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Por Hélio Bernardo Lopes


Quinta-feira | 11 ABR 08

“A Questão do Tibete”

A distância a que nos encontramos dos acontecimentos, como é evidente, molda o modo como os sentimos. Um sismo em Lisboa já é distinto de um outro no sudeste alentejano, um de um que tenha lugar na Estremadura espanhola, ou de um outro que tenha decorrido na Arménia.

Isso mesmo se passa com o Tibete e a sua História, sendo que o que agora voltou a desenrolar-se por aquelas paragens se vê muito desvalorizado aos olhos e aos sentimentos dos ocidentais europeus, e por uma boa diversidade de razões.

Em primeiro lugar: que razões poderão tornar diferente o interesse da China pelo Tibete, do que a União Indiana mostrou por Goa, Damão e Diu, e do mostrado pela Indonésia relativamente a Timor?

Em segundo lugar: será de aceitar que os tibetanos tenham o direito à sua autodeterminação face à República Popular da China? E o povo basco? Defendem os órgãos da União Europeia que os bascos possam decidir se querem que a sua nação continue a fazer parte de Espanha? E o Curdistão turco e iraquiano?

Em terceiro lugar: a questão dos direitos humanos no Tibete, mormente à luz destes novos e recentes acontecimentos. Acha o leitor que se está perante uma violação dos referidos direitos? Bom, eu também entendo que há. Mas, e o caso dos vôos da CIA e das prisões secretas desta agência em Estados da União Européia? E o caso do falecido Pinochet, que acabou por deixar a nossa companhia sem nunca ter sido julgado, e muito menos condenadado? Não estava ele inocente? Claro que sim, porque nunca foi condenado por um tribunal, com sentença que tivesse transitado em julgado...

Por aqui pode o leitor perceber a extraordinária hipocrisia dos políticos ocidentais, que só se lembram de todos estes casos quando os mesmo têm lugar com a China, ou com a Rússia, ou com o Irão de Mamute Armadilhajá, ou com Cuba. Quando a coisa bate à porta de um dito aliado, bom, é um assunto que não comentam... Um problema de elegância diplomática.

Ou seja e lamentavelmente: a política e a diplomacia são duas tremendas mentiras, fortemente preenchidas pelos interesses de Estado e até pessoais. O que é exigido a uns, finge-se não ver com alguns outros. Coitados mas é dos tibetanos, verdadeiro joguete nas mãos de mil e um tiranos ou tiranetes.

Hélio Bernardo Lopes

De Portugal


 

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