>> OPINIÃO ARTIGOS

 

Bookmark and Share 

AUMENTAR FONTE

F

F

F

F

Por Humberto Pinho da Silva


Quinta - feira | 21 JAN 10

“Cem Anos de República: Tempo de Reflexão”

Este ano comemora-se o centenário da República, regime que nasceu não de plebiscito, mas pela violência e traição de monárquicos.

Apesar de se encontrar enraizada em sangue, num crime hediondo e ataques ferinos à Igreja, teve aspectos positivos. Entre eles o empenho de antigos republicanos na defesa de territórios ultramarinos, que culminou em onda patriótica com o Ultimato de 31 de Janeiro de 1891, provocado por desastrado governo que jogou grosseiramente com duas nações europeias.

Nessa época, Guerra Junqueiro, deputado monárquico, mas então neófito republicano, publicou “ O Caçador Simão”, e Alfredo Keil e Lopes de Mendonça criaram o actual hino nacional, machadada impiedosa no caduco regime.

Infelizmente, se os monárquicos não souberam dirigir a nação, mormente nas últimas décadas, aos republicanos faltou-lhes capacidade de reparar erros, continuando o desgoverno e guerras intestinas.

Passaram cem anos da implantação da República, e ao comemorá-los, para além de foguetes, tambores e paradas militares, deve haver reflexão: analisar o que a República fez ou não, a favor de Portugal.

Atravessamos uma das maiores crises dos últimos tempos e bom é evitar o que separa portugueses. Criar fissuras desnecessários, ressuscitar ódios antigos, será contraproducente para a Nação.

Os adeptos da Monarquia podem não ser numerosos, mas - julgo eu - são ainda milhões, se assim não fosse, certamente a nossa República há muito teria referenciado o regime, já que em democracia o povo tem direito à escolha e não esperar que militares desçam à rua, para escolher o que ele deve decidir pelo voto.

Em suma, para concluir, os políticos devem aproveitar as comemorações para reflectirem o que foram os cem anos da República e não continuarem a divertir o povo, a exemplo dos bisavôs, afrontando a Igreja, a doutrina cristã e o próprio Deus, com leis indignas. Entretendo a populaça, como aconteceu nos derradeiros anos da Monarquia, com casos de lana-caprina, em lugar de cuidarem que encontrem na Pátria o que buscam na Europa.

Para que isso aconteça é mister que se enverede pela unidade e não cavar divisões, levantar velhas polémicas que podem levar Portugal, após haver perdido o Império, a independência.

Humberto Pinho da Silva

http://solpaz.blogs.sapo.pt/


 

© 2003-2008 Jornal Mundo Lusíada - Todos os direitos reservados.

Artigos assinados não exprimem propriamente a opinião do Mundo Lusíada Online.
Colunas e textos de opinião com assinatura são de responsabilidade de seus autores.