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Neste dia de celebração, o Dia de
Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, num tempo de
trabalhos mais difíceis, vividos à escala mundial, na economia e
no emprego, exprimo a solidariedade do Governo de Portugal diante
das dificuldades e a esperança em que nos diversos governos do
mundo se construam as pontes para os compromissos duradoiros,
principalmente nos domínios social e económico.
Portugal é um país que se estende muito
para além do próprio espaço geográfico, é um país cuja “alma” vai
muito para além de si, é uma Nação que cobre o mundo por via dos
mais de cinco milhões de compatriotas que lançam raízes, projectam
o valor da língua, promovem a cultura, a história, ou realizam o
encontro como forma de relacionamento com as sociedades onde se
inserem.
Essa arrojada forma de ser convoca o
Estado, permanentemente, para um renovado olhar das políticas
direccionadas à Diáspora, consubstanciadas no desenvolvimento das
condições efectivas para o exercício dos direitos de cidadania.
Aí, tal como aqui.
Está fora do tempo e do lugar qualquer
relação assente na retórica sentimentalista, ainda que mesclada
pelo brilho atraente de bondosas acções. Falo, antes, deste tempo
e deste lugar. Refiro a concretização de programas, a renovação e
implementação de novos serviços e novas modalidades de acesso,
cuja finalidade consiste na sua qualificação e utilidade, tendo em
vista garantir os direitos de cidadania.
Importa, antes de mais, promover a
igualdade de tratamento e de oportunidades, dimensionar as
políticas sociais, educativas, culturais ou económicas que se
praticam no país, de modo a levar em conta os concidadãos
residentes no estrangeiro.
Hoje Portugal está em condições de dar
esse passo, feitas que foram as adaptações técnicas nas
representações diplomáticas e consulares, das mais avançadas do
mundo ao nível tecnológico, com capacidade de resposta muito
próxima das criadas no país.
A mais que tradicional tese da saudade,
aquela que nos apega ao marcar passo, a que está associada a
mecanismos de contemplação ao passado, explicou pouco do muito que
estava em falta. Os afectos, remetendo a saudade para essa
categoria de sentimentos, são muito importantes para construir e
reforçar os laços de vinculação colectiva à Língua de Camões e à
História de Portugal, sem as quais não havia pertença. Mas nenhuma
comunidade, expatriada ou não, pode viver apenas dos rendimentos
desse património, por mais rico que ele seja.
Agir, fazer, levar próximo o Portugal
moderno é uma exigência cívica e política que o Governo cumpre com
honra e orgulho. Construir igualmente uma interactividade que
traduza o potencial inexplorado da exportação do melhor de
Portugal através das comunidades e que consiga trazer de volta
para o país mais conhecimento ou experiências, é uma necessidade
reconhecida.
Valorizar os Portugueses que trabalham
no estrangeiro, quer por sinais públicos de mérito, quer na
criação das condições para o exercício dos direitos de cidadania é
uma constante programática cuja concretização vê a luz do dia nas
mais diversas iniciativas, desde a modernização consular até ao
“Talentos” ou “Lusavox”.
Este é o tempo que nos coube viver. As
dificuldades da actual conjuntura global constituem novos
incentivos, radicados no património histórico de quase novecentos
anos. Ser Português é partilhar dessa honra.
Dr. António Braga
Secretário de Estado das Comunidades
Portuguesas
De Portugal
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