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Há muitos anos que temos
na mais alta consideração D. Nuno Álvares Pereira, que foi o
principal consolidador da Independência de Portugal, com as
vitórias sobre os castelhanos em Atoleiros (08-04-1384),
Aljubarrota (14-08-1385) e Valverde (02-10-1385). O título de
Beato, atribuído pelo Vaticano em 1919, prenunciava a sua
santificação, oficializada – finalmente! - pelo Papa Bento XVI em
26 de Abril de 2009, depois de uma série de adiamentos que se
explicam por certos distúrbios internacionais que a Igreja
Católica não poderia ignorar.
Descendente de uma família
aristocrata, D. Nuno Álvares Pereira era filho de D. Álvaro
Álvares Pereira, que tinha o título honorífico de Prior da Ordem
do Hospital, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal, que viveu na
Corte, onde o jovem Nuno, nascido no castelo de Cernache do
Bomjardim (ou em Flor da Rosa), ambicionava seguir os lendários
Cavaleiros da Távola Redonda. Admirava as histórias de Cavalaria e
dos Santos, pois era muito piedoso. E aos 13 anos foi armado
Cavaleiro pela Rainha D. Leonor Teles, que casara com o Rei D.
Fernando.
Não sabemos se os Correios
acederam ao pedido de um grupo de portugueses que sugeriu a
emissão de um selo que de Portugal levasse ao Mundo a imagem do
novo Santo, mas não há dúvida de que a sua vida e obra foram
sempre louvadas pelo Povo. E se o processo de canonização foi
demorado devem ser recordadas agora algumas das figuras
exponenciais da História de Portugal que ratificaram várias vezes
o voto popular ao primeiro pedido de canonização foi certamente o
do Rei D. Duarte, em 22-09-1437, conforme carta ao Abade João
Gomes – “fazemo-vos saber que nós ainda não houvemos o desembargo
que saiu do caninozamento do Santo Condestável, para que se tire a
inquirição, que sobre isto se costuma fazer” (a carta está na
Biblioteca Laurenziana de Florença).
Mais tarde, o Rei D. João
IV propôs às Cortes de 1641 o envio de uma petição ao Papa Urbano
VIII reiterando a canonização formal. E novas solicitações se
fizeram em 1674 e 1894, mas somente em 15 de Janeiro de 1918 a
Congregação dos Ritos aprovou a Festa de D. Nuno com a
“Confirmação de Culto Antigo”. E em 14 de Novembro seguinte o Papa
Bento XV considerou “Bem-Aventurado” ou “Beato” o Frade Carmelita
português, que desde então pôde ser venerado nos altares
católicos.
Em 1940, os Prelados de
Portugal solicitaram ao Papa Pio XII a reabertura do processo de
santificação de D. Nuno - e o pedido foi aceite no ano seguinte.
Porém, só com o Santo Padre Bento XVI ocorreu a santificação, em
Roma, aos 26 dias deste mês de Abril. Desde a morte de Frei Nuno
de Santa Maria (no Convento do Carmo, em Lisboa, no dia
01-04-1431) decorreram 578 anos, mas – como diz o Povo, que é
sábio – “quem espera sempre alcança!”.
Deverá recordar-se que não
faltam milagres atribuídos ao Santo Condestável de Portugal, antes
e depois da sua morte: em mensagem que nos enviou de Lisboa o
escritor José Campos e Sousa observou-nos que nas Chronicas dos
Carmelitas estão anotadas 24 curas de paralítico, alcançadas por
intercessão de Frei D. Nuno, além de 21 curas de cegos e mais 21
de surdez, 18 moléstias internas e 6 aparições. E na Chronica do
Condestável (publicada no reinado de D. Duarte) são-lhe atribuídos
221 milagres, mas o rol continuou a ser aumentado desde os tempos
do Rei D. Afonso e nos seguintes.
Porquê mais de cinco
séculos para que o Vaticano chegasse à Santificação? Os católicos
admitem que este caminho é longo e cheio de obstáculos. Para eles,
os milagres não se inventam – é imprescindível documentá-los. José
Campos e Sousa esclarece que na longa peregrinação do processo foi
preciso derrubar grandes obstáculos: “Poderosas pressões
diplomáticas de certo país sempre se opuseram a este desejo dos
portugueses”. É por demais evidente que o “certo país” foi o
orgulhoso reino de Castela que até hoje não se conforma por ter
sido derrotado três vezes seguidas pelo pequeno Portugal...
Bem explicou Luís de
Camões: “Dom Nuno Álvares digo: verdadeiro / Açoute de soberbos
Castelhanos,” e no poema “Nun’Alvares Pereira” Fernando Pessoa
acrescentou: “Sperança consummada/ S. Portugal em ser,/ Ergue a
luz da tua espada/Para a entrada se ver!”
João Alves das Neves
Escritor português residente no
Brasil
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