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Por Francisco G. de Amorim


Domingo | 15 JUN 08

“Globalização = Fraternidade ?”

O grande mestre historiador Arnold Toynbee, quando há mais de 40 anos, em sua esclarecida mente, previa que a globalização trouxesse o estender a mão ao mais desfavorecido, que o primeiro mundo iría abraçar e dividir suas riquezas com o terceiro, sem mesmo passar pelo sempre obscuro segundo, sonhava. Sonhava com um mundo que acabaria por esquecer as suas divergências religiosas, filosofias políticas, desconfiança entre cores das peles e outras mentiras, atrás de que os poderosos sempre se entrincheiraram para aumentar o seu status social ou o seu poderio financeiro.

Foi nesta nossa época que pela primeira vez apareceu uma visão universal sobre a história da humanidade. Que seriamos, e somos, todos, descendentes dos mesmos ancestrais, que os séculos ou milênios distribuíram pelo mundo e nos proporcionaram características diferenciadas, aumentando assim, na sua variedade a beleza total do ser humano.

Há dois mil anos o Filho do Homem, sem sonhar, veio dizer-nos tudo isto, com enorme clareza e humildade, e muitos homens, à sombra dos seus ensinamentos de fraternidade, aproveitaram para se impor e explorar os mais simples e mais fracos.

Ainda hoje se explora o mais incauto com religiões ou seitas falsas, ainda se incita à guerra “santa” e, pior, com argumentação e verdades falsas a indústria de armamento continua a progredir e a ser uma das fontes de grande riqueza de muitos países, sobretudo aqueles que teriam obrigação a ser os primeiros a estender a mão aos mais desfavorecidos.

Fazem-se tratados de não produção de algumas armas, terrivelmente mortais (aliás qualquer arma é mortal), e os poderosos, como os EUA, Rússia e China e outros, não assinam porque continuam a ter clientes a quem incentivam para prosseguirem na guerra e no consumo de material assassino.

Assistimos agora à desenfreada escalada dos preços do petróleo e dos alimentos. Não porque num repente o terceiro mundo estará com mais fome, mas unicamente porque os poderosos que especulam na área financeira através do mundo, preferem ganhar os mesmos por cento em cima de muito do que em cima de pouco.

Esta “estratégia” financeira acabará por estrangular a Europa. A seguir os EUA. O Oriente e a Rússia, até há pouco tempo ignorados do capital consumista, darão risada e vingam-se dos destratos que passaram.

O Brasil, que só por si pode alimentar talvez metade da população terrestre, para o que necessita somente de seriedade, planejamento e investimento, parece não ter ainda percebido que perigosos inimigos, cancerígenos, se desenvolvem, livremente no seu seio: os grupos armados terroristas, entre eles o MST e LCP.

Se não se “atacar” o mal a tempo talvez o Brasil não consiga nem se alimentar a si próprio. E, em vez de entrar na globalização e estender a mão aos irmãos, agonizará em lutas internas, perdendo a oportunidade de finalmente deixar de ser “o país do futuro” sem ver chegar aquele “Quinto Império” em que o imperador será um menino, símbolo da inocência, e como toda a criança, estender a mão a todos, sem qualquer distinção!

Dia 13 de junho é o dia de Santo António. O santo casamenteiro, da união, do “Pão dos Pobres” que ele tanto gostava de distribuir. Se vivesse hoje qual seria a reação do Santo perante tamanho desaforo e permanente insulto da sociedade face à especulação e à fome? Podemos pedir-lhe que interceda, quando, do fundo do nosso íntimo, formos capazes de fazer uma oração simples: - Senhor, onde houver discórdia, que eu leve a união!

Francisco G. de Amorim

Do Rio de Janeiro, Brasil


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