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Só agora, já com muito tempo passado
sobre as palavras do Presidente Cavaco Silva a propósito da
realização em Portugal do Mundial de Futebol de 2018, me é
possível abordar o tema, porque o dia a dia da nossa vida
político-social não pára de nos trazer sucessivos casos políticos.
O Presidente da República, de um modo
que eu nunca poderia ter imaginado, veio levantar a questão da
afetação dos gastos num tal empreendimento, comparando-os com os
necessários à realização de outras iniciativas sociais mais
importantes e prementes.
A uma primeira vista, uma tal tomada de
posição colhe sempre o apoio da população, mas a grande e evidente
verdade é que a resolução dos nossos principais e prementes
problemas sociais em muitíssimo pouco se vê afetada pela
realização de uma tal efeméride no nosso País.
Em contrapartida, uma tal realização
projetaria ainda mais o nome e a imagem de Portugal pelas sete
partidas do Mundo, para lá do fato de estar o nosso País hoje em
condições de realizar, e de um modo muito exemplar, uma tal
iniciativa.
O que não me causou estranheza foi a
tomada de posição de Laurentino Dias, de imediato secundando a
tomada de posição do Presidente Cavaco Silva, sem minimamente ser
capaz de assumir que Portugal dispõe já hoje das infraestruturas e
da experiência em realizações deste tipo.
E eu vou mesmo mais longe: a
marginalização a que o interior do País foi sujeito no Euro 2004,
justifica hoje, de um modo cabal, que se promova na região
centro-interior de Portugal um outro complexo desportivo, mas
integrado numa urbanização mais vasta e num plano integrado de
desenvolvimento de um pólo que seja aglutinador de um progresso
sustentado para esse interior hoje desertificado.
Custou-me, pois, assistir à tomada de
posição do Presidente da República, logo secundado pela do
Secretário de Estado dos Desportos, que se recusaram a aproveitar
uma oportunidade que não está ao alcance de todos os países e num
domínio onde Portugal até conseguiu criar renome e tradições
referentes.
E agora pergunto eu ao meu caro leitor:
acha que daqui até 2018 os nossos problemas seriam os derivados da
realização em Portugal do Mundial de Futebol? Claro que não!
Hélio Bernardo Lopes
De Portugal
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