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Ao festejar “10 de Junho”, a data magna
da nação portuguesa, surge mais uma vez o momento de reflexão,
acerca da importância inegável desta comemoração.
Sob a égide do imortal poeta da raça
Lusitana, Luiz Vaz de Camões, efetivam-se festividades em todas as
Comunidades Portuguesas, espalhadas pelo mundo, representando esta
figura histórica, verdadeiro símbolo da identidade nacional.
E, sob sua inspiração, tais comemorações
ganham uma dimensão que transcende a simples celebração de uma
efeméride, para se constituir em verdadeiro apelo à consciência e
aos sentimentos de todos os portugueses espalhados pelos diversos
cantos do mundo.
Como salientou o escritor Frederico
Perry Vidal, “Portugal, Camões e as Comunidades Portuguesas no
mundo são realidades de tal forma expressivas, na sua riqueza
moral intrínseca e no seu transcendente significado humano, que
jamais qualquer de nós pode aceitar encará-las com indiferença
passiva, despojada de uma profunda vibração de alma.”
Realmente, continua viva e eficaz, a
figura símbolo de Camões, como ponto de união de todos os
portugueses de ontem, de hoje e de sempre! Afonso Lopes Vieira,
escritor estruturalmente lusíada, ao referir-se a Camões,
escreveu:
“Camões não é apenas o maior, mas também
o mais moço dos poetas portugueses, porque é a mais viva
encarnação do espírito português, não só nas suas obras, mas no
seu pensamento e na vida que o animam. Realmente, é certo que
Camões representa, como tipo humano, o português de todos os
tempos!”
E, dentro deste diapasão, é que devem
ser compreendidas as comemorações que se efetivam todos os anos.
Basicamente, o 10 de Junho, é Dia
Nacional, no qual o papel pujante do homem lusíada é colocado em
relevo, servindo para estabelecer uma corrente de amor, saudade e
fé entre milhões de portugueses que um dia tiveram que deixar o
seu país.
Pensamos que o significado destas
comemorações é adequado a abranger e referendar esta realidade, na
qual as Comunidades Portuguesas têm um papel fundamental, pois
sempre se fizeram presentes e vigilantes nos grandes momentos
nacionais.
Efetivamente, os emigrantes sempre
estiveram sintonizados e motivados com tudo o que se passou e
passa em nossa terra. Na verdade, o nosso distanciamento é
meramente geográfico, porque para onde fomos, jamais deixamos de
estar com o nosso país e com essa parcela do povo que vive dentro
das suas fronteiras.
Não se pode ignorar o trabalho que estas
Comunidades exercem nos países de acolhimento, contribuindo, dia a
dia, mês a mês, ano a ano, com a construção de uma imagem forte do
nosso país e de nosso povo, e que tem dignificado o conceito de
ser português, que para onde foi amealha o dinheiro da honradez,
que dá filhos ao estrangeiro que choram em português, como
escreveu César de Oliveira.
Um conceito que faz parte do perfil
moral dos homens que foram expoentes de referência de sucessivas
gerações, e por conseqüência, os construtores sucessivas
comunidades em todo mundo, através das quais temos realizado a
nossa vocação universalista.
Aos governos cabe compreender,
definitivamente, que as Comunidades Portuguesas são uma vertente
estratégica da nossa política externa e como tal devem procurar
implementar um conjunto de objetivos que materialize um conceito
na área política, econômica e cultural, que dinamize os vínculos
que unem Portugal e essas Comunidades, permitindo ao país projetar
mais e melhor a sua imagem e interesses vitais, que facilitem o
estreitamento dos laços de amizade e colaboração com os países que
acolheram, ao longo dos anos, tantos dos nossos compatriotas.
O conhecimento recíproco e a aplicação
efetiva do princípio da igualdade de direitos entre portugueses
residentes e não residentes, vão contribuir progressivamente para
o desaparecimento de quaisquer fronteiras e a eliminação de
injustiças, de modo a que todos os portugueses, os da Europa, da
África, da América, da Ásia ou da Oceania, se sintam cidadãos
plenos da pátria portuguesa. Portugal precisa estabelecer relações
assíduas, normais e eficazes com as sua Comunidades, dando-lhes
apoio, intervindo no espaço que lhe é concedido nas relações com
os países de acolhimento e aproveitando o esforço, a experiência e
criatividade dos seus filhos pelo mundo espalhados.
Essa será uma forma efetiva de comemorar
condignamente tão importante data!
Antonio de Almeida e
Silva
Presidente do Conselho da Comunidade
Luso-Brasileira do Estado de São Paulo
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