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Por Gaspar Nunes


Segunda-feira | 29 JUN 09

Uma triste realidade que não tem fim

Aposentação ou Reforma dos Ex-Combatentes não passa de uma Balela

Prezados amigos, ouvintes, mais uma vez venho a campo para lamentar que, por razões espúrias, infelizmente, ainda existam e, aliás, sempre existirão, algumas pessoas tidas como “autoridades” e/ ou “destaques”, quando não representantes, da nossa Comunidade que, efetivamente, precisam de tomar um “chá de humildade” visto que se exibem com ares de supersapiência vindo a público prestar informações inverídicas e, assim, iludir as pessoas, não se dando conta de que estão a colocar em jogo a sua credibilidade pública, tal a forma irresponsável desse seu comportamento condenável. Daí o “puxão de orelhas” que merecem. E “que enfie a carapuça a quem ela couber”.

Neste caso, deveriam se acautelar quando vêm falar sobre os Ex-Combatentes visto que, ao serem questionados – inclusive em entrevistas dadas em Programas de Rádio (entre os quais o Programa “SELECÇÕES PORTUGUESAS”, apresentado dominicalmente pelo seu titular, o meu amigo Oliveira Nunes) sobre os direitos daqueles compatriotas que estiveram em campanha na Guerra Colonial –, ousam falar do que não sabem ou, melhor dizendo, do que não têm o cuidado de tomar o devido conhecimento de causa para, então, falar com propriedade sobre assunto tão delicado, já que vêm dando informações equivocadas que podem induzir as pessoas, principalmente as diretamente interessadas, a acreditar que seja correto aquilo mesmo que ouvem, partindo da premissa que seriam informações fidedignas quando, na verdade, são totalmente distorcidas, não por má-fé, creio eu, mas talvez, por mera desinformação de quem as ousa dar, o que não deixa de ser reprovável.

De fato, infelizmente, vem sendo sistemático alguns desses senhores abordarem esse tema demonstrando um desconhecimento de causa alarmante e repulsivo, ao afirmarem que os Ex-Combatentes já estão a receber Reforma e/ou Aposentação, o que é uma distorção dos fatos.

Por isso, sou uma voz que vem a público em defesa da verdade, não permitindo que tudo passe em “brancas-nuvens”, isto é, em defesa da CIDADANIA. Portanto, instruam-se devidamente antes de passarem para o público informações que, pela sua própria conotação, deverão, a todo o custo, ser absolutamente corretas. De outra forma, é um desserviço que prestam à Comunidade e, neste caso, particularmente para os Ex-Combatentes emigrantes. Por isso, em certas situações, é melhor admitirem que não sabem ou que não têm certeza. Seria melhor assim, até porque uma certa dose de humildade sempre é dignificante.

Assim, como lídimo defensor da causa dos Ex-Combatentes e, ademais, sendo um deles, tendo inclusive já gastado muita tinta em artigos escritos e publicados na Internet ou em Jornais e também nas minhas crônicas narradas no Programa “SELECÇÕES PORTUGUESAS”, dentro da rubrica “O EMIGRANTE E A CIDADANIA”, venho, com propriedade e conscientemente, mais uma vez, esclarecer qual a realidade dos fatos, mormente no que concerne à Reforma ou Aposentação dos Ex-Combatentes.

Então, face às circunstâncias, valho-me de um artigo de minha autoria datado de 28/11/2004, então publicado, pois dele transcrevo alguns pequenos trechos ou excertos que, afinal, continuam atuais.

Na verdade, em Novembro/2004, me deparei com a situação esdrúxula, onde a Lei nº 21/2004, de 5 de Junho, favorece os Ex-Combatentes emigrantes em país da União Européia e da Suíça em detrimento dos Ex-Combatentes emigrantes no resto do mundo, no que concerne à Contagem de Tempo do Serviço Militar para efeitos de Reforma e/ou Aposentação. E, o pior é que, em relação a estes últimos, se o país em que residem não tiver celebrado com o governo português um acordo mútuo que preveja a totalização dos períodos de contribuição, mesmo que tenham descontado para o sistema de Segurança Social Nacional e, portanto, apesar de serem beneficiários do mesmo, não são abrangidos por essa lei e, por isso, não lhes é atribuído o direito a essa Contagem de Tempo... Afinal, não somos todos iguais perante a lei?!

Assim, a título informativo, para quem não sabe ou, melhor dizendo, para quem não conhece, prestem bem atenção ao artigo 1º da Lei nº 21/2004 – com o título: Alargamento do âmbito de aplicação pessoal – O regime jurídico consagrado na Lei nº 9/2002, de 11 de Fevereiro, é aplicável aos:

a)       a) “Ex-combatentes abrangidos por sistemas de segurança social de Estados-Membros da União Européia e demais Estados Membros do Espaço Económico Europeu, bem como pela legislação suíça, coordenados pelos regulamentos comunitários, ainda que não tenham sido beneficiários do Sistema de Segurança Social Nacional”;

b)       b)  “Ex-combatentes abrangidos por sistemas de segurança social de Estados com os quais foram celebrados instrumentos internacionais que prevejam a totalização de períodos contributivos, desde que tenham sido beneficiários do Sistema de Segurança Social Nacional, ainda que não se encontre preenchido o prazo de garantia para acesso à pensão”;

c)       c)  “Ex-combatentes que não sejam subscritores da Caixa Geral de Aposentações nem beneficiários do regime de pensões do sistema público de segurança social, nos termos de legislação a publicar”.

Vocês vêem como é evidente e descarada discriminação comparando-se a alínea a) com a alínea b). Pois bem, a realidade é que os Ex-Combatentes emigrantes na Europa, para usufruir dos seus direitos, nem sequer precisam ter descontado para o Sistema de Segurança Social Nacional, o que significa que nem precisam ser beneficiários do mesmo. Apesar disso, nada mais justo, admita-se. Porém, em contrapartida, no segundo caso, os Ex-Combatentes emigrantes no resto do mundo, se não tiverem descontado para o Sistema de Segurança Social Nacional, não terão respeitados os seus sagrados direitos. Entretanto, ressalvo o teor do descrito à alínea c), mas, como desconheço o teor da aludida legislação a publicar, ali referida – e, por isso mesmo –, se alguém tiver conhecimento da mesma, por favor, queiram me informar, o que, desde já, agradeço, no aguardo.

De positivo, por enquanto, apenas há a considerar que, finalmente, foi sancionada a Lei n.º 3/2009, de 13 de Janeiro, que veio regulamentar os efeitos jurídicos dos períodos de prestação de serviço militar de Antigos Combatentes (ou seja, Ex-Combatentes) para efeitos de atribuição dos benefícios previstos nas Leis nº 9/2002, de 11 de Fevereiro, e nº 21/2004, de 5 de Junho, o que, na verdade, por força de lei, isso deveria ter ocorrido em Agosto de 2004, pelo que nos foi devida por 4,5 anos. Apenas isso! Vejam a arbitrariedade praticada pelos senhores(as) do Parlamento. ... Mas, mais vale tarde do que nunca! Porém, ressalve-se que se trata de uma lei regulamentar muito recente e cuja interpretação ainda é extremamente difícil e, por isso, ainda há o que esclarecer para que, futuramente se possa dar informações mais precisas. E, no que depender de mim, farei o possível para, oportunamente, sempre esclarecer os interessados. Portanto, aguardem!

Entretanto, atente-se que, para já, a realidade é que, conforme essa legislação, por exemplo, um Ex-Combatente que nela se enquadra e que tenha estado na guerra colonial durante 27 meses, desde que tenha feito o requerimento respectivo no devido tempo, recebe, a título de bonificação, um Complemento Especial de Pensão no valor básico estimativo de 200 euros ao ano, o que dividido por 14 (12 meses do ano + 13º e 14º salários), dá a “fabulosa” quantia de 14,28 euros ao mês.

Estão vendo senhores? ... O fato é que os Ex-Combatentes valem 14,28 euros. ... Esta é a verdade, nua e crua! Entretanto, note-se que isto só será possível após completar os 65 anos de idade. Agora, convenhamos, se é isto que os senhores chamam de Reforma ou Aposentação ...

Pois é, ... tudo o que fizemos pela Pátria vale hoje apenas 14,28 euros por mês! ... Isso é um acinte, um vexame, o fruto da maior “falta de vergonha”, a maior injustiça, já praticados por uma Nação civilizada em relação aos seus Ex-Combatentes. Porém, a Sociedade Portuguesa e a mídia (imprensa) do país “estão-se nas tintas” para com os Ex-Combatentes. Observe-se que o fato é que o que mais impressiona é o descaso da imprensa em geral. Afinal, sabe-se que a maior força reside exatamente na imprensa. Sem ela ...

Mas, apesar de tudo, viva Portugal, a Pátria Amada!!! ... A Mãe que tão maravilhosos filhos teve no decurso da sua História quase milenar, que por Ela sempre lutaram com denodo, honrando-a e glorificando-a pelos séculos afora com o derramamento de seu sangue, suor e lágrimas e, em muitos casos, com o comprometimento definitivo da sua integridade física e/ou mental e, principalmente, com a dação da própria vida em prol Dela.

Rio de Janeiro – RJ, Brasil, 29/06/2009

Gaspar Nunes

Rio de Janeiro


 

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