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Quando estive na Povoa do Varzim, no
passado Verão, encontrei velho amigo que adquirira casa nessa
cidade.
Contou-me que após haver feito
escritura, participou na reunião de condomínio, onde, entre outros
assuntos, o administrador narrou o seguinte, para indignação de
todos:
Fora conversar com o construtor do
prédio para solicitar a reparação da entrada, visto ter aberto
frecha e corria-se perigo de abalar a estrutura da casa. Como fora
construído há dois menos de dois anos, estava dentro da garantia.
Resposta do construtor, que, entretanto,
faleceu:
“ - Bem sei que a lei obriga-me a
essa reparação, mas só a faço por ordem do tribunal. E lembro-lhe
que tenho juristas que recorrerão da sentença até onde poderem.
Estou a avisá-lo para que não diga que o não preveni.
Hoje o tribunal tornou-se no “homem
do saco”. Quem anda em simplicidade e não se protege com bons
advogados, pode ter carradas de razão, mas raras vezes vence.
Claro que os condóminos realizaram as
obras necessárias, pois as despesas que teriam, se vencessem,
seria certamente superior ao custo da reparação. Vem isso a
propósito de ter realizado benfeitorias na minha residência e a
empresa que contratei ter ultimado com os seguintes dizeres, o
orçamento: “Damos a garantia de cinco anos.”
Aconteceu que a canalização - feita toda
nova, - apesar de ter estado à carga, teve uma fuga.
Fui ter com os responsáveis e
prontamente apareceram: o canalizador afirmava que a culpa era do
pedreiro; este asseverava que era infiltração do telhado; e o
encarregado da obra assegurava que tinha fiscalizado tudo, e que
tudo estava correcto.
Bem mostrava o bolor que medrava no
estuque, mas nada. Ninguém era responsável. A empresa esclareceu
que ia reparar, mas que esperasse para ver como progredia a nódoa.
De longe a longe um encarregado aparecia. Atentava, acariciava o
queixo, limpava o bolor e declarava: Pode ser ressoado das
massas…O melhor é aguardar. Deixe que está a meu cuidado!….
E assim correram os meses e os anos e
assim ficou.
Por fim chamei um canalizador que
rachando o concreto descobriu a mazela e a razão do alastramento
da mancha.
Para que serve a lei?
No tempo de meu avô, não existia lei que
a tal obrigasse; mas, dizia meu pai que havia honra e palavra.
Bons tempos em que os homens eram
Homens!
Humberto Pinho da
Silva
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