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Por Gaspar Nunes


Quarta-feira | 07 MAI 08

Os príncipes “de araque”, Senhores do “Reino do Nada

Eleições CCP

Pois é... as ditas “elites” representadas pelos pomposos príncipes “de araque”*, senhores do “Reino do Nada”, que se acham efetivamente portadores de autêntico sangue azul, conseguem manter os seus “castelos” que, aliás, julgam serem verdadeiras fortalezas mas que de fato não passam de frágeis “castelinhos de areia”. Na verdade, tudo não passa de meras imagens vãs em suas mentes auto-relevadas e ornadas de galardões, alimentando dessa forma o seu narcisismo pretensioso, conquistados na base da sua pseudo-altivez e na fiel subserviência dos seus súbditos e/ou lacaios que sempre estão dispostos a obedecer e a lamber as mãos dos seus “donos” – “os donos do mundo” –, feitos um rebanho que, apascentado, sempre retorna ordeiramente ao seu “curral de abrigo”.

Evidentemente que grande parte desses “poderosos” são ávidos de carreira, sempre prontos para se alcandorarem a uma posição sempre cada vez mais elevada, onde, de antemão, sabem que serão remunerados principescamente e ainda beneficiarão de certas benesses, narcisicamente envoltos nas teias da política. Para o ego desses personagens o importante é serem “donos do poder” seja ele qual for e a qualquer custo pois que tudo fazem para nele se manterem eternamente. A vergonha não consta dos seus dicionários carunchentos, carcomidos pelos efeitos do tempo... Que enfie a carapuça a quem ela couber!... Certamente que a dita estará talhada sob medida para alguns.

Sendo já do conhecimento público o resultado das eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), observa-se que em termos das pseudo-lideranças da Diáspora, salvo raríssimas exceções, o continuísmo é uma epidemia incurável no âmbito das Comunidades Portuguesas que compõem a nossa Diáspora e, por isso mesmo, nós os Emigrantes, CIDADÃOS COMUNS, ou seja, os não privilegiados, resta-nos aceitar que, nessa condição, sempre viveremos num ambiente contaminado pela “esperteza” e pelos efeitos das influências do poder econômico de uns tantos em detrimento da Comunidade como um todo, o que configura o efeito de um verdadeiro câncer incurável e de cuja sobrevivência só nos restam paliativos com cujo ônus temos de arcar, independentemente das nossas posses ou da nossa vontade.

Meus caros, por oportuno, gostaria de saber o porquê dos lamentos antecipados das “viúvas” e das “carpideiras”, que equivocadamente se encontravam nos “velórios” errados, ou então quiçá os “defuntos” teriam ressuscitado, quais “Lázaros”, milagrosamente chamados à vida pelo “sobrenatural de Almeida”, já que, na verdade, não estiveram nas suas “pseudo-tumbas” mas sim bem anafados usufruindo das mordomias dos seus frondosos “oásis”, ouvindo selecionadas músicas gloriosas, maviosas, balsâmicas para os seus ouvidos, prenunciando o soar das trombetas por uma vitória que davam como “favas contadas” e que, de antemão, se vislumbrava publicamente, conforme diziam as “más-línguas”.

É sabido que a Comunidade encontra-se envelhecida, dobrada ao peso da idade. Também é sabido que, regra geral, os Luso-descendentes “estão-se nas tintas” para o mantimento das tradições portuguesas que são o orgulho de seus ascendentes, mormente dos seus progenitores, cujo orgulho histórico-patriótico está nas suas mentes e que circula e circulará no sangue das suas veias até ao último suspiro de suas vidas, porém, convenhamos que, grande parte, é devida ao péssimo exemplo da má imagem da maioria dos ditos “líderes” das Comunidades e inclusive fruto dos reflexos da péssima política direcionada à Diáspora por parte dos nossos governantes em Lisboa, desmotivando-os e afastando-os cada vez mais das suas raízes, ou seja, de Portugal.

É por isso que, repetitivamente, insisto em dizer que a nossa Comunidade é manipulada pelas ditas “elites” e seus pseudo-líderes e conseqüentemente encontra-se ao bel-prazer dos mesmos e o único remédio é dar tempo ao tempo para que a natureza cumpra integralmente com a sua implacável lei e, quando todos se forem (eles e nós, até porque cada vez somos menos, sendo todos simples mortais), estejam certos de que tudo se perderá no espaço, feito fumaça, tal o desinteresse da política portuguesa em relação ao aliciamento dos Luso-descendentes... Esta é a pura realidade, ...ou não é?!

Meus amigos, leitores, as minhas palavras aparentemente são de mau augúrio, quiçá eivadas de pessimismo, mas, na verdade, elas refletem simplesmente a pura realidade tal a verossimilhança dos fatos, portanto, lamentavelmente, o futuro, apresenta-se nebuloso (e com nuvens bem negras, tenebrosas) encobrindo a abóbada celeste que envolve a nossa Diáspora, a não ser que surja o nosso MESSIAS, o que certamente não passa de uma verdadeira quimera. Realmente, restar-nos-á enfrentar essa realidade nua e crua a que estamos submetidos pelo Governo português em face da política cruel que dispensa aos seus Emigrantes.

Entretanto, noticia-se, em síntese, que os jovens portugueses não dão a mínima para a política devido à sua descrença em relação aos políticos. Assim, observa-se que esse é um mal que, ao que tudo indica, seja de molde global. Essa é mais uma razão que faz com que os jovens Luso-descendentes sigam pelo mesmo diapasão.

Infelizmente, diferentemente das gerações de antanho em que o mundo e a vida lhes (nos) ofereciam limitações sem fim o que não impedia que as pessoas fossem até mais felizes, as gerações recentes mostram-nos uma juventude insegura e descrente aliada ao deslumbramento que a tecnologia lhes oferece de bandeja, o que, entre outros males, gera a desagregação das famílias e, conseqüentemente, afeta o bem-estar social visto que, por via de regra, quando chega a hora de enveredar pelas conquistas no mercado de trabalho são surpreendidos pelas vicissitudes que o mesmo lhes apresenta, entre as quais a desestabilização, quando não o temível desemprego face à falta de postos de trabalho, agravada pela inexperiência, o que se torna um entrave para a abertura das portas para o primeiro emprego. Esta também é uma das razões que fazem com que os jovens Luso-descendentes joguem ao ostracismo a História de Portugal e as tradições que herdaram de seus pais, dos seus antepassados. ... É uma pena!

Enfim, a realidade da Comunidade envolve um longo rosário sem fim que nos levaria a um dissertar infinito, porém, por ora, bastarão os exemplos que acabo de apresentar.
Enfim, pobre país onde impera o exemplo de políticos que só olham para o seu próprio umbigo e para o seu próprio bolso, recheado de preferência.

Para finalizar, diferentemente do que até agora ocorreu, só espero que esses “novos” Conselheiros do CCP que acabaram de ser eleitos – aliás reeleitos em sua maioria, que estão lá há 12 anos e agora com mais 4 será um total de 16 anos de uma “misteriosa” permanência continuista (visto que foram reeleitos apesar de tudo) e até escandalosa devido à insistência inescrupulosa em lá permanecerem eternamente –, passem a ter vergonha na cara mudando radicalmente a imagem negativa que até agora passaram para a Comunidade. Assim, terão de mudar por completo a sua forma de agir a bem da Comunidade, já que está nas mãos deles a oportunidade de se redimirem... Será? ... Sinceramente, não acredito mais! E olhem que sou daqueles que pregam que a esperança é a última que morre! ... Mas esse CCP...

Assim, encerro aqui o tema sobre Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) que, aliás, mereceu várias crônicas da minha autoria. ... Se valeu a pena, não sei! Porém, empenhei-me construtivamente. ... E há ocasiões em que um pouco de humor cabe bem, não é mesmo?

Que Deus salve a nossa Diáspora!

* Gíria brasileira que significa falso ou de faz de conta.

Gaspar Nunes

Rio de Janeiro


 

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