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O ministro da Fazenda do
Brasil, Guido Mantega, anunciou há dias em São Paulo que a
economia brasileira poderá crescer 6 a 6,5% nos anos de 2010 a
2016 – o que é uma boa notícia, se as previsões forem confirmadas.
Entretanto, nas suas
freqüentes andanças pelo mundo, o Presidente Lula considera que a
crise econômico-financeira está a ser superada pelo seu País e que
tudo indica um desenvolvimento positivo cada vez mais firme.
Baseiam-se, em boa parte nas reações positivas dos seus principais
interlocutores, com relevo para os laudatórios presidentes dos
Estados Unidos e da França, embora seja evidente que os elogios
não resolvem os problemas, por mais agradáveis que possam ser.
O outro lado do problema é
que a produção brasileira tem avançado sem parar – isto é,
enquanto não chegou à crise global que abaloou o mundo inteiro.
Mas até neste domínio as dificuldades estão as decrescer, embora
os seus grandes parceiros comerciais condicionem as suas compras:
os Estados Unidos, por exemplo.. são cada vez mais protecionistas
e discutem o aumento dos tributos sobre as suas importações - o
que poderia traduzir-se, em relação ao Brasil. Por uma redução de
cerca de US$ 5 bilhões por ano, perda que talvez se acentue ainda
mais se a União Européia diminuir também as suas compras.
É certo que somente
nalguns sectores o Brasil poderá ombrear com a indústria dos
países mais desenvolvidos. Mas a compensação é que o país se tem
destacado, sobretudo, nas exportações de gêneros alimentícios,
assumindo uma situação relevante, na medida em que passou a ser um
dos maiores exportadores mundiais de alimentos, conforme
documentam as vendas de soja, carne, frutas, etc. E garante uma
boa qualidade e preços acessíveis.
Na verdade, o Brasil
passou a ser nos últimos anos credor – a sua balança comercial de
2008 somou a exportação de US$137.470 milhões, enquanto as
importações foram de apenas US$95.885 milhões. Um saldo
confortável para qualquer país em fase de desenvolvimento. E é
claro que a queda do dólar tem contribuído para melhorar o consumo
interno dos remediados e pobres, mas desanimou os exportadores,
porque estes, vendendo mais, estão a receber (quantitativamente)
menos moeda estrangeira...
Aliás, o crescimento das
exportações também se explica pela estabilidade econômica do
Brasil. E o que os atuais governantes não confessam explicitamente
que a estabilização foi possível porque o advento da nova moeda
garantiu não só o Real, mas também acabou na prática com a
inflação. O papel relevante do governo do Presidente Lula foi
continuar a política anti-inflacionária e, por conseguinte,
fortalecer a moeda nacional, estabilizando os preços e
incentivando as exportações. E com esta política o Brasil está
vencendo a crise internacional!
João Alves das Neves
Escritor português residente no
Brasil
Homenagem ‘in memoriam’ a Joaquim Montezuma de Carvalho
www.joaoalvesdasneves.blogspot.com
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