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Dizia Erico Veríssimo que é um
lindo mausoléu. Queria dizer, que as obras literárias, escritas em
português, por mais belas que sejam, só são divulgadas depois de
traduzidas.
Lembrei-me do parecer do
ilustre escritor, ao escutar, o discurso em castelhano, do nosso
Primeiro-ministro.
E não é de admirar o
comportamento. Raro é o político ou figura pública portuguesa, que
visitando um país estrangeiro, não dialogue na língua dessa nação.
E o mesmo acontece com o
turista – português ou brasileiro, – quando viaja. Basta
atravessarem a fronteira para balbuciarem em espanhol apalhaçado,
amálgama de palavras quase incompreensíveis.
Conhecido actor brasileiro
estava a ser entrevistado pela TVE. Respondia em castelhano tão
macarrónico, que lhe pediram que falasse no seu idioma, pois seria
perfeitamente compreendido.
E, no entanto, o português é
falado por milhões e milhões de pessoas de várias nacionalidades.
O desprezo, pela nossa língua,
demonstra-se, igualmente, nisto:
Existe lei, obrigando que nada se venda em Portugal, sem ser
portador de instruções em português. Todavia, muitos utensílios,
que importamos, limitam-se, muitas vezes, a poucas linhas escritas
pelo importador.
Mas sempre assim foi – e houve
tempo que, produtos fabricados em Portugal, apenas tinham
informações em inglês e francês. - Sempre veneramos o que se faz e
se diz lá fora: na moda, na literatura, na política. Não passamos
de tristes imitadores.
Se outrora era de bom-tom conversar com galicismos, agora é snobe
exprimir-se com termos anglo-saxónicos; e muitos, que assim falam,
desconhecem, na maioria dos casos, o correspondente em português.
Se no tempo de Nicolau
Tolentino, o francesismo estava na berra, levando-o a escrever,
sobre a sociedade lisboeta:
“ Exalta os melhores franceses
Dos banquetes que lhe deram;
E balbuciará às vezes,
Fingindo que lhe esqueceram
Muitos termos portugueses.”
E o próprio Eça, confessa, em
carta a Oliveira Martins: “ (Sou um) francês de província (…) fui
educado e eduquei-me a mim mesmo, com livros franceses,
sentimentos franceses e ideias francesas.
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De gente portuguesa conheço apenas a alta burguesia de Lisboa -
que é francesa - e que há-de pensar à francesa, se algum dia vier
a pensar.” - Carta Xl “ Correspondência”. Ed. Lello - 1978.
Estamos, agora, a
inglesarmo-nos, melhor: americanizarmo-nos. Nação que muitos dizem
detestar, mas se surge oportunidade de estudo ou trabalho,
alegremente se mudam para lá.
Que se conheça línguas
estranhas é louvável e útil, mas que se utilize esse conhecimento
em detrimento da língua natal, é reprovável.
Nesta matéria é bom seguir o conselho queiroziano:
“Um homem só deve falar, com
impecável segurança e pureza a língua da sua terra: - todas as
outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento
chato e falso que denuncia logo o estrangeiro.”
Humberto Pinho da
Silva
Humbertopinhosilva@sapo.pt
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