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Nesta celebração do Dia de Portugal, mas
também da Comunidades Portuguesas, quero saudar de forma muito
particular todos os Portugueses da diáspora, dirigindo-lhes uma
mensagem de estímulo e de reconhecimento.
Desde o início do meu mandato tenho tido
a preocupação de realçar o mérito dos Portugueses que vivem e
trabalham no estrangeiro, o importante papel que desempenham na
afirmação de Portugal no mundo, que tive a oportunidade de
testemunhar em diversas ocasiões.
Foi o que aconteceu, há pouco menos de
um ano, quando me desloquei aos Estados Unidos da América para
visitar as comunidades das áreas de Boston, Fall River, New
Bedford e Newark ou, mais recentemente, quando, no Rio de Janeiro
e em Maputo, contactei com Portugueses que vivem e trabalham no
Brasil e em Moçambique.
Sabemos que não é de hoje a aventura
portuguesa no mundo. Mas, se os Portugueses que partiram da sua
pátria têm uma história feita de determinação e de engenho, têm
também um presente e terão, certamente, um futuro que importa
valorizar.
Foi com este objectivo que decidi apoiar
a criação do “Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora
Portuguesa”, que tive a oportunidade de anunciar no ano passado,
durante a minha visita à comunidade portuguesa no Luxemburgo. Este
prémio pretende reconhecer cidadãos portugueses que, pela sua
capacidade de empreender e de inovar, se tenham distinguido, quer
pela sua acção nos seus países de acolhimento, quer pela sua
relação com Portugal.
Sei que este é apenas um pequeno
contributo. Sei como as gerações de Portugueses espalhados por
todo o mundo têm sido a expressão do esforço e da ambição de ir
mais além. Mas sei, igualmente, que todos somos necessários para
mobilizar esse enorme capital social que a diáspora portuguesa
representa.
A facilidade de comunicação e a rapidez
de transferência de conhecimento, que caracteriza a globalização,
configura um novo desafio para Portugal, mas simultaneamente uma
nova realidade para a nossa diáspora. Se no passado muitos
partiram sem saber se algum dia teriam a possibilidade de
regressar, hoje as distâncias encurtam-se e todos os Portugueses
podem estar bem mais próximos uns dos outros e do seu País.
Por isso, neste Dia de Portugal e das
Comunidades Portuguesas, apelo à mobilização desse imenso capital
social e humano, que são os cinco milhões de Portugueses e de
luso-descendentes que vivem e trabalham no estrangeiro. Os
recursos e os conhecimentos dos Portugueses no exterior podem
contribuir para uma maior afirmação de Portugal no plano
internacional, apoiando, por exemplo, a entrada de produtos e de
empresas nacionais em novos mercados.
Por outro lado, Portugal deve saber
atrair e acarinhar os Portugueses que, estando no exterior,
pretendem regressar e, desta forma, contribuir com investimentos,
formação e experiência para o desenvolvimento económico e social
do País. Essa mobilização poderá ser feita com o empenhamento da
sociedade civil, devendo ser complementada e consolidada através
do desenvolvimento de mecanismos formais – como por exemplo, as
câmaras de comércio, as novas redes comerciais, sem esquecer as
instituições tradicionais de origem portuguesa. Mas, sendo este um
desígnio nacional, caberá ainda ao Estado português fomentar as
relações entre Portugal e as suas comunidades.
Neste Dia de Portugal, não poderia
deixar de evocar esse extraordinário génio literário, cujo dia
também hoje se celebra, Luís Vaz de Camões. A sua maior obra, “Os
Lusíadas”, expressão máxima da nossa língua, nunca teria sido
escrita se também ele, um dia, não tivesse partido à descoberta de
“novos mundos”.
Comemorar o Dia de Camões é celebrar a
Língua Portuguesa. Também no domínio da valorização da nossa
língua e da nossa cultura, o papel fundamental das comunidades
portuguesas não pode ser esquecido.
A todos os Portugueses que residem e
trabalham no estrangeiro deixo, mais uma vez, uma palavra de
apreço e de reconhecimento. Sei que podemos contar convosco. Podem
e devem contar com Portugal.
Aníbal Cavaco Silva
Presidente da República Portuguesa
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