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Este ano comemora-se o
centenário da República, regime que nasceu não de plebiscito, mas
pela violência e traição de monárquicos.
Apesar de se encontrar
enraizada em sangue, num crime hediondo e ataques ferinos à
Igreja, teve aspectos positivos. Entre eles o empenho de antigos
republicanos na defesa de territórios ultramarinos, que culminou
em onda patriótica com o Ultimato de 31 de Janeiro de 1891,
provocado por desastrado governo que jogou grosseiramente com duas
nações europeias.
Nessa época, Guerra
Junqueiro, deputado monárquico, mas então neófito republicano,
publicou “ O Caçador Simão”, e Alfredo Keil e Lopes de Mendonça
criaram o actual hino nacional, machadada impiedosa no caduco
regime.
Infelizmente, se os
monárquicos não souberam dirigir a nação, mormente nas últimas
décadas, aos republicanos faltou-lhes capacidade de reparar erros,
continuando o desgoverno e guerras intestinas.
Passaram cem anos da
implantação da República, e ao comemorá-los, para além de
foguetes, tambores e paradas militares, deve haver reflexão:
analisar o que a República fez ou não, a favor de Portugal.
Atravessamos uma das
maiores crises dos últimos tempos e bom é evitar o que separa
portugueses. Criar fissuras desnecessários, ressuscitar ódios
antigos, será contraproducente para a Nação.
Os adeptos da Monarquia
podem não ser numerosos, mas - julgo eu - são ainda milhões, se
assim não fosse, certamente a nossa República há muito teria
referenciado o regime, já que em democracia o povo tem direito à
escolha e não esperar que militares desçam à rua, para escolher o
que ele deve decidir pelo voto.
Em suma, para concluir,
os políticos devem aproveitar as comemorações para reflectirem o
que foram os cem anos da República e não continuarem a divertir o
povo, a exemplo dos bisavôs, afrontando a Igreja, a doutrina
cristã e o próprio Deus, com leis indignas. Entretendo a populaça,
como aconteceu nos derradeiros anos da Monarquia, com casos de
lana-caprina, em lugar de cuidarem que encontrem na Pátria o que
buscam na Europa.
Para que isso aconteça é
mister que se enverede pela unidade e não cavar divisões, levantar
velhas polémicas que podem levar Portugal, após haver perdido o
Império, a independência.
Humberto Pinho da
Silva
http://solpaz.blogs.sapo.pt/
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