os luso-descendentes que fizerem prova
de serem netos de portugueses.
Pela legislação em vigor, os netos de
portugueses podem adquirir a nacionalidade dos seus avós, mas, se
a mesma for conseguida diretamente sem a intervenção dos pais,
somente pela naturalização, situação que vem causando grandes
dificuldades aos pretendentes, visto que a legislação interna de
muitos dos países, onde existem comunidades portuguesas
importantes, pune com a perda da nacionalidade de origem o cidadão
que obtiver outra nacionalidade por naturalização, principalmente
se continuar a residir em seu país de nascimento. Além disso, essa
nacionalidade por naturalização, não contempla com o direito de
sua transmissão, os filhos dos beneficiários, fatores que têm sido
origem de muitas e freqüentes reclamações por parte dos nossos
emigrantes.
Se examinarmos o tema com mais
profundidade, acabamos por concluir que a mesma é discriminatória
e punitiva quando concede a nacionalidade plena ao neto de cidadão
português, cujo pai ou mãe, filhos de portugueses, esteja vivo e
tenha adquirido a nacionalidade plena por transmissão de seu pai
ou de sua mãe. No entanto, aquele neto de português cujo pai ou
mãe, filhos de portugueses, cujos progenitores não tenham
pleiteado a nacionalidade ou que tenham falecido sem a obter,
ficam privados do direito à nacionalidade plena, o que é
claramente injusto e discriminatório. O neto de português cujo pai
ou mãe, filhos de portugueses, tenham falecido, é, sob o aspecto
do princípio jurídico do “jus sanguinis”, tão neto quanto o outro,
cujo pai ou mãe, filhos de portugueses, estejam! vivos e tenham
adquirido a nacionalidade portuguesa ou venham a adquiri-la.
Quanto estive no exercício do cargo de
Deputado na Assembléia da República e tendo identificado tal
problema, tomei, em 2003, juntamente com o Deputado Manuel
Ferreira, uma iniciativa parlamentar, através do Projeto de Lei
544/X, visando a concessão da nacionalidade plena a todos os netos
de portugueses que a pleiteassem. Nesse mesmo Projeto de Lei,
também se solucionava um dos problemas que mais aparecem surgem no
quotidiano dos nossos consulados, que é o pleito da nacionalidade
ao cônjuge de cidadão (ã) português (a). Pela nossa iniciativa, a
manutenção do vínculo matrimonial por um período superior a seis
anos com um cidadão (ã) de nacionalidade portuguesa
considerar-se-ia como prova de uma efetiva ligação a Portugal,
exigência legal para a sua concessão.
Posteriormente, em outras duas
oportunidades, e também por iniciativa do PSD, houve a tentativa
da concessão desse justo direito aos netos de portugueses, mas a
mesma foi em ambas das propostas negada pela maioria dos senhores
Deputados da Assembléia da República.
Devemos cerrar fileiras em torno deste
atual Projeto de Lei, de forma a convencer os atuais parlamentares
da justeza dessa iniciativa e que irá solucionar, de uma vez por
todas, os reclamos que provém de todos os pontos do globo onde
existem comunidades portuguesas.
Os nossos parlamentares e os nossos
governantes devem ter em conta a importância da concessão desse
direito que, além de corrigir uma irregularidade jurídica pela
discriminação que a atual legislação impõe, ainda se tornará num
importante instrumento para a manutenção da nossa presença no
estrangeiro, visto que, em muitas das nossas mais importantes
comunidades, o envelhecimento e o fim da emigração, estão a ser
fatores determinantes para a sua breve extinção. A presença de
portugueses, assegurada pelos luso-descendentes detentores da
nacionalidade portuguesa assegurará a nossa presença nesses países
e a manutenção do patrimônio construído e da preservação da nossa
cultura.
Eduardo Artur Neves
Moreira
Ex-Presidente Mundial do Conselho das
Comunidades Portuguesas, Ex-Deputado da Assembléia da República
eleito pela Emigração, Vice-Presidente da Academia Luso-Brasileira
de Letras
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