|
Ocorrida recentemente,
aqui no Rio de Janeiro a comemoração da efeméride do "Dia de
Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas", primeiramente
comemorada, por antecedência, no dia 8 no Palácio de São Clemente
(residência oficial do cônsul geral de Portugal no Rio de
Janeiro), organizada pelo próprio cônsul, António de Almeida Lima
e esposa, destacando-se a presença do embaixador de Portugal no
Brasil, João Salgueiro, e, posteriormente, no dia 15, no Palácio
Pedro Ernesto (ou seja, na Câmara de Vereadores desta cidade),
organizado pela vereadora Teresa Bergher, o que pode ser
considerado como as festividades mais relevantes no que concerne,
particularmente, à Lusitanidade da Comunidade Portuguesa do Rio de
Janeiro, ocorrendo sempre no dia 10 de junho, data efetiva de se
comemorar a Pátria dos Portugueses, ou, por razões justificáveis,
em data próxima dessa, pelo que me propus a abordar esse tema que,
de alguma forma, vem sendo alvo de alguns questionamentos que
merecem esclarecimento.
Habitualmente, há alguns
anos que compareço a ambas cuja relevância essencial é exatamente
a homenagem que nelas é prestada a Portugal como nação cuja
História é da maior relevância e ao próprio Brasil que, afinal,
também dela faz parte indelével.
Assim, essas comemorações
engrandecem sobremaneira não só no que tange ao orgulho de todos
os portugueses, estejam eles onde estiverem espalhados pelos
quatro cantos do planeta, inclusive dos luso-descendentes, mas
também de todos os brasileiros, haja vista o fato da existência de
uma afinidade inequívoca entre as duas nações ligadas exatamente
pelos laços históricos que as unem, não fosse o Brasil o maior
filho da Nação Portuguesa e a ela devendo as imensas dimensões
territoriais que compõem a geografia deste país, além das imensas
riquezas patrimoniais herdadas.
Mas, a minha intenção não
é me dispersar aqui contando a História comum aos dois países e
consequentemente aos dois povos e, portanto, retorno ao tema razão
desta crônica pois a intenção é a de apenas comentar (criticando
ou elogiando, no que couber) sobre este assunto "onde a Comunidade
tem vez", ... ou seria onde a "Comunidade tem voz", hein? ... Eis
a questão!
E, ao se dizer que se
trata de assunto onde a "Comunidade tem vez", esclareça-se que, no
que se refere aos eventos organizados pelo Consulado, poderia até
ser dito que é uma balela afirmar tal coisa visto que as pessoas
que os honram com a sua presença fazem parte de uma relação cujo
critério de escolha engloba, em sua maioria, exatamente algumas
autoridades locais e membros da Comunidade que, de alguma forma,
atuam em prol dos interesses dessa Comunidade, como sendo,
políticos, empresários, diretores das Associações Portuguesas
(conhecidas no âmbito da Comunidade como Casas Regionais), ligadas
à Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras, e a
imprensa (ou seja, jornalistas, radialistas, etc.), os quais, para
adentrar, terão de ser portadores dos respectivos convites
formais, com direito a acompanhante, enviados previamente pelo
Consulado, sendo obrigatória a confirmação antecipada de que irá
comparecer.
Nesse particular, há que
se destacar a já habitual extrema simpatia na recepção e
acolhimento prestados pelo cônsul Almeida Lima e sua esposa,
sempre elegantes e irrepreensivelmente atenciosos com quem a eles
se dirija, cumulado com uma ligeira solenidade do ato cívico em
si, incluindo-se a apresentação dos Hinos de Brasil e de Portugal,
respectivamente, finalizando com a qualidade de um atrativo
serviço de bufê avidamente degustado pelos convivas.
Por outro lado, quanto ao
evento, tido como similar, realizado na Câmara de Vereadores,
embora também sejam enviados convites formais, regra geral é
dispensada a apresentação dos mesmos até porque a afluência é em
número bem inferior à do Consulado. Todavia, esse evento não deixa
de ser importante e interessante já que sempre é abrilhantado com
a ocorrência de um desfile de trajes regionais portugueses e
bandeiras dos ranchos folclóricos das Casas Regionais Portuguesas,
bem como a exibição de cantigas populares interpretadas pela
sempre encantadora voz da poveira de sete costados, Isaura
Milhazes, bem como a voz de Mário Simões interpretando a canção
romântica portuguesa e, finalmente, a voz da viseense Maria Alcina
interpretando o fado castiço. Note-se que os três, são presença
honrosa e cativa nessa festividade.
Evidentemente que o ideal
seria que essas festividades fossem de acesso livre, porém, face a
dificuldades de vária ordem, inclusive em termos do alcance de uma
possível divulgação prévia onde o resultado seria uma incógnita
quanto ao sucesso almejado, há que reconhecer que, na realidade,
deve-se atentar para o seguinte: primeiro, quanto ao espaço físico
limitado a comportar uma certa quantidade de pessoas em condições
viáveis de convívio e segurança; e, segundo, quanto à dificuldade
do patrocínio de um bufê que atenderia a uma estimativa face ao
número de pessoas que compareceriam, que correria o sério risco de
ser falha, o que faz presumir a inviabilidade de tal realização
que atendesse à Comunidade como um todo, correndo, portanto, sério
risco de ser fadada ao fracasso.
Compreenda-se que, no que
se refere a cerimônias desse nível, é assim que a coisa funciona e
assim sempre será, tanto seja aqui como em qualquer outro lugar
(país ou cidade), pois que, ao abrigo da razão, não poderá ser
diferente. De outra forma, o cerimonial teria de ser realizado em
praça pública, tipo uma missa campal, onde as pessoas assistiriam
civicamente e, ao final, retornariam a suas casas ou, quem sabe,
procurariam um restaurante, uma lanchonete ou até um camelô, onde
fariam o seu lanche, que em última análise, resumir-se-ia a comer
um cachorro- quente e beber um simples refresco daqueles feitos
com água direta de qualquer torneira disponível.
Aliás, note-se que, mesmo
assim, a alternativa de se fazer um evento em praça pública,
também implicaria em todo um planejamento criterioso que
implicaria em diversas despesas como, por exemplo, a montagem de
um palanque, o conforto indispensável e a segurança em geral.
Entretanto, não atenderia ao objetivo em causa por improfícuo.
Por oportuno, digo que, no
meu modo de ver, o mais importante nesses eventos é a oportunidade
de rever pessoas que bem-queremos mas que, devido às vicissitudes
da vida e pela própria rotina do dia-a-dia de cada um,
dificilmente se encontram. Esse convívio é, portanto, muito
importante para cavaquear e quiçá até estreitar os laços de
amizade e, ainda pela chance de conhecer novas pessoas e até fazer
novas amizades, sim senhor!
Com satisfação, cumpre-me
parabenizar a laureada fadista Maria Alcina, considerada um
baluarte da nossa Comunidade, tantos os anos em que representa a
música portuguesa interpretando o fado por esse Brasil afora, e
não só, havendo sido, destarte, durante esse evento do dia 15, na
Câmara de Vereadores, surpreendida ao ser merecidamente agraciada
com a medalha e diploma de Chiquinha Gonzaga, grande ícone da
música brasileira, tendo então sido comovedora a reação emocional
de Maria Alcina ao exibir uma incontrolável comoção regada com
suas lágrimas incontidas, lágrimas sentidas, lágrimas sinceras,
porém, apesar disso, ainda conseguiu, dizer se sentir extremamente
honrada com tão relevante e inesperada distinção.
Também lá, foram
homenageados com a condecoração da Medalha Pedro Ernesto e diploma
o "Jornal Portugal em Foco" e sua diretora Benvinda Maria e,
ainda, seus familiares próximos, sendo, porém, lamentável e
fastidiosa a extensa demora, por desnecessária, na alocução do
histórico desse jornal onde extrapolou os limites da paciência dos
presentes, pois que, para tal, foram tomados nada menos do que 20
minutos, contribuindo para que uma boa parte dos presentes,
inclusive autoridades, abandonasse o local, quando isso poderia
ser feito de forma sucinta reduzindo esse tempo para, no máximo, a
metade.
Mas, de qualquer forma,
também merece parabéns a responsável por esse evento, a vereadora
Teresa Bergher, portuguesa de Viseu, por essa sua iniciativa
anual, merecedora dos maiores aplausos, iniciativa essa que ela
vem tomando há alguns anos a esta data. Entretanto, destarte, há
um sério reparo a ser feito, haja vista que, a meu ver, uma
cerimônia cívica jamais deverá ser misturada com outras homenagens
já que, por alusão ao Dia de Portugal, isso teria de ser
respeitado e, portanto, no caso, somente Portugal deveria ser
homenageado. Assim, espero que a Teresa Bergher leve em
consideração esta observação essencialmente construtiva, não
voltando a cometer tal gafe, até porque é preciso cair em si e
atentar que o cerimonial desse conjunto de homenagens levou nada
menos do que 2,5 horas o que somado a uma hora de espera, resultou
num total de 3,5 horas que causaram problemas de desconforto com
dores de coluna e de cabeça a muita gente. Enfim, uma verdadeira
tortura física e mental. ... Isto é fato!
E assim vai a nossa
Comunidade em seu viver, em seu fadário, em sua mitigação de
saudades.
Assim, que Deus nos
proteja e abençoe! ... Viva o Brasil!!! ... Viva Portugal!!!
Gaspar Nunes
Rio de Janeiro
|