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No último dia 25 de abril, tive a
oportunidade de participar de uma cerimônia na Assembléia
Legislativa de São Paulo onde a comunidade luso-brasileira foi uma
das homenageadas. Penso que a data não poderia ser mais
apropriada. Pela abrangência, complexidade, sonhos, tragédias e
marcas que deixou, acredito que a Revolução dos Cravos é um dos
maiores acontecimentos da história lusófona.
O movimento sempre me despertou certa
curiosidade. A começar, também sou de 1974. Ainda lembro a
primeira vez que me explicaram o 25 de Abril, durante um almoço de
família, no antigo restaurante “Abril em Portugal”. Tudo começou
quando fiz uma típica pergunta de criança: se o lugar “abriu em
Portugal”, por que estava em São Paulo? Nunca imaginaria que, duas
décadas depois, iria assistir às comemorações dos 30 anos da
Revolução do outro lado do Atlântico.
Sonhado, teorizado e planejado durante
anos, aquele “Abril em Portugal” foi um dos poucos movimentos
capazes de influenciar todo o mundo lusófono. Para as antigas
colônias, teve o doce sabor da liberdade e o gosto amargo do
abandono, da miséria e intensas lutas pelo poder. Para milhões de
colonos, representou um trágico adeus e a oportunidade de
colocar-se à prova e construir uma nova vida. Para o Brasil, em
plena ditadura, foi um exemplo a seguir e trouxe um conceito quase
inimaginável: os militares democráticos de esquerda.
Atualmente, apesar de ignorada pelas
novas gerações, a Revolução dos Cravos segue alimentando muitos
dos ideais e dilemas lusófonos. Como não notar a influência do
pensamento de líderes portugueses e africanos daquela época, como
António Spínola e Amílcar Cabral, na criação da Comunidade dos
Países de Língua Portuguesa? Ou não relacionar o processo de
descolonização adotado com a instabilidade política que ainda
resiste no Timor-Leste e Guiné-Bissau?
Ao relembrar esses e muitos outros
exemplos, acredito que o ideal de liberdade, paz e esperança que
mobilizou os portugueses naquele dia 25 de Abril de 1974 ainda
pode ser uma fonte inspiradora para a construção de um futuro
melhor e sinceramente fraterno entre os povos lusófonos. O sonho
que muitos pagaram com própria vida, não cabe a nós esquecê-lo ou
desperdiçá-lo.
“Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim”
Chico Buarque em “Tanto Mar”,
composta - e censurada - em 1975
Douglas Cavallari de
Santana
Publicado na seção Iscas Intelectuais - Lusófonas da página de
Internet do comunicador Luciano Pires - www.lucianopires.com.br.
Para saber mais:
• A25A (www.25abril.org): página de internet da Associação 25 de
Abril.
• Universidade de Coimbra (www.uc.pt/cd25a): página oficial do
Centro de Documentação 25 de Abril.
• PCP (www.pcp.pt/actpol/temas/25abril/30anos): o Partido
Comunista Português mantém uma página com muitas informações sobre
o movimento.
• Livraria Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Fnac Portugal
(www.fnac.pt) e Estante Virtual (www.estandevirtual.com.br):
algumas livrarias que possuem livros novos e usados sobre a
Revolução e os seus grandes líderes.
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