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A distância a que nos encontramos dos
acontecimentos, como é evidente, molda o modo como os sentimos. Um
sismo em Lisboa já é distinto de um outro no sudeste alentejano,
um de um que tenha lugar na Estremadura espanhola, ou de um outro
que tenha decorrido na Arménia.
Isso mesmo se passa com o Tibete e a sua
História, sendo que o que agora voltou a desenrolar-se por aquelas
paragens se vê muito desvalorizado aos olhos e aos sentimentos dos
ocidentais europeus, e por uma boa diversidade de razões.
Em primeiro lugar: que razões poderão
tornar diferente o interesse da China pelo Tibete, do que a União
Indiana mostrou por Goa, Damão e Diu, e do mostrado pela Indonésia
relativamente a Timor?
Em segundo lugar: será de aceitar que os
tibetanos tenham o direito à sua autodeterminação face à República
Popular da China? E o povo basco? Defendem os órgãos da União
Europeia que os bascos possam decidir se querem que a sua nação
continue a fazer parte de Espanha? E o Curdistão turco e
iraquiano?
Em terceiro lugar: a questão dos
direitos humanos no Tibete, mormente à luz destes novos e recentes
acontecimentos. Acha o leitor que se está perante uma violação dos
referidos direitos? Bom, eu também entendo que há. Mas, e o caso
dos vôos da CIA e das prisões secretas desta agência em Estados da
União Européia? E o caso do falecido Pinochet, que acabou por
deixar a nossa companhia sem nunca ter sido julgado, e muito menos
condenadado? Não estava ele inocente? Claro que sim, porque nunca
foi condenado por um tribunal, com sentença que tivesse transitado
em julgado...
Por aqui pode o leitor perceber a
extraordinária hipocrisia dos políticos ocidentais, que só se
lembram de todos estes casos quando os mesmo têm lugar com a
China, ou com a Rússia, ou com o Irão de Mamute Armadilhajá, ou
com Cuba. Quando a coisa bate à porta de um dito aliado, bom, é um
assunto que não comentam... Um problema de elegância diplomática.
Ou seja e lamentavelmente: a política e
a diplomacia são duas tremendas mentiras, fortemente preenchidas
pelos interesses de Estado e até pessoais. O que é exigido a uns,
finge-se não ver com alguns outros. Coitados mas é dos tibetanos,
verdadeiro joguete nas mãos de mil e um tiranos ou tiranetes.
Hélio Bernardo Lopes
De Portugal
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