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Por Antonio de Almeida e Silva


Quarta-feira | 10 JUN 09

“Dia de Portugal e suas Comunidades”

Ao festejar “10 de Junho”, a data magna da nação portuguesa, surge mais uma vez o momento de reflexão, acerca da importância inegável desta comemoração.

Sob a égide do imortal poeta da raça Lusitana, Luiz Vaz de Camões, efetivam-se festividades em todas as Comunidades Portuguesas, espalhadas pelo mundo, representando esta figura histórica, verdadeiro símbolo da identidade nacional.

E, sob sua inspiração, tais comemorações ganham uma dimensão que transcende a simples celebração de uma efeméride, para se constituir em verdadeiro apelo à consciência e aos sentimentos de todos os portugueses espalhados pelos diversos cantos do mundo.

Como salientou o escritor Frederico Perry Vidal, “Portugal, Camões e as Comunidades Portuguesas no mundo são realidades de tal forma expressivas, na sua riqueza moral intrínseca e no seu transcendente significado humano, que jamais qualquer de nós pode aceitar encará-las com indiferença passiva, despojada de uma profunda vibração de alma.”

Realmente, continua viva e eficaz, a figura símbolo de Camões, como ponto de união de todos os portugueses de ontem, de hoje e de sempre! Afonso Lopes Vieira, escritor estruturalmente lusíada, ao referir-se a Camões, escreveu:

“Camões não é apenas o maior, mas também o mais moço dos poetas portugueses, porque é a mais viva encarnação do espírito português, não só nas suas obras, mas no seu pensamento e na vida que o animam. Realmente, é certo que Camões representa, como tipo humano, o português de todos os tempos!”

E, dentro deste diapasão, é que devem ser compreendidas as comemorações que se efetivam todos os anos.

Basicamente, o 10 de Junho, é Dia Nacional, no qual o papel pujante do homem lusíada é colocado em relevo, servindo para estabelecer uma corrente de amor, saudade e fé entre milhões de portugueses que um dia tiveram que deixar o seu país.

Pensamos que o significado destas comemorações é adequado a abranger e referendar esta realidade, na qual as Comunidades Portuguesas têm um papel fundamental, pois sempre se fizeram presentes e vigilantes nos grandes momentos nacionais.

Efetivamente, os emigrantes sempre estiveram sintonizados e motivados com tudo o que se passou e passa em nossa terra. Na verdade, o nosso distanciamento é meramente geográfico, porque para onde fomos, jamais deixamos de estar com o nosso país e com essa parcela do povo que vive dentro das suas fronteiras.

Não se pode ignorar o trabalho que estas Comunidades exercem nos países de acolhimento, contribuindo, dia a dia, mês a mês, ano a ano, com a construção de uma imagem forte do nosso país e de nosso povo, e que tem dignificado o conceito de ser português, que para onde foi amealha o dinheiro da honradez, que dá filhos ao estrangeiro que choram em português, como escreveu César de Oliveira.

Um conceito que faz parte do perfil moral dos homens que foram expoentes de referência de sucessivas gerações, e por conseqüência, os construtores sucessivas comunidades em todo mundo, através das quais temos realizado a nossa vocação universalista.

Aos governos cabe compreender, definitivamente, que as Comunidades Portuguesas são uma vertente estratégica da nossa política externa e como tal devem procurar implementar um conjunto de objetivos que materialize um conceito na área política, econômica e cultural, que dinamize os vínculos que unem Portugal e essas Comunidades, permitindo ao país projetar mais e melhor a sua imagem e interesses vitais, que facilitem o estreitamento dos laços de amizade e colaboração com os países que acolheram, ao longo dos anos, tantos dos nossos compatriotas.

O conhecimento recíproco e a aplicação efetiva do princípio da igualdade de direitos entre portugueses residentes e não residentes, vão contribuir progressivamente para o desaparecimento de quaisquer fronteiras e a eliminação de injustiças, de modo a que todos os portugueses, os da Europa, da África, da América, da Ásia ou da Oceania, se sintam cidadãos plenos da pátria portuguesa. Portugal precisa estabelecer relações assíduas, normais e eficazes com as sua Comunidades, dando-lhes apoio, intervindo no espaço que lhe é concedido nas relações com os países de acolhimento e aproveitando o esforço, a experiência e criatividade dos seus filhos pelo mundo espalhados.

Essa será uma forma efetiva de comemorar condignamente tão importante data!

Antonio de Almeida e Silva

Presidente do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo


 

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