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Sobretudo nos EUA um indivíduo, se tiver
a pele mais escura do que o “padrão” estabelecido, ou é índio ou
latino ou afro-descendente! Os do “padrão” - importados também -
são simplesmente americanos e por isso se julgam donos do pedaço!
Devagar o tempo vai mostrando que esse tal padrão foi mal
escolhido!
Eu que serei descendente de iberos e
incógnitos, de iemenitas do sul – um dos primeiros povos a chegar
à Península Ibérica – fenícios e gregos, cartagineses, berberes e
negros, celtas e bascos, suevos e alanos, godos e visigodos,
romanos e árabes, e certamente de lusitanos, com 50% de
antepassados nascidos no Brasil, vindos possivelmente dessa mesma
misturada, vou-me classificar como? Poderia até ser
banto-descendente, já que banto nada mais significa do que
“gente”! Só encontro enfim uma designação “multi-descendente”, o
que me deveria dar direito a um passaporte (coisa estúpida,
inventada, segundo dizem, pelos franceses no século XVI) emitido
por mais de cinqüenta países!
A verdade é que quando se trata de um
americano mais escuro lá vem o irritante carimbo de
“afro-descendente”!
O século XX foi pródigo em nos dar
exemplos de grandes, grandes, personagens de África, no topo dos
quais não hesito em colocar Nelson Mandela. Mas não só: Leopold
Senghor, Martin Luther King, Pelé e Eusébio, Desmond Tutu, Sidney
Poitier, Louis Armstrong e muitos outros que Deus sabe o quanto
lutaram para se impor.
Agora, depois de se assistir a
praticamente todos os desportos serem dominados pelos africanos,
desde Tiger Woods há 500 semanas à cabeça do ranking mundial, num
desporto que em princípio estava – e ainda é – muito reservado à
classe dominante, Lewis Hamilton na Fórmula 1 e o jovem francês
Monfils com as irmãs Williams no tênis, Ronaldo, Ronaldinho e
Zidane, Oprah Winfrey, a celebridade mais admirada em todo o mundo
ocidental, ao imenso escol de artistas musicais em todo o gênero,
surge na constelação das estrelas americanas um fenômeno novo:
Barak Obama.
Jovem, boa pinta, culto, educado,
admirado no mundo inteiro, desafiando o status quo dos americanos
racistas, representa, sem que as pessoas saibam exatamente porque,
uma esperança nova para este mundo cansado de guerras e de
inflação provocada artificialmente.
Já torci mais pelo Obama, para que
ganhasse as prévias, do que jamais me aconteceu com qualquer outra
eleição no mundo. E já vi muitas. Muitas. Em que os candidatos ou
não apresentavam nada de novo ou pelo contrário se apresentavam
como uma solução retrógrada e perigosa para o país. Vi isso
acontecer e... continuo a ver!
Obama traz uma esperança grande, não só
aos americanos que talvez deixem de ser chamados afro-descendentes,
para serem unicamente o que são, americanos, da mesma maneira que
os índios americanos também deveriam deixar de ser chamados de
índios ou mongólico-descendentes (se é que vieram do interior da
Ásia), a todos os povos que podem, e devem, assistir a um
decrescer das atitudes racistas.
Ainda não foi eleito presidente dos EUA.
E vai ter uma luta grande para chegar ao topo. Consegui-o Nelson
Mandela, Tiger Woods e muitos outros. O meu voto é do coração,
mesmo meio estropiado como já está.
E fica uma outra esperança para o
Brasil: que este inepto desgoverno entenda que brincar de racismo
é feio, sujo e perigoso. Cheira a interesses escusos. E é. Mais
ainda no Brasil onde esse racismo está a ser FABRICADO.
Francisco G. de
Amorim
Do Rio de Janeiro, Brasil
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