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Pois é...
as ditas “elites” representadas pelos pomposos príncipes “de
araque”*, senhores do “Reino do Nada”, que se acham efetivamente
portadores de autêntico sangue azul, conseguem manter os seus
“castelos” que, aliás, julgam serem verdadeiras fortalezas mas que
de fato não passam de frágeis “castelinhos de areia”. Na verdade,
tudo não passa de meras imagens vãs em suas mentes auto-relevadas
e ornadas de galardões, alimentando dessa forma o seu narcisismo
pretensioso, conquistados na base da sua pseudo-altivez e na fiel
subserviência dos seus súbditos e/ou lacaios que sempre estão
dispostos a obedecer e a lamber as mãos dos seus “donos” – “os
donos do mundo” –, feitos um rebanho que, apascentado, sempre
retorna ordeiramente ao seu “curral de abrigo”.
Evidentemente que grande parte desses “poderosos” são ávidos de
carreira, sempre prontos para se alcandorarem a uma posição sempre
cada vez mais elevada, onde, de antemão, sabem que serão
remunerados principescamente e ainda beneficiarão de certas
benesses, narcisicamente envoltos nas teias da política. Para o
ego desses personagens o importante é serem “donos do poder” seja
ele qual for e a qualquer custo pois que tudo fazem para nele se
manterem eternamente. A vergonha não consta dos seus dicionários
carunchentos, carcomidos pelos efeitos do tempo... Que enfie a
carapuça a quem ela couber!... Certamente que a dita estará
talhada sob medida para alguns.
Sendo já do
conhecimento público o resultado das eleições para o Conselho das
Comunidades Portuguesas (CCP), observa-se que em termos das
pseudo-lideranças da Diáspora, salvo raríssimas exceções, o
continuísmo é uma epidemia incurável no âmbito das Comunidades
Portuguesas que compõem a nossa Diáspora e, por isso mesmo, nós os
Emigrantes, CIDADÃOS COMUNS, ou seja, os não privilegiados,
resta-nos aceitar que, nessa condição, sempre viveremos num
ambiente contaminado pela “esperteza” e pelos efeitos das
influências do poder econômico de uns tantos em detrimento da
Comunidade como um todo, o que configura o efeito de um verdadeiro
câncer incurável e de cuja sobrevivência só nos restam paliativos
com cujo ônus temos de arcar, independentemente das nossas posses
ou da nossa vontade.
Meus caros,
por oportuno, gostaria de saber o porquê dos lamentos antecipados
das “viúvas” e das “carpideiras”, que equivocadamente se
encontravam nos “velórios” errados, ou então quiçá os “defuntos”
teriam ressuscitado, quais “Lázaros”, milagrosamente chamados à
vida pelo “sobrenatural de Almeida”, já que, na verdade, não
estiveram nas suas “pseudo-tumbas” mas sim bem anafados usufruindo
das mordomias dos seus frondosos “oásis”, ouvindo selecionadas
músicas gloriosas, maviosas, balsâmicas para os seus ouvidos,
prenunciando o soar das trombetas por uma vitória que davam como
“favas contadas” e que, de antemão, se vislumbrava publicamente,
conforme diziam as “más-línguas”.
É sabido
que a Comunidade encontra-se envelhecida, dobrada ao peso da
idade. Também é sabido que, regra geral, os Luso-descendentes
“estão-se nas tintas” para o mantimento das tradições portuguesas
que são o orgulho de seus ascendentes, mormente dos seus
progenitores, cujo orgulho histórico-patriótico está nas suas
mentes e que circula e circulará no sangue das suas veias até ao
último suspiro de suas vidas, porém, convenhamos que, grande
parte, é devida ao péssimo exemplo da má imagem da maioria dos
ditos “líderes” das Comunidades e inclusive fruto dos reflexos da
péssima política direcionada à Diáspora por parte dos nossos
governantes em Lisboa, desmotivando-os e afastando-os cada vez
mais das suas raízes, ou seja, de Portugal.
É por isso
que, repetitivamente, insisto em dizer que a nossa Comunidade é
manipulada pelas ditas “elites” e seus pseudo-líderes e
conseqüentemente encontra-se ao bel-prazer dos mesmos e o único
remédio é dar tempo ao tempo para que a natureza cumpra
integralmente com a sua implacável lei e, quando todos se forem
(eles e nós, até porque cada vez somos menos, sendo todos simples
mortais), estejam certos de que tudo se perderá no espaço, feito
fumaça, tal o desinteresse da política portuguesa em relação ao
aliciamento dos Luso-descendentes... Esta é a pura realidade,
...ou não é?!
Meus
amigos, leitores, as minhas palavras aparentemente são de mau
augúrio, quiçá eivadas de pessimismo, mas, na verdade, elas
refletem simplesmente a pura realidade tal a verossimilhança dos
fatos, portanto, lamentavelmente, o futuro, apresenta-se nebuloso
(e com nuvens bem negras, tenebrosas) encobrindo a abóbada celeste
que envolve a nossa Diáspora, a não ser que surja o nosso MESSIAS,
o que certamente não passa de uma verdadeira quimera. Realmente,
restar-nos-á enfrentar essa realidade nua e crua a que estamos
submetidos pelo Governo português em face da política cruel que
dispensa aos seus Emigrantes.
Entretanto,
noticia-se, em síntese, que os jovens portugueses não dão a mínima
para a política devido à sua descrença em relação aos políticos.
Assim, observa-se que esse é um mal que, ao que tudo indica, seja
de molde global. Essa é mais uma razão que faz com que os jovens
Luso-descendentes sigam pelo mesmo diapasão.
Infelizmente, diferentemente das gerações de antanho em que o
mundo e a vida lhes (nos) ofereciam limitações sem fim o que não
impedia que as pessoas fossem até mais felizes, as gerações
recentes mostram-nos uma juventude insegura e descrente aliada ao
deslumbramento que a tecnologia lhes oferece de bandeja, o que,
entre outros males, gera a desagregação das famílias e,
conseqüentemente, afeta o bem-estar social visto que, por via de
regra, quando chega a hora de enveredar pelas conquistas no
mercado de trabalho são surpreendidos pelas vicissitudes que o
mesmo lhes apresenta, entre as quais a desestabilização, quando
não o temível desemprego face à falta de postos de trabalho,
agravada pela inexperiência, o que se torna um entrave para a
abertura das portas para o primeiro emprego. Esta também é uma das
razões que fazem com que os jovens Luso-descendentes joguem ao
ostracismo a História de Portugal e as tradições que herdaram de
seus pais, dos seus antepassados. ... É uma pena!
Enfim, a
realidade da Comunidade envolve um longo rosário sem fim que nos
levaria a um dissertar infinito, porém, por ora, bastarão os
exemplos que acabo de apresentar.
Enfim, pobre país onde impera o exemplo de políticos que só olham
para o seu próprio umbigo e para o seu próprio bolso, recheado de
preferência.
Para
finalizar, diferentemente do que até agora ocorreu, só espero que
esses “novos” Conselheiros do CCP que acabaram de ser eleitos –
aliás reeleitos em sua maioria, que estão lá há 12 anos e agora
com mais 4 será um total de 16 anos de uma “misteriosa”
permanência continuista (visto que foram reeleitos apesar de tudo)
e até escandalosa devido à insistência inescrupulosa em lá
permanecerem eternamente –, passem a ter vergonha na cara mudando
radicalmente a imagem negativa que até agora passaram para a
Comunidade. Assim, terão de mudar por completo a sua forma de agir
a bem da Comunidade, já que está nas mãos deles a oportunidade de
se redimirem... Será? ... Sinceramente, não acredito mais! E olhem
que sou daqueles que pregam que a esperança é a última que morre!
... Mas esse CCP...
Assim,
encerro aqui o tema sobre Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP)
que, aliás, mereceu várias crônicas da minha autoria. ... Se valeu
a pena, não sei! Porém, empenhei-me construtivamente. ... E há
ocasiões em que um pouco de humor cabe bem, não é mesmo?
Que Deus
salve a nossa Diáspora!
* Gíria brasileira que significa
falso ou de faz de conta.
Gaspar Nunes
Rio de Janeiro
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