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Por José Augusto do Rosário


Segunda-feira | 07 JUL 08

“Cabo Verde, Trinta e Três anos de Independência”

No momento em que comemora seu 33º Aniversário de independência, podemos afirmar que efetivamente Cabo Verde atingiu sua maturidade. Já não somos mais “Os flagelados do vento leste” como descreveu o escritor caboverdiano Manuel Lopes em seu romance dos idos “Claridosos”.

O Cabo Verde de hoje está bem diferente daquele que passou por uma conquista de independência, que nos foi cara, e que aconteceu simultaneamente com o fechamento das fronteiras internacionais para imigração, principal fonte de renda do arquipélago naquela época. Passou também por um período pós-independência conturbado, por total ausência de estrutura e experiência de sua gente na gestão de um país. Contudo tínhamos paz, uma fé incontestável e enorme vontade de trabalhar para construir uma nação. Com este três elementos superamos todas as adversidades, e o resultado é que Cabo Verde vem se transformando e crescendo a olhos vistos.

Se antes nossos problemas estavam relacionados à falta de chuvas e as secas cíclicas, que nos foi atroz por séculos, proporcionadas pela nossa malfadada situação géo-climática, agora estes problemas estão relacionados ao progresso e a globalização, ou seja, não são outros que não os inevitáveis problemas sociais que o desenvolvimento traz em seu bojo.

Mas Cabo Verde hoje está inserido em um contexto de evolução e desenvolvimento que surpreende até mesmo os mais otimistas. Atingimos tão surpreendentes índices de alfabetização, diminuição da mortalidade infantil e desenvolvimento social que nos levaram em tempo recorde, a sair de uma condição de país pobre a uma condição de país de desenvolvimento médio, com grandes perspectivas de futuro. O acordo especial com a União Européia e a entrada na Organização Mundial do Comércio são outros fatores que trazem grandes perspectivas de avanço para o nosso país.

O Cabo Verde de hoje não é mais aquele que tinha extrema dependência das remessas de seus filhos emigrados e da contribuição internacional, que, diga-se de passagem, soube bem investi-lo, fato este que lhe valeu ser escolhido como um dos lugares para se aplicar uma grande parcela da verba destinada ao projeto “Desafios do Milênio”.

O Cabo Verde de hoje é aquele que presta serviços e que explora o turismo, sua principal aposta de futuro, onde imensos hotéis de categoria internacional surgem a cada dia como se brotassem do chão.

O Cabo Verde de hoje, é aquele de Cesária Évora, de Tito Paris, de Lura, de Mayra Andrade, de Tcheka e de tantos outros talentos de nossa música, que levam nossa bandeira a ser conhecida aos mais diversos e longínquos paises, através de sua música.

É também o Cabo Verde que soube bem buscar seus parceiros, no caminho do desenvolvimento, e se fazer respeitado dada à seriedade e competência de seu povo e seus representantes, dotados que foram por Deus de incrível capacidade intelectual. O Cabo Verde de hoje é aquele que desfruta do bom investimento feito no passado na educação de suas crianças. Esta aposta hoje lhe proporciona tirar um maior proveito de seus quadros profissionais, os quais são expoentes positivos em várias frentes político-sociais, não só em Cabo Verde como espalhados pelo mundo.

O Cabo Verde de hoje é aquele ainda de bases construídas sob sólida democracia e que goza de eterna estabilidade política, o que dá ao país enorme credibilidade. O Cabo Verde de hoje e seu povo seguem teimando em afrontar sua sorte e contrariar seu destino. O Cabo Verde de hoje e o do amanhã, que nesse momento se constrói, pela força de vontade de seu povo, quer em solo caboverdiano, quer espalhados na imensa diáspora, há que ser cada dia melhor.

“Viva Cabo Verde”

José Augusto do Rosário

Presidente da Associação Caboverdiana do Brasil


 

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