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Podemos afirmar que o Natal é uma festa
cristã e que Jesus realmente nasceu em 25 de dezembro? Ninguém
sabe ao certo. O que se sabe é que líderes cristãos, em 336,
definiram a data de 25 de dezembro na tentativa de camuflar uma
festa popular pagã (orgias) romana, que comemorava “Natalis Solis
Invincti”, ou “Aniversário do Invencível Deus do Sol”, no
solstício do inverno. Os cristãos consideram esse dia sagrado não
pelo mesmo motivo que os pagãos, que festejam o nascimento do sol,
mas por festejarem Aquele que os criou.
Natal é a celebração do nascimento de
Jesus para os cristãos. A palavra Christmas, que significa Natal,
vem do inglês antigo Cristes maesse, ou seja, missa de Cristo.
Originalmente a comemoração do Natal envolvia apenas uma missa,
mas com o passar do tempo a celebração substituiu várias outras
festividades em diversos países e um grande número de tradições
foi incluído nas comemorações.
A tradição da troca de presentes parece
ter sido iniciada com os presentes que os Reis Magos levaram para
o menino Jesus. Conforme relatado na Bíblia, no evangelho de
Mateus: “E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe,
prostrando-se, adoraram-no e abrindo seus tesouros, ofertaram-lhe
dádivas: ouro, incenso e mirra. Para refletirmos: “Estarei eu, em
mim mesmo pronto para recebê-lo e presenteá-lo com as mirras e
ouros que eu tiver?”
Em alguns países, como a Alemanha, por
exemplo, a troca de presentes se dá por ocasião da comemoração do
dia destinado a São Nicolau, sendo todo dia seis de dezembro,
pois, no Natal, quem deve ser homenageado é o menino Jesus. A
atual figura comercial do Papai Noel foi inspirada no bispo São
Nicolau. Ele ajudava as famílias necessitadas, não só na forma de
dinheiro, mas também distribuía doces para as crianças pobres por
ocasião do Natal. São Nicolau conquistou a simpatia de todos,
devido a sua exemplar caridade e bondade. Mesmo após 16 séculos, o
exemplo de São Nicolau continua a estimular-nos para que a nossa
vida seja marcada pela generosidade, pelo carinho e cuidado para
com os mais pobres e carentes também de afeto e de amor.
O nascimento do menino Jesus é um dia
festejado e comemorado pelos cristãos. Para muitos, Natal é um dia
especial em que pessoas viajam para rever parentes e amigos. Para
outros, Natal é promover festas, é uma oportunidade para deixar
extravasar os desejos da carne. Para uma criança, é uma data
desejada e esperada com muita ansiedade para se ganharem
presentes.
Para nós, cristãos, o Natal é um momento
do ano em que as famílias se reúnem para se alegrar e agradecer a
Deus por mais um ano que se passou. Para os empresários e
comerciantes, é um dos eventos festivos do ano que abre o maior
espaço para vendas em todos os aspectos. O sentido cristão do
Natal, de Jesus Cristo não pode ser substituído, como de fato está
sendo na sociedade. O Natal perde seu significado haurido nas
fontes da fé. O caráter sobrenatural do evento foi radicalmente
substituído pelos valores comerciais, em ritmo de aquecimento. O
Natal foi encampado pelos interesses da sociedade de consumo. Para
se ter uma idéia, nos Estados Unidos, as semanas que antecedem o
Natal são as que apresentam um maior número de vendas se
comparadas com o restante do ano. Muitos varejistas têm 70% de
toda a sua renda anual resultantes deste período. O Natal não era
um acontecimento importante até os anos de 1860. O ano de 1867 foi
o primeiro em que uma loja de departamento, em Nova York, ficou
aberta até a meia noite e em 1874 foi quando surgiram as primeiras
vitrines e bolas de neve com temas natalinos.
Cabe a nós, como testemunhas do amor de
Deus, a recuperação do verdadeiro sentido do Natal Cristão. O
menino Deus nasceu numa gruta vazia para nos trazer o verdadeiro
sentido de pobreza, humildade. Sendo ele rei dos reis, escolheu
uma singela manjedoura. A manjedoura não foi escolha; foi o jeito!
Dar a luz entre animais, feno, frio e mau cheiro foi o modo que
Deus encontrou para nascer igualando-se aos mais pobres e
desprezados! Ele veio nos ensinar que somente num coração
despojado é que Deus pode fazer morada. Ele renasce no mundo que
por ele mesmo foi criado, para dar sentido à vida, ao tempo. Sua
eternidade dá sentido ao tempo.
O sentido da vida, sob o prisma
filosófico, seria: por que nos esforçamos por ser belos, ter
dinheiro, possuir coisas? Claro, tudo isso pode fazer sentido, mas
como meio, não como fim em si mesmo. Na verdade, são na maioria
dos casos "sentidos emprestados", na falta de um sentido que seja
próprio. Como disse o filósofo Heráclito de Éfeso (540 - 470 a.C.)
"se a felicidade estivesse nos prazeres do corpo, diríamos felizes
os bois, quando encontram ervilhas para comer". Os bois vivem o
momento, para eles não existe um passado nem um futuro, pois para
ter passado e futuro é preciso haver um sentido.
Então, recuperemos o sentido fraterno e
solidário que Jesus Cristo veio trazer para todos os povos, raças,
culturas, estruturas sociais. Nosso pedido às famílias cristãs é
de congraçamento, fazendo com que uns se reconciliem com os
outros, deixando morrer num abraço apertado tudo o que represente
inquietude, mágoa, ressentimentos e maus ensejos.
Segundo o Vaticano, o número de Cristãos
chega a 33% se os católicos forem somados às outras linhas do
Cristianismo: anglicanos, ortodoxos e protestantes. Ao celebrarmos
a vinda do menino Jesus com verdadeira adoração, podemos dizer
então, que é dia de Natal, pois Jesus está sendo reverenciado como
Deus-Filho. Isto independente do segmento religioso a que se
propõe a seguir; veja bem, desde que o adorador seja sincero, puro
e humilde de coração. Como ele mesmo nos ensinou.
O Natal é Amor e o amor é o que dá
sentido às nossas vidas, tal como a amizade, ou a arte, ou a
crença em Deus. São fatores de felicidade, de paz interior, de
harmonia, que suportam as nossas existências. O Natal está
intimamente ligado ao sentido de vida do cristão. Daquele que é
verdadeiramente cristão. “Ser cristão” significa saber perdoar,
saber relevar, saber amar, acima de tudo! O cristão verdadeiro
encontra a PAZ no espírito de Natal. O significado do Natal para
nós cristãos é exatamente essa busca pela presença de Jesus, com
uma vida de adoração contínua a Ele. O único gesto que cabe no
Natal é a continuidade do compromisso de construção da civilização
do amor, da justiça e da paz tão desejada.
Cristina Celia Cunha
Zarantoneli
De Juiz de Fora - Minas Gerias
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