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Considerando que, dentre as cerca de 210
milhões de pessoas incluídas no universo dos oito países da
lusofonia, a grande maioria — 190 milhões — vive no Brasil,
entende-se o porquê de, mais cedo ou mais tarde, todas as nações
de língua portuguesa ratificarem internamente as mudanças,
aprovadas em 1990. Assim, foi natural, tanto quanto importante, a
aprovação que acaba de ser dada pelos portugueses. Desencadeia-se,
desse modo, o processo de mudança, que deverá, já em 2010, estar
visível em livros e outras publicações. Internacionalmente, a
reforma converte o idioma em língua oficial da Organização das
Nações Unidas.
Embora os portugueses, como legítimos
donos da língua, tivessem resistido mais tempo às mudanças, a
reforma terá impacto pequeno. Em seu país, as alterações atingem
pouco mais de um por cento do total de palavras. É algo ínfimo
ante os benefícios de ter um idioma reconhecido pela ONU. Afinal,
é preciso entender que a ortografia-padrão facilitará sobremaneira
o intercâmbio cultural, cuja principal mídia continua sendo a
impressa. Livros de todos os segmentos — ficção, didáticos,
paradidáticos e científicos —, documentos e escrituras
internacionais, contratos comerciais e textos de todos os gêneros
poderão circular livremente entre os países, sem necessidade de
revisão. É o que já ocorre com o Espanhol. O ensino do Português
também será padronizado.
Como é fácil perceber, a reforma
ortográfica terá sensível impacto na indústria gráfica. À medida
que avance, milhões de exemplares de livros, dicionários,
apostilas, manuais e jogos estarão desatualizados. Terão de ser
reimpressos, criando uma previsível demanda extra bastante
atraente para o setor. Os itens ligados à educação e cultura
deverão ser os primeiros a passar novamente pelas impressoras,
pois é fundamental que tenham de imediato a nova base ortográfica.
A internacionalização também favorece muito o trabalho de
pré-impressão, considerando que o fornecimento de serviços para um
cliente de Portugal, por exemplo, não exigirá mais a adaptação
ortográfica da digitalização dos textos e editoração eletrônica.
Por mais puristas que sejamos quanto à
língua portuguesa, é necessário compreender a importância e
extensão da reforma ortográfica. A relação custo-benefício da
mudança deverá acabar prevalecendo, até porque a nova ortografia
não impedirá a espontânea e inevitável evolução regional da
língua, um elemento vivo e sensível às peculiaridades culturais,
políticas e socioeconômicas de cada país. A indústria gráfica, não
só pela questão mercadológica, como pela responsabilidade
intrínseca a um setor integrante da cadeia produtiva da
comunicação, está-se preparando adequadamente para as mudanças,
contribuindo, também, para a sua ampla e correta difusão.
Alfried Karl Plöger
Presidente da Abigraf (Associação
Brasileira da Indústria Gráfica) e vice-presidente da Abrasca
(Associação Brasileira das Companhias Abertas
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