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Por Francisco G. de Amorim


Quarta-feira | 02 ABR 08

“A Ordem de Cristo e da Espada”

Seguiu mares adentro a Cruz da Ordem de Cristo, levando, com vento e espada, a palavra do Filho de Deus a todos os cantos do mundo, e foi durante séculos o orgulho e a demonstração da vontade e da fé do povo português.

A Ordem, abolida com o início da República, voltou em 1918, com a finalidade de agraciar aqueles que “por obras valerosas”, para com o seu país, merecessem deste uma distinção. Uma medalha! Uma honra.

As regras para concessão de qualquer distinção, melhor, condecoração, parecem ser bem explícitas nos seus regulamentos, mas são hoje usadas como moeda de troca, ou compra e venda de pepinos e rabanetes! Não tarda que seja importada da China, uma vez que adulterada, a sua finalidade, já está.

Não só esta. Qualquer Ordem, como até a Torre e Espada, que, no tempo do Valor, podia estar no peito de um soldado que os generais tinham que a saudar.

Hoje qualquer gato tem a Torre e Espada. E não tem mais porque o regulamento não permite ultrapassar um determinado número. A única limitação.

Chegou a presidente da república e toma lá uma medalha de cada para a coleção. Bem sei que é o dito presidente o chanceler de todas as ordens “honoríficas” do país, mas normalmente quem luta nas guerras não é general, mas soldados e sargentos e, por vezes, alguns oficiais, como Mousinho de Albuquerque, e Paiva Couceiro.

Agora o sr. Silva, leia-se Cavaco, decidiu dar a maior condecoração do país ao seu compadre, sr. Silva, leia-se Lula, certamente por “atos de bravura” quando era líder sindical, de que Portugal nada teve a ver.

Deve ouvir-se, sertão adentro, em Angola, os ossos de outro Silva, José Teixeira da Silva, o famoso Zé do Telhado, revolverem-se no seu túmulo, ainda respeitado pelo povo angolano, agraciado com a Torre e Espada por atos de extrema bravura nas lutas liberais, ao ver para que serve hoje uma distinção que a ele acabou por custar a vida!

Pior ainda quando lhe constar que a dona Lula foi também condecorada com a maior distinção do Ordem Militar de Cristo.

Que feitos “valerosos” fez a dita senhora? Nem pelo seu país, quanto mais para ser distinguida por Portugal!

O Silva, do Telhado, também roubou. Muito. Mas distribuiu pelos menos desfavorecidos. Foi sempre pobre, morreu desterrado da família, e não arranjou empregos nem favores milionários para os amigos e filhos.

Guardou a ética e a honra junto com os seus veneráveis ossos.

Francisco G. de Amorim

Do Rio de Janeiro, Brasil


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