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Seguiu mares adentro a Cruz da Ordem de
Cristo, levando, com vento e espada, a palavra do Filho de Deus a
todos os cantos do mundo, e foi durante séculos o orgulho e a
demonstração da vontade e da fé do povo português.
A Ordem, abolida com o início da
República, voltou em 1918, com a finalidade de agraciar aqueles
que “por obras valerosas”, para com o seu país, merecessem deste
uma distinção. Uma medalha! Uma honra.
As regras para concessão de qualquer
distinção, melhor, condecoração, parecem ser bem explícitas nos
seus regulamentos, mas são hoje usadas como moeda de troca, ou
compra e venda de pepinos e rabanetes! Não tarda que seja
importada da China, uma vez que adulterada, a sua finalidade, já
está.
Não só esta. Qualquer Ordem, como até a
Torre e Espada, que, no tempo do Valor, podia estar no peito de um
soldado que os generais tinham que a saudar.
Hoje qualquer gato tem a Torre e Espada.
E não tem mais porque o regulamento não permite ultrapassar um
determinado número. A única limitação.
Chegou a presidente da república e toma
lá uma medalha de cada para a coleção. Bem sei que é o dito
presidente o chanceler de todas as ordens “honoríficas” do país,
mas normalmente quem luta nas guerras não é general, mas soldados
e sargentos e, por vezes, alguns oficiais, como Mousinho de
Albuquerque, e Paiva Couceiro.
Agora o sr. Silva, leia-se Cavaco,
decidiu dar a maior condecoração do país ao seu compadre, sr.
Silva, leia-se Lula, certamente por “atos de bravura” quando era
líder sindical, de que Portugal nada teve a ver.
Deve ouvir-se, sertão adentro, em
Angola, os ossos de outro Silva, José Teixeira da Silva, o famoso
Zé do Telhado, revolverem-se no seu túmulo, ainda respeitado pelo
povo angolano, agraciado com a Torre e Espada por atos de extrema
bravura nas lutas liberais, ao ver para que serve hoje uma
distinção que a ele acabou por custar a vida!
Pior ainda quando lhe constar que a dona
Lula foi também condecorada com a maior distinção do Ordem Militar
de Cristo.
Que feitos “valerosos” fez a dita
senhora? Nem pelo seu país, quanto mais para ser distinguida por
Portugal!
O Silva, do Telhado, também roubou.
Muito. Mas distribuiu pelos menos desfavorecidos. Foi sempre
pobre, morreu desterrado da família, e não arranjou empregos nem
favores milionários para os amigos e filhos.
Guardou a ética e a honra junto com os
seus veneráveis ossos.
Francisco G. de
Amorim
Do Rio de Janeiro, Brasil
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