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Por Hélio Bernardo Lopes


Sexta-feira | 04 JUL 08

“O Falso Moralismo Europeu”

Desde que teve início o recente tempo eleitoral no Zimbabué que tenho podido acompanhar mais uma das típicas e constantes manifestações europeias de hipocrisia, defendendo nuns casos o que não pratica noutros.

A prova de que tenho razão tornar-se-á muitíssimo clara se nos recordarmos, por exemplo, do verdadeiro genocídio que tem vindo a ter lugar, desde há uns bons anos a esta parte, no Darfour, sem que a União Européia e os Estados que a constituem tenham feito um gesto com efeitos mínimos. Tudo se tem ficado por meras palavras, nas televisões ou em artigos académicos.

Mas podemos também recordar o caso dos voos da CIA e das correspondentes prisões em locais diversos da União Européia. E que foi feito dos culpados? Acaso se fez luz sobre o que se percebe facilmente ter-se passado? Claro que não! E não teria de ser este o desfecho? Ora, pois claro que sim!

E porque não recordar Augusto Pinochet, que acabou mesmo por ser alvo de honras militares no seu funeral, para mais com a patética presença da ministra da Defesa, que também no Chile persiste em continuar a dizer-se socialista...?

Todo este hipócrita comportamento político da União Europeia, e dos países que a constituem, está igualmente presente nessa violação histórica que foi a dita independência do Kosovo, ao mesmo tempo que vão continuando a contemporizar com essa outra violação histórica que tem lugar no País Basco. Uma tremenda hipocrisia!
Ora, se é verdade que no caso do Zimbabué há uma indiscutível violação de direitos, liberdades e garantias dos cidadãos nacionais que discordam da política de Robert Mugabe, também é verdade que tal violação está a anos-luz do que se vem passando no Darfour, ou do que se passou no Chile, ou, porventura, das mil e uma violações de tipo diverso que tiveram lugar no caso dos voos da CIA e dos seus prisioneiros.

O que se tem visto em torno da reprovação do Tratado de Lisboa pela Irlanda, mostra que este caso do Zimbabué só muito marginalmente tem a ver com a violação da democracia e dos direitos humanos por tais paragens, sendo, acima de tudo, consequência da nacionalização dos bens de cidadãos britânicos por parte do poder político liderado por Robert Mugabe. Com ou sem democracia, o que mais interessa aos
ingleses, que tanto se opõem a Mugabe, são os bens que lhes foram confiscados.

Não admira, pois, que os europeus acreditem cada vez menos na União Européia e nos seus líderes, seja pelo crescimento rápido da pobreza que os está já a atingir, seja porque já terão percebido que a União Europeia hoje em construção está muito longe de se poder considerar um espaço de real vivência democrática. Como não ter medo, pois, de referendar o Tratado de Lisboa?!

Hélio Bernardo Lopes

De Portugal


 

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