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Por Gaspar Nunes


Segunda-feira | 22 JUN 09

Honrando Portugal no Rio de Janeiro

A Lusitanidade da Comunidade

Ocorrida recentemente, aqui no Rio de Janeiro a comemoração da efeméride do "Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas", primeiramente comemorada, por antecedência, no dia 8 no Palácio de São Clemente (residência oficial do cônsul geral de Portugal no Rio de Janeiro), organizada pelo próprio cônsul, António de Almeida Lima e esposa, destacando-se a presença do embaixador de Portugal no Brasil, João Salgueiro, e, posteriormente, no dia 15, no Palácio Pedro Ernesto (ou seja, na Câmara de Vereadores desta cidade), organizado pela vereadora Teresa Bergher, o que pode ser considerado como as festividades mais relevantes no que concerne, particularmente, à Lusitanidade da Comunidade Portuguesa do Rio de Janeiro, ocorrendo sempre no dia 10 de junho, data efetiva de se comemorar a Pátria dos Portugueses, ou, por razões justificáveis, em data próxima dessa, pelo que me propus a abordar esse tema que, de alguma forma, vem sendo alvo de alguns questionamentos que merecem esclarecimento.

Habitualmente, há alguns anos que compareço a ambas cuja relevância essencial é exatamente a homenagem que nelas é prestada a Portugal como nação cuja História é da maior relevância e ao próprio Brasil que, afinal, também dela faz parte indelével.

Assim, essas comemorações engrandecem sobremaneira não só no que tange ao orgulho de todos os portugueses, estejam eles onde estiverem espalhados pelos quatro cantos do planeta, inclusive dos luso-descendentes, mas também de todos os brasileiros, haja vista o fato da existência de uma afinidade inequívoca entre as duas nações ligadas exatamente pelos laços históricos que as unem, não fosse o Brasil o maior filho da Nação Portuguesa e a ela devendo as imensas dimensões territoriais que compõem a geografia deste país, além das imensas riquezas patrimoniais herdadas.

Mas, a minha intenção não é me dispersar aqui contando a História comum aos dois países e consequentemente aos dois povos e, portanto, retorno ao tema razão desta crônica pois a intenção é a de apenas comentar (criticando ou elogiando, no que couber) sobre este assunto "onde a Comunidade tem vez", ... ou seria onde a "Comunidade tem voz", hein? ... Eis a questão!

E, ao se dizer que se trata de assunto onde a "Comunidade tem vez", esclareça-se que, no que se refere aos eventos organizados pelo Consulado, poderia até ser dito que é uma balela afirmar tal coisa visto que as pessoas que os honram com a sua presença fazem parte de uma relação cujo critério de escolha engloba, em sua maioria, exatamente algumas autoridades locais e membros da Comunidade que, de alguma forma, atuam em prol dos interesses dessa Comunidade, como sendo, políticos, empresários, diretores das Associações Portuguesas (conhecidas no âmbito da Comunidade como Casas Regionais), ligadas à Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras, e a imprensa (ou seja, jornalistas, radialistas, etc.), os quais, para adentrar, terão de ser portadores dos respectivos convites formais, com direito a acompanhante, enviados previamente pelo Consulado, sendo obrigatória a confirmação antecipada de que irá comparecer.

Nesse particular, há que se destacar a já habitual extrema simpatia na recepção e acolhimento prestados pelo cônsul Almeida Lima e sua esposa, sempre elegantes e irrepreensivelmente atenciosos com quem a eles se dirija, cumulado com uma ligeira solenidade do ato cívico em si, incluindo-se a apresentação dos Hinos de Brasil e de Portugal, respectivamente, finalizando com a qualidade de um atrativo serviço de bufê avidamente degustado pelos convivas.

Por outro lado, quanto ao evento, tido como similar, realizado na Câmara de Vereadores, embora também sejam enviados convites formais, regra geral é dispensada a apresentação dos mesmos até porque a afluência é em número bem inferior à do Consulado. Todavia, esse evento não deixa de ser importante e interessante já que sempre é abrilhantado com a ocorrência de um desfile de trajes regionais portugueses e bandeiras dos ranchos folclóricos das Casas Regionais Portuguesas, bem como a exibição de cantigas populares interpretadas pela sempre encantadora voz da poveira de sete costados, Isaura Milhazes, bem como a voz de Mário Simões interpretando a canção romântica portuguesa e, finalmente, a voz da viseense Maria Alcina interpretando o fado castiço. Note-se que os três, são presença honrosa e cativa nessa festividade.

Evidentemente que o ideal seria que essas festividades fossem de acesso livre, porém, face a dificuldades de vária ordem, inclusive em termos do alcance de uma possível divulgação prévia onde o resultado seria uma incógnita quanto ao sucesso almejado, há que reconhecer que, na realidade, deve-se atentar para o seguinte: primeiro, quanto ao espaço físico limitado a comportar uma certa quantidade de pessoas em condições viáveis de convívio e segurança; e, segundo, quanto à dificuldade do patrocínio de um bufê que atenderia a uma estimativa face ao número de pessoas que compareceriam, que correria o sério risco de ser falha, o que faz presumir a inviabilidade de tal realização que atendesse à Comunidade como um todo, correndo, portanto, sério risco de ser fadada ao fracasso.

Compreenda-se que, no que se refere a cerimônias desse nível, é assim que a coisa funciona e assim sempre será, tanto seja aqui como em qualquer outro lugar (país ou cidade), pois que, ao abrigo da razão, não poderá ser diferente. De outra forma, o cerimonial teria de ser realizado em praça pública, tipo uma missa campal, onde as pessoas assistiriam civicamente e, ao final, retornariam a suas casas ou, quem sabe, procurariam um restaurante, uma lanchonete ou até um camelô, onde fariam o seu lanche, que em última análise, resumir-se-ia a comer um cachorro- quente e beber um simples refresco daqueles feitos com água direta de qualquer torneira disponível.

Aliás, note-se que, mesmo assim, a alternativa de se fazer um evento em praça pública, também implicaria em todo um planejamento criterioso que implicaria em diversas despesas como, por exemplo, a montagem de um palanque, o conforto indispensável e a segurança em geral. Entretanto, não atenderia ao objetivo em causa por improfícuo.

Por oportuno, digo que, no meu modo de ver, o mais importante nesses eventos é a oportunidade de rever pessoas que bem-queremos mas que, devido às vicissitudes da vida e pela própria rotina do dia-a-dia de cada um, dificilmente se encontram. Esse convívio é, portanto, muito importante para cavaquear e quiçá até estreitar os laços de amizade e, ainda pela chance de conhecer novas pessoas e até fazer novas amizades, sim senhor!

Com satisfação, cumpre-me parabenizar a laureada fadista Maria Alcina, considerada um baluarte da nossa Comunidade, tantos os anos em que representa a música portuguesa interpretando o fado por esse Brasil afora, e não só, havendo sido, destarte, durante esse evento do dia 15, na Câmara de Vereadores, surpreendida ao ser merecidamente agraciada com a medalha e diploma de Chiquinha Gonzaga, grande ícone da música brasileira, tendo então sido comovedora a reação emocional de Maria Alcina ao exibir uma incontrolável comoção regada com suas lágrimas incontidas, lágrimas sentidas, lágrimas sinceras, porém, apesar disso, ainda conseguiu, dizer se sentir extremamente honrada com tão relevante e inesperada distinção.

Também lá, foram homenageados com a condecoração da Medalha Pedro Ernesto e diploma o "Jornal Portugal em Foco" e sua diretora Benvinda Maria e, ainda, seus familiares próximos, sendo, porém, lamentável e fastidiosa a extensa demora, por desnecessária, na alocução do histórico desse jornal onde extrapolou os limites da paciência dos presentes, pois que, para tal, foram tomados nada menos do que 20 minutos, contribuindo para que uma boa parte dos presentes, inclusive autoridades, abandonasse o local, quando isso poderia ser feito de forma sucinta reduzindo esse tempo para, no máximo, a metade.

Mas, de qualquer forma, também merece parabéns a responsável por esse evento, a vereadora Teresa Bergher, portuguesa de Viseu, por essa sua iniciativa anual, merecedora dos maiores aplausos, iniciativa essa que ela vem tomando há alguns anos a esta data. Entretanto, destarte, há um sério reparo a ser feito, haja vista que, a meu ver, uma cerimônia cívica jamais deverá ser misturada com outras homenagens já que, por alusão ao Dia de Portugal, isso teria de ser respeitado e, portanto, no caso, somente Portugal deveria ser homenageado. Assim, espero que a Teresa Bergher leve em consideração esta observação essencialmente construtiva, não voltando a cometer tal gafe, até porque é preciso cair em si e atentar que o cerimonial desse conjunto de homenagens levou nada menos do que 2,5 horas o que somado a uma hora de espera, resultou num total de 3,5 horas que causaram problemas de desconforto com dores de coluna e de cabeça a muita gente. Enfim, uma verdadeira tortura física e mental. ... Isto é fato!

E assim vai a nossa Comunidade em seu viver, em seu fadário, em sua mitigação de saudades.

Assim, que Deus nos proteja e abençoe! ... Viva o Brasil!!! ... Viva Portugal!!!

Gaspar Nunes

Rio de Janeiro


 

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