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No momento em que comemora seu 33º
Aniversário de independência, podemos afirmar que efetivamente
Cabo Verde atingiu sua maturidade. Já não somos mais “Os
flagelados do vento leste” como descreveu o escritor caboverdiano
Manuel Lopes em seu romance dos idos “Claridosos”.
O Cabo Verde de hoje está bem diferente
daquele que passou por uma conquista de independência, que nos foi
cara, e que aconteceu simultaneamente com o fechamento das
fronteiras internacionais para imigração, principal fonte de renda
do arquipélago naquela época. Passou também por um período
pós-independência conturbado, por total ausência de estrutura e
experiência de sua gente na gestão de um país. Contudo tínhamos
paz, uma fé incontestável e enorme vontade de trabalhar para
construir uma nação. Com este três elementos superamos todas as
adversidades, e o resultado é que Cabo Verde vem se transformando
e crescendo a olhos vistos.
Se antes nossos problemas estavam
relacionados à falta de chuvas e as secas cíclicas, que nos foi
atroz por séculos, proporcionadas pela nossa malfadada situação
géo-climática, agora estes problemas estão relacionados ao
progresso e a globalização, ou seja, não são outros que não os
inevitáveis problemas sociais que o desenvolvimento traz em seu
bojo.
Mas Cabo Verde hoje está inserido em um
contexto de evolução e desenvolvimento que surpreende até mesmo os
mais otimistas. Atingimos tão surpreendentes índices de
alfabetização, diminuição da mortalidade infantil e
desenvolvimento social que nos levaram em tempo recorde, a sair de
uma condição de país pobre a uma condição de país de
desenvolvimento médio, com grandes perspectivas de futuro. O
acordo especial com a União Européia e a entrada na Organização
Mundial do Comércio são outros fatores que trazem grandes
perspectivas de avanço para o nosso país.
O Cabo Verde de hoje não é mais aquele
que tinha extrema dependência das remessas de seus filhos
emigrados e da contribuição internacional, que, diga-se de
passagem, soube bem investi-lo, fato este que lhe valeu ser
escolhido como um dos lugares para se aplicar uma grande parcela
da verba destinada ao projeto “Desafios do Milênio”.
O Cabo Verde de hoje é aquele que presta
serviços e que explora o turismo, sua principal aposta de futuro,
onde imensos hotéis de categoria internacional surgem a cada dia
como se brotassem do chão.
O Cabo Verde de hoje, é aquele de
Cesária Évora, de Tito Paris, de Lura, de Mayra Andrade, de Tcheka
e de tantos outros talentos de nossa música, que levam nossa
bandeira a ser conhecida aos mais diversos e longínquos paises,
através de sua música.
É também o Cabo Verde que soube bem
buscar seus parceiros, no caminho do desenvolvimento, e se fazer
respeitado dada à seriedade e competência de seu povo e seus
representantes, dotados que foram por Deus de incrível capacidade
intelectual. O Cabo Verde de hoje é aquele que desfruta do bom
investimento feito no passado na educação de suas crianças. Esta
aposta hoje lhe proporciona tirar um maior proveito de seus
quadros profissionais, os quais são expoentes positivos em várias
frentes político-sociais, não só em Cabo Verde como espalhados
pelo mundo.
O Cabo Verde de hoje é aquele ainda de
bases construídas sob sólida democracia e que goza de eterna
estabilidade política, o que dá ao país enorme credibilidade. O
Cabo Verde de hoje e seu povo seguem teimando em afrontar sua
sorte e contrariar seu destino. O Cabo Verde de hoje e o do
amanhã, que nesse momento se constrói, pela força de vontade de
seu povo, quer em solo caboverdiano, quer espalhados na imensa
diáspora, há que ser cada dia melhor.
“Viva Cabo Verde”
José Augusto do
Rosário
Presidente da Associação Caboverdiana
do Brasil
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