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A cidade está em festa e à espera, nos
próximos dias, da visita das mais altas entidades da República
Popular da China. É que Macau completa, no dia 20 de Dezembro, o
seu 10.o aniversário como região administrativa especial da
República Popular da China.
No mesmo dia toma posse do cargo de
chefe do Executivo, sucedendo a Edmund Ho Hau Wah o até há poucos
meses secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Fernando Chui
Sai On, com ele iniciando-se um novo ciclo governativo muito
marcado, porém, pela continuidade de pessoas e de políticas.
Um balanço correcto desta primeira
década revelará, inequivocamente, o sucesso da aplicação do
princípio “um país, dois sistemas” e a solidez do trabalho
realizado, pela administração portuguesa, no período de transição,
quando se fez uma enorme aposta nas infra-estruturas, na acção
social e na educação, sob a esclarecida liderança do governador
Vasco Rocha Vieira.
É também justo reconhecer que o acordo
firmado com Portugal, em 1987, foi respeitado, gozando a região,
efectivamente, de ampla autonomia, sob o acompanhamento sempre
atento das autoridades centrais chinesas. As instituições
funcionaram e a maneira de viver da população foi mantida, sendo
preservados os direitos, liberdades e garantias assegurados
anteriormente pela Constituição da República Portuguesa e agora
incorporados na Lei Básica da Região.
Os resultados são positivos,
registando-se um impressionante desenvolvimento económico e,
consequentemente, um invejável desafogo financeiro, pese embora a
excessiva dependência em relação às abundantes receitas geradas
pelos jogos de fortuna ou azar, e não obstante alguns assinaláveis
acidentes de percurso e visíveis desequilíbrios que não foram
suficientemente acautelados e que resultaram, em especial, do
rápido crescimento verificado. A sua correcção constitui, agora, a
maior prioridade, e também o maior desafio, na acção governativa
nos próximos anos, estando a atenção da população, mais exigente e
interventora, muito insistentemente virada, também, para o reforço
de medidas de combate à corrupção e à ilegalidade administrativa.
Merece, igualmente, menção a
intensificação das relações com os Países de Língua Portuguesa,
desejando a China que Macau faça uso pleno desta sua mais-valia
que é a ligação histórica, cultural e comercial ao mundo lusófono,
cabendo também a Portugal saber tirar maior proveito deste
desígnio pragmaticamente expresso e constantemente reafirmado. Foi
ali que o governo chinês decidiu fazer funcionar, em permanência,
o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os
Países de Língua Portuguesa, multiplicando-se, desde então, as
iniciativas neste contexto, estendidas às mais diversas áreas,
incluindo a académica e a cultural.
A classificação, pela UNESCO, do centro
histórico da cidade como património mundial contribuiu, por outro
lado, para garantir uma intervenção mais consequente e correcta na
preservação do legado histórico e arquitectónico, ainda mais
importante agora face às ameaças de descaracterização que
abundantes e desproporcionadas construções ligadas aos novos
operadores dos casinos estão a provocar.
De acordo com um recente documento
governamental central, estabelecendo directivas e metas económicas,
até 2020, para todo o vasto delta do Rio das Pérolas, uma das
zonas de mais espectacular desenvolvimento em todo o mundo e onde
Macau se insere, privilegiam-se, para esta região especial, o
papel de plataforma de cooperação com o mundo lusófono e o de
grande e diversificado centro de turismo, valorizado pela
existência, exclusiva em todo o território chinês, de modalidades
diversas de jogos de fortuna ou azar e orientado,
complementarmente, para congressos e convenções, incentivos e
grandes espectáculos.
Para viabilizar o crescimento desejado,
acaba de ser autorizado o alargamento da área de Macau em cerca de
12%. Abrem-se, assim, aos interessados locais e do exterior,
renovadas e aliciantes oportunidades de participação e de
investimento na próxima década, sendo desejo de todos uma
participação mais efectiva e consequente de Portugal.
Jorge Rangel
Presidente do Instituto Internacional
de Macau
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