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O Mundo
inteiro acaba de festejar mais um aniversário da bendita
ocorrência de 8 de Maio de 1945, dia em que se comemorou o fim da
2ª Grande Guerra Mundial e que, conseqüentemente, encerrou uma das
mais catastróficas páginas da História da Humanidade, dando
fim aos terríveis males que o nazismo trouxera sob o comando de
Adolf Hitler. A Humanidade é grata com tantos milhares de
Heróis de então. ... Hoje, poucos são sobrevivos mas a sua
memória sempre merecerá justas homenagens e a Paz eterna.
Entretanto,
lembrando que o dia do Combatente em Portugal é
comemorado em 9 de Abril, por oportuno, resolvi, destarte, abordar
um tema para o qual, há já decorridos 4 anos, fui desafiado a me
manifestar publicamente, porém, naquela ocasião, resolvi, por bem,
protelar sine die. Mas, inegavelmente, há que se admitir
que esse desafio é de grande significado já que envolve a defesa
da Pátria e, consequentemente, a soberania de um País
e os interesses de uma Nação, ou seja, de toda uma
Sociedade, partindo da premissa que Pátria ou País
significa a terra onde nascemos enquanto que Nação
significa o Povo, ou seja, a própria Sociedade que é
a razão de ser de um País.
Assim,
esclareço que esse desafio me foi instigado por um nosso patrício,
Emigrante no Canadá, que participava de um site
onde, então, ambos publicávamos os nossos artigos de opinião, o
qual, segundo ele mesmo contou, anteriormente “fugiu” a salto para
França para escapar de ir, obrigatoriamente, prestar o serviço
militar o que o levaria a, provavelmente, ir dar com os costados
n`África onde seria mais um Combatente a fazer parte das
estatísticas perante a realidade de que, face à Guerra Colonial,
que durou mais de 13 anos, com início em 4 de Fevereiro de 1961 e
o seu fim face à “Revolução dos Cravos” ocorrida em 25 de Abril de
1974, onde, conforme publicado no Jornal de Notícias de 16 de
Outubro de 2006, estiveram 1,2 milhões de efetivos, dos quais
ainda estavam vivos 700 mil Ex-combatentes (hoje certamente
já são menos), com um saldo de 9 mil mortos, 30 mil feridos e
estropiados portugueses. Por isso, depois desse longo período em
que muito refleti sobre a forma de apresentar esta questão tão
melindrosa, resolvi, finalmente, abordá-la e o faço de espírito
aberto.
Trata-se
exatamente da questão que envolve os chamados “fujões” que, a meu
ver não merecem ser execrados face à atitude tomada de emigrar
para fugir à Tropa pois que, inclusive na maioria casos,
não o fizeram por iniciativa própria mas sim por iniciativa dos
próprios pais, levando-os a tomar um rumo contrário aos interesses
da Nação. Porém, humanamente, nem esses pais merecem ser
inculpados pois a intenção deles foi tudo fazer na tentativa de
preservar a segurança e a própria vida do filho, em alguns casos
filho único. Entretanto, atente-se que, o pavor (talvez exagerado
em alguns casos) terá sido o principal motivo dessas “fugas” pois
que, no caso de filho único – este era considerado arrimo de
família –, dificilmente seria mobilizado para a campanha então em
curso nas Colônias em África (às quais, então, era atribuída a
condição de Províncias Ultramarinas).
Contudo, há
que ser realistas pois, na verdade, de jeito algum poderá ser
dignificante tal atitude já que estava em jogo a soberania da
Pátria e essa soberania, seja qual for o País, terá de
ser defendida pelos seus cidadãos e, inevitavelmente, não existe
Pátria sem Heróis, os mortos e os vivos, ressalvada
a relevância dos primeiros pois que acabaram dando a vida pela
Pátria, ... honra lhes seja feita. Admitindo-se que teria sido
o caso de uma questão de falta de patriotismo e, consequentemente,
de falta do cumprimento do dever para com a Pátria, mesmo assim
trata-se de uma questão extremamente delicada onde, a meu ver,
essas pessoas não deixam de merecer a compreensão necessária para
a obtenção da concessão de um perdão magnânimo, haja vista as
atenuantes, que as há de fato.
Da mesma
forma, não há como esquecer os desertores, que os houve, aliás,
todas as guerras os têm, desde simples soldados a oficiais, os
quais, dessa forma, traíram não só a Pátria como também os
seus companheiros de armas. Neste caso, eram pessoas passíveis de
condenação ao abrigo da lei. Já os chamados “fujões”, até uma
certa faixa etária, que não sei precisar agora (acho que o limite
era os 40 anos de idade), caso voltassem ao País, só eram
passíveis de, obrigatoriamente, ter de comparecer para cumprir o
serviço militar. Mas, o pior é que, a mudança de regime político
veio permitir que, mesmo os traidores, passassem a usufruir não só
do beneplácito do poder mas também sendo, inclusive, privilegiados
com altos cargos públicos ou “tachos” na área privada em
Portugal ou até, por opção, nos novos Países, as Ex-Colónias,
já que se bandearam para o outro lado durante a Guerra Colonial.
Entretanto, convenhamos que um perdão magnânimo todos mereceriam,
mas serem premiados por um comportamento condenável, isso não tem
o mínimo sentido.
Por outro
lado, destaque-se que houve as Forças de Voluntários
– pressupostamente taxados de “malucos”, mas que, na verdade, eram
pessoas extremamente corajosas, autênticos guerreiros –, que
também lá combateram e que tanto ajudaram as Forças Armadas
na odisséia das nossas gloriosas Tropas contribuindo de forma
relevante para o sucesso das conquistas face aos combates
realizados em terras africanas.
Entenda-se
que não existe País sem Forças Armadas pois não
haveria como manter a sua soberania. Assim, obviamente que se
todos se tornassem “fujões” não teríamos uma Pátria. A
Nação não teria como ser protegida, ou seja, a Sociedade
seria inevitavelmente aniquilada.
Lembre-se
que face à Guerra Colonial muitos pais perderam os seus filhos,
muitas mulheres ficaram viúvas, muitas crianças ficaram órfãs e
muitas noivas ficaram por casar.
E ainda há
quem pratique a insanidade de achar que os Ex-combatentes
e/ou as sua famílias não tem de ser compensados de forma justa
atenuando os prejuízos materiais e as conseqüências das seqüelas
físicas ou até emocionais que sofreram, relevando-se a situação
dos pais (que hoje quase todos já morreram pois o tempo não
perdoa), das viúvas e filhos que, na verdade, foram vítimas da
perda do principal arrimo de família. Essa insanidade
evidentemente que é atribuída aos Parlamentares e ao
Governo e ainda, por tabela, aos ingratos ou
frustrados.
Enfim, a
Sociedade Portuguesa é, inequivocamente, devedora dessa casta
de Heróis por ela esquecidos. A Sociedade Portuguesa
deve mais respeito a essa classe que já passou à História de
Portugal. A Sociedade Portuguesa deve carinho e
proteção a esses bravos que hoje já são senhores de terceira
idade, sendo que muitos estão carentes da cobertura das
necessidades básicas inerentes à própria sobrevivência. A
Sociedade Portuguesa é representada pelos deputados(as),
senhores(as) do Parlamento, pois que vote em pessoas das
quais poderão cobrar depois em prol do Povo. E os
Ex-combatentes também são Povo, devendo, porém, por
direito, ser reconhecidos como Cidadãos por excelência.
Evidentemente que a maioria dos Combatentes era formada por
Soldados, Cabos, Sargentos Milicianos e
Oficiais Milicianos. Estes foram os verdadeiros “Senhores
da Guerra Colonial”! Os Cabos, Sargentos e Oficiais do Quadro
Permanente das Forças Armadas, conhecidos popularmente como
“lateiros”, inclusive os Oficiais Generais, eram pequena minoria
entre as tropas enviadas para a Guerra Colonial. ... E estes sim,
ficaram devidamente protegidos socialmente.
Nota:
Para quem não sabe, Milicianos, nas Forças Armadas,
eram os mancebos que, dependendo da escolaridade ser média ou
superior, já iam direto para o Curso de Sargentos Milicianos ou de
Oficiais Milicianos, respectivamente. Portanto, cumpriam serviço
militar estritamente obrigatório e, consequentemente, não
pertenciam ao Quadro Permanente das Forças Armadas, ou
seja, não eram “lateiros” e, portanto não beneficiavam das
benesses destes, que eram profissionais dessas mesmas Forças.
Para
finalizar, atente-se que uma suposta suspeição não invalida a
minha opinião, em se tratando de um Ex-combatente.
Entretanto, entenda-se que o que acabo de explanar é fato, é
História! Portanto, “Dê-se a César o que é de César!”
Gaspar Nunes
Rio de Janeiro
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