|
O Governo português não está a cumprir o
encargo constitucional que o obriga à defesa e promoção do Ensino
de Português no Estrangeiro para filhos de emigrantes.
As cidades de Kassel, Bad Karlshafen,
Bad Arolsen, e Diemelstadt Rhoden, na Alemanha, encontram-se desde
o dia um de Março sem aulas de português.
Apesar das associações de pais terem
alertado o Ministério da Educação e o Embaixador, já em 2007, para
a situação vagante de professor a partir de Fevereiro de 2009, o
ME, como de costume, encerrou-se no seu autismo habitual mantendo
os portugueses numa expectativa de súbditos, que não de cidadãos.
Este não é um caso isolado. O problema
do ensino é um quebra-cabeças em muitas comunidades de emigrantes
pelo mundo. Lisboa não toma a sério, nem os portugueses nem as
suas estruturas nas embaixadas. De facto, a Coordenação-Geral do
Ensino da Embaixada de Portugal na Alemanha já tinha feito uma
proposta de ser colocadas a concurso as referidas cidades.
Temos uma classe política de ingratos
que teima em viver à custa do povo trabalhador. Os emigrantes
continuam a enviar 8 milhões de euros por dia para Portugal
impedindo assim, juntamente com os apoios financeiros da União
Europeia, que Portugal vá à falência.
Desde 1998 o ensino de Português no
estrangeiro tem piorado, limitando-se à miséria administrativa
mais preocupada em servir partidos e governos do que em encontrar
soluções para os problemas dos portugueses.
Os portugueses a viver na Alemanha não
querem perder a sua identidade cultural, por isso sofrem ao ver em
casa os filhos que antes frequentavam assiduamente e com interesse
as aulas de língua e cultura portuguesas. É preciso manter o
bilinguismo não chegando uma desculpa política, de mau pagador, da
integração.
As associações de pais sentem-se
impotentes e sem fala perante políticos tão alheios à realidade e
aos interesses da nação portuguesa e dos portugueses sempre mais
castigados pelos governos.
Se é verdade, como dizia João Paulo II,
que “a nação existe pela cultura e para a cultura” não chega o
subterfúgio duma política de ensino desmotivadora em vigor, com
programas virtuais, exames “ad-hoc” e ideias peregrinas
desculpadoras de políticos que mais parecem mercenários do que
representantes dum povo e duma cultura.
Os alunos luso-descendentes e, em
especial, os pais, querem o português como uma língua de
referência, querem continuar numa situação de bilingues.
Os alunos encontram-se inseridos em dois
grupos sociais distintos que os levam a ter uma prevalência
psicológica pelo registo português e pelo registo de língua
ambiente, sendo o professor um alto modelo de identificação.
Esperamos que no dia 24 de Agosto,
começo do novo ano lectivo em Hessen, as crianças venham a ter
aulas. Para o ano lectivo 2900/2010 a Coordenação Geral do Ensino
incluiu as referidas localidade na rede de ensino com um horário
de 17 horas (15 lectivas e 2 para deslocações).
António da Cunha
Duarte Justo
http://antonio-justo.blogspot.com/
|