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A celebração do “Dia de Portugal”, pelo
simbolismo e peso da história nacional, favorece a reflexão em
torno dos principais projectos que cada um ambiciona para si,
enquanto cidadão, e para o seu país. Os portugueses que vivem nos
mais diferentes lugares do mundo, onde um dia aí buscaram e
projectaram a sua realização de vida, já há muito que deixaram de
ser residentes emigrados no sentido tradicional do termo.
O que marca e distingue os portugueses
continua a ser, na essência, a inesgotável capacidade de aceitar o
outro, facto que lhe granjeia o respeito e a admiração dos demais
cidadãos dos respectivos países de acolhimento. Hoje em dia, a
presença regular de lusos ou luso-descendentes em cargos electivos
constitui a normalidade.
Outrora os seus antepassados pouco mais
esperavam do que encontrar melhores condições de vida, com vista a
um eventual ou sempre adiado regresso. Ousaram e conseguiram. Esta
realidade, se não constitui novidade para os portugueses que a
experimentam mais de perto, fundamenta a importância de a lembrar
e tornar presente enquanto exemplo de cooperação e afirmação bem
sucedidos.
Pela inovação caminha igualmente o país.
Já não restarão dúvidas sobre a bondade do actual conceito e
modalidades de apoio consular aos nacionais cujo trajecto está
baseado na proximidade dos recursos tecnológicos que num clique
abre as portas e liberta pendências que o comboio da História já
deixou para trás há muito tempo.
Vive-se numa época de grande exigência,
cujo espírito se reflecte nos vários tipos de relações
interpessoais e em planos tão diversos como o familiar, o social,
o profissional e sem dúvida o da cidadania. Tal como outrora, os
portugueses continuam a prestigiar Portugal um pouco por toda a
parte e têm boa consciência de que crescer e fazer melhor é cada
vez menos uma opção e mais uma necessidade.
O pressuposto norteador da acção do
Governo, no cumprimento do seu programa, é, justamente, o de
corresponder aos legítimos anseios e aspirações das comunidades
portuguesas, na ligação ao seu país de origem, à sua cultura, à
sua língua. Os problemas actuais requerem soluções viáveis e
convocam os recursos tecnológicos actualmente disponíveis.
O mundo mudou muito nos últimos anos e
por isso dificilmente se encontrariam respostas mantendo o mesmo
olhar do passado, mesmo que nessa nostalgia conviva muito do que é
a história de vida de todos ou de cada um.
As pessoas buscam na relação com o seu
país não apenas as suas origens mas igualmente a afirmação cívica
de direitos que uma administração pública moderna deve consumar de
forma expedita e qualificada. Nesta vertente, o investimento será
permanente, mantendo o serviço em constante progressão nas
modalidades de atendimento e apoio consulares de forma a evitar
recaídas na sua desactualização.
As novas gerações de portugueses que por
esse mundo fora residem, revivem esse espírito pioneiro e
demonstram-no ao afirmar-se nos mais variados domínios: artístico,
cultural, desportivo, empresarial, humanístico, político,
investigação e em tantos outros.
O actual Governo, ao combater o medo da
inovação, através de políticas reformistas, designadamente junto
das estruturas ao serviço das comunidades, mais não fez do que
inscrever a sua acção no espírito de ousadia tão característico
desses compatriotas.Mas há, igualmente, uma nova cooperação e
alargamento do raio de acção de instituições comunitárias.
Ganham-se mais energias pela fusão de
associações, surgem movimentos académicos na Internet e sente-se o
dinamismo de empresários que assinalam também a sua crescente
ligação entre si e a Portugal.Tudo isso faz crescer a expectativa
sobre o momento de modernização do movimento associativo cuja
viragem permita entusiasmar e apelar aos jovens, às gerações
futuras, por um maior envolvimento nos seus projectos.
O desafio consiste em consolidar as
reformas já conseguidas e alargar o seu espírito para novos
objectivos, tendo no horizonte a realidade de um mundo cada vez
mais pequeno e complexo. Mas ousar o caminho da inovação será
honrar a história da diáspora portuguesa cuja saga se constrói,
cada dia, de risco.
Dr. António Braga
Secretário de Estado das Comunidades
Portuguesas
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