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O grande mestre historiador Arnold
Toynbee, quando há mais de 40 anos, em sua esclarecida mente,
previa que a globalização trouxesse o estender a mão ao mais
desfavorecido, que o primeiro mundo iría abraçar e dividir suas
riquezas com o terceiro, sem mesmo passar pelo sempre obscuro
segundo, sonhava. Sonhava com um mundo que acabaria por esquecer
as suas divergências religiosas, filosofias políticas,
desconfiança entre cores das peles e outras mentiras, atrás de que
os poderosos sempre se entrincheiraram para aumentar o seu status
social ou o seu poderio financeiro.
Foi nesta nossa época que pela primeira
vez apareceu uma visão universal sobre a história da humanidade.
Que seriamos, e somos, todos, descendentes dos mesmos ancestrais,
que os séculos ou milênios distribuíram pelo mundo e nos
proporcionaram características diferenciadas, aumentando assim, na
sua variedade a beleza total do ser humano.
Há dois mil anos o Filho do Homem, sem
sonhar, veio dizer-nos tudo isto, com enorme clareza e humildade,
e muitos homens, à sombra dos seus ensinamentos de fraternidade,
aproveitaram para se impor e explorar os mais simples e mais
fracos.
Ainda hoje se explora o mais incauto com
religiões ou seitas falsas, ainda se incita à guerra “santa” e,
pior, com argumentação e verdades falsas a indústria de armamento
continua a progredir e a ser uma das fontes de grande riqueza de
muitos países, sobretudo aqueles que teriam obrigação a ser os
primeiros a estender a mão aos mais desfavorecidos.
Fazem-se tratados de não produção de
algumas armas, terrivelmente mortais (aliás qualquer arma é
mortal), e os poderosos, como os EUA, Rússia e China e outros, não
assinam porque continuam a ter clientes a quem incentivam para
prosseguirem na guerra e no consumo de material assassino.
Assistimos agora à desenfreada escalada
dos preços do petróleo e dos alimentos. Não porque num repente o
terceiro mundo estará com mais fome, mas unicamente porque os
poderosos que especulam na área financeira através do mundo,
preferem ganhar os mesmos por cento em cima de muito do que em
cima de pouco.
Esta “estratégia” financeira acabará por
estrangular a Europa. A seguir os EUA. O Oriente e a Rússia, até
há pouco tempo ignorados do capital consumista, darão risada e
vingam-se dos destratos que passaram.
O Brasil, que só por si pode alimentar
talvez metade da população terrestre, para o que necessita somente
de seriedade, planejamento e investimento, parece não ter ainda
percebido que perigosos inimigos, cancerígenos, se desenvolvem,
livremente no seu seio: os grupos armados terroristas, entre eles
o MST e LCP.
Se não se “atacar” o mal a tempo talvez
o Brasil não consiga nem se alimentar a si próprio. E, em vez de
entrar na globalização e estender a mão aos irmãos, agonizará em
lutas internas, perdendo a oportunidade de finalmente deixar de
ser “o país do futuro” sem ver chegar aquele “Quinto Império” em
que o imperador será um menino, símbolo da inocência, e como toda
a criança, estender a mão a todos, sem qualquer distinção!
Dia 13 de junho é o dia de Santo
António. O santo casamenteiro, da união, do “Pão dos Pobres” que
ele tanto gostava de distribuir. Se vivesse hoje qual seria a
reação do Santo perante tamanho desaforo e permanente insulto da
sociedade face à especulação e à fome? Podemos pedir-lhe que
interceda, quando, do fundo do nosso íntimo, formos capazes de
fazer uma oração simples: - Senhor, onde houver discórdia, que eu
leve a união!
Francisco G. de
Amorim
Do Rio de Janeiro, Brasil
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